6 de julho de 2009
Vaidade autoral
Por Arnaldo Branco
E lá se foi mais uma FLIP, evento que desperta o que há de melhor no ser humano: o despeito. Melhor no sentido de coisa aperfeiçoada pela prática e tal.
Como Paraty é uma cidade pequena e com um número limitado de pousadas, é claro que fica de fora da festa literária uma parte significativa da população brasileira, formada por escritores, aspirantes a escritor, groupies e aspirantes a groupie de escritor. É gente pra caralho - e todo mundo falando mal do encontro.
Não estou dizendo que quem reclama da FLIP não tenha razões para justificar esse desprezo estudado. Escritor é aquele tipo famoso por compensar em vaidade autoral todo o orgulho que não pode manifestar por sua aparência física, e a simpática cidade fica realmente lotada desses pavõezinhos feios. Mas, pra mim, se existe algo a celebrar na feira é justamente o fato de ter muito pouco a ver com literatura.
A FLIP é uma bela oportunidade para conhecer garotas deslumbradas, para beber e para seduzir garotas deslumbradas e bêbadas. É claro que o deslumbramento vai embora quando descobrem quanto ganha em média um escritor no Brasil. Mas aí, como diz o Verissimo, o fato já estará consumado e a garota, consumida.
Milito nos quadrinhos, uma arte menor, em que não dá para se ostentar muita coisa além de problema de coluna. Portanto, há poucas brigas internas no meio, zero glamour e nenhuma groupie. Nosso evento sazonal em que pouco se fala do assunto central, o FIQ, é parecidíssimo em estrutura com a FLIP - só não tem as garotas.
Também por isso, não existem detratores. Mulher estraga tudo.
10 comentários para “Vaidade autoral”
Deixe um comentário
- Boas intenções
- A sedução dos inocentes
- Report as spam
- Exclusão analógica
- Ah, a Globo
- Mania de vítima
- As utopias perdidas da geração do Jabor
- Trash kosher
- Falta de ambição
- A esquerda séria
- Eu só estava cumprindo ordens
- Minha lista de melhores do ano
- Vai ver que é pelas crianças
- Licença poética
- O inferno são os outros
- Silêncio na favela
- O sucesso não acontece por acaso
- Deixem o erotismo em paz
- É sobre a Rússia
- Qual é a moral dos moralistas?
- Vendido!
- O A e o Z
- Indignação pautada
- Saudades da direita cínica
- Como é cruel cantar assim
- O uso correto da liberdade de expressão
- Humor: como reconhecer
- Descuido
- Retroceder nunca, render-se jamais
- Chega de perdão
- What’s so funny about peace, love and understanding?
- O que aprendi com a coluna da semana passada
- Vítima da sociedade
- Baixo elitismo
- South american way
- Inimigos da internet
- Vaidade autoral
- Não me inveje, trabalhe
- Unidos lamentaremos
- As agruras do fracasso
- Informação privilegiada
- A pureza da resposta das crianças
- A cultura do carão
- Rota de fuga cheia de encantos mil
- Dadinho é o caralho, meu nome é Michael Corleone
- Vivendo em negação
- Picareta na estátua
- Tragam-me a cabeça de Diogo Mainardi
- Francamente, Adriano
- Indignação seletiva
- O mito do humor inteligente
- Advertisement biatches
- Fatalismo em arte
- Teoria do co-autor
- Por um punhado de ordens de pagamento
- Estado de Graça
- Teoria do autor
- Larica total
- Fase de crescimento
- Calabocracia
- Tempos difíceis para um Stalinista
- Alma do negócio, bunda na janela
- Era mais jogo se eu tentasse fazer charme de intelectual
- Isto era Hollywood
- Parem de formar o público leitor
- A banalização da misantropia
- Gossip world
- Gentileza gera gentileza
- Ridendo castigat mores?
- Consciência culpada
- Fome F.C.
- A grande ameaça amarela
- A vigência dos nerds
- O último tango na praça Paris
- O ataque dos telepatas assassinos
- Concorrência desleal
- A morte do sapo
- Disposição contrária
- To be or to appear to be, that is the etc etc
- Kill kill kill the poor
- As portas da percepção
- Home of the brave, land of the free
- Patrulha de Elite
- A questão do conteúdo
- A inteligência em mãos erradas
- O Brasil é um país sem o que mesmo?
- Coleção Primeiros Passos: O que é Didatismo
- Humor anal
- Um mundo de possibilidades
- O Homem superando os meus limites











6 de julho de 2009 às 8:45
[...] E lá se foi mais uma FLIP, evento que desperta o que há de melhor no ser humano: o despeito. A coluna do Arnaldo Branco desta semana continua aqui. [...]
6 de julho de 2009 às 12:04
“A FLIP é uma bela oportunidade para conhecer garotas deslumbradas, para beber e para seduzir garotas deslumbradas e bêbadas.” Sou escritora e não gosto da Flip mais por isso - pela afliceta alheia. É como ir a uma micareta, aquilo não tem nada a ver com música. Eu adorava feiras do livro e bienais, though - quando elas ainda davam descontos absurdos. Hoje só na internet e em certos sebos.
6 de julho de 2009 às 12:15
Não é só uma escritora, vc e a Cissa Giannetti são as melhores pra mim.
E é claro que a coisa tem ida e volta, o que tem de carinhas no maior atraso dando aval pra sluteratas que escrevem livros-sex tape…
6 de julho de 2009 às 13:16
[...] Mal Necessário, do cartunista Arnaldo Branco na revista Zé Pereira. Posts relacionados:Briga de casal francês [...]
6 de julho de 2009 às 13:24
fiq é o que há; flip dá preguiça.
6 de julho de 2009 às 19:47
afliceta, hahahahahahaha!
ah, subiu num palco/palanque vira deus, mulher é foda! XD
7 de julho de 2009 às 5:01
Nos quadrinhos nas tem as groupies, mas tem OS groupies! (Argh!) Arnaldo, sou jornalista do Caderno 2 do Correio da Paraíba e estou de férias. Quando voltar (31 de julho) vou tentar esquematizar umas entrevistas por e-mail (ou telefone) com quadrinistas da nova geração como você, Dahmer e outros. Você topa? Abraços!
7 de julho de 2009 às 5:36
Uma vez disse em um acalorado debate sobre sexismo que mulher tem vocação para ser discípula - e não fui desmentido. Mulheres, defendam-se!
8 de julho de 2009 às 2:53
Preferem ser discípulas/ groupies/ esposas-à-sombra-de-autor as mulheres preguiçosas…
8 de julho de 2009 às 13:40
Essa Simone cheira a groupie de escritor. E de livro de RPG, ainda por cima!