21 de dezembro de 2009
Vai ver que é pelas crianças
Por Arnaldo Branco
O inimigo natural do politicamente correto é o livre arbítrio. Como se sabe, o PC foi criado por cidadãos que confiam demais em sua capacidade de julgamento e nenhuma na dos outros mortais, ou seja, nós.
Natural que as crianças, ainda em fase de formação de caráter e de outros atributos inúteis para a vida moderna, fossem suas maiores vítimas. Por exemplo, existe todo um movimento para proteger nossos filhos da exposição a anúncios na TV e nos gibis.
Acho que se as propagandas nos gibis tivessem mesmo todo esse poder de persuasão, eu teria feito todos os cursos por correspondência do Instituto Universal Brasileiro. Também não entendo porque deva haver restrição exclusiva para a criançada, já que aparentemente adultos compram roupas na C&A porque acreditam que a Gisele Bundchen também usa. Qual o sentido em preparar crianças para um mundo sem propaganda? Elas não vão viver em um.
Essas pessoas também subestimam o poder da compreensão infantil. Lembro que muito cedo aprendi a distinguir o universo da publicidade, onde os playmobis voavam, do real, que era regido pelas leis da física e pelo salário do meu pai. Quem precisava do Conar?
Talvez os pais modernos estejam precisando aprender a falar “não” com mais freqüência.
29 comentários para “Vai ver que é pelas crianças”
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21 de dezembro de 2009 às 15:05
Sabe que é isto mesmo? Qual é o problema de dizer: “Não”?
21 de dezembro de 2009 às 15:07
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » Vai ver que é pelas crianças http://www.revistazepereira.com.br/vai-ver-que-e-pelas-criancas – view page – cached O inimigo natural do politicamente correto é o livre arbítrio. Como se sabe, o PC foi criado por cidadãos que confiam demais em sua capacidade de julgamento e nenhuma na dos outros mortais, ou seja, nós. [...]
21 de dezembro de 2009 às 16:20
É verdade, os pais não querem traumatizar dizendo não (ou não quer ter esse trabalho). Acho que estamos nos tornando um mundo de bananas, onde ninguém quer punir pq não tem colhões pra admitir que é capaz de fazer sofrer, e nem que frustração forma o caráter. Mas essa pirralhada sem limites cresce, e aí (depois de um ambiente escolar infernal) temos uma sociedade sem contrato, onde as pessoas fazem burradas primárias umas contra as outras e ninguém as pune por isso - e nem mesmo se afasta delas por isso. Resultado: os traumas são vividos com intensidade ainda maior, só que na idade adulta… tenho visto cada vez mais isso.
21 de dezembro de 2009 às 16:39
Eu também teria feito todos os cursos do IUB, onipresente em revistinhas e fotonovelas do século passado. Ótima lembrança, Arnaldo. Perfeitas, também, a pergunta e a resposta: “Qual o sentido em preparar crianças para um mundo sem propaganda? Elas não vão viver em um.
O ser humano sempre foi o lobo dele mesmo, seja na porta da escola, na noite de sexta ou nas telinhas. Educar é ensianar a gurizada a se proteger disso.
21 de dezembro de 2009 às 18:34
hehehehehehehehehoeoeoeoeoheho reaproveitou a piada do instituto universal brasileiro, foi boa mesmo.
21 de dezembro de 2009 às 19:57
[...] Minha coluna Mal Necessário da semana: Vai ver que é pelas crianças [...]
22 de dezembro de 2009 às 0:33
Onde estão os 579854049 leitores que discutiam futebol furiosamente nos comentários?
22 de dezembro de 2009 às 6:54
Nas compras de Natal.
22 de dezembro de 2009 às 10:11
Muito rasa a análise do trabalho feito pelo Instituto Alana, que já tive oportunidade de conhecer.
Se na sua infância você sabia distinguir que o “playmobil não voava”, devo lembrá-lo que o playmobil, um brinquedo muito legal por sinal, já saiu de moda há um bom tempo, substituído por milhares de opções caras e muito mais sedutoras aos olhos das crianças. Elas realmente não se iludem com brinquedos que voam, mas ficam obcecadas por um videogame que custa milhares de reais.
Pais que saibam dizer ‘não’ contribuiriam para evitar esse processo é o seu argumento. Concordo. Mas não seria um pouco mais justo para eles se a publicidade infantil não jogasse tão pesado? Tenha um filho e depois nos conte.
abrass
22 de dezembro de 2009 às 11:00
Ah, a lógica do sequestrador: e se fosse com seu filho?
Meu pai era jornalista; minha mãe, deficiente física, não podia trabalhar. Os dois fizeram um puta sacrifício para me botar no Sto Inácio, um dos colégios mais caros do Rio - tinha fama de ser o melhor, though. Viagem para a Disney, roupa de marca, brinquedo importado era a realidade de geral à minha volta. Ficava frustrado, mas foda-se, aprendi que é da vida.
Tudo isso sem 25.000 ongs pra me proteger do Joe Camel.
22 de dezembro de 2009 às 13:55
Arnaldo, nem todas as crianças são tão “malandras” quanto você foi. Num país sem cultura, o Conar é sim necessário pra evitar abusos contra esse povão quem, nem quando adultos, tem discernimento pra falar NÃO pros filhos - como você mesmo apontou.
22 de dezembro de 2009 às 14:40
Se essa é a lógica do sequestrador, o que você defende é s lógica da barbárie, do ressentimento. “Eu passei, então todo mundo tem de passar por isso também”, ressentimentos desse tipo. Sua infância não seria melhor sem essa frustração? Se “ter a roupa de marca ou o brinquedo importado” não tivesse um peso muito menor para ser socialmente aceito entre os colegas? É justamente isso que políticas como essas que tentam amenizar a pressão pelo consumismo feitas às crianças buscam.
Não tira, claro a responsabilidade dos pais de impor limites, de dizer não. Mas pai que é pai de verdade quer o melhor pros filhos. Vide o caso dos seus, que fizeram das tripas coração para te dar uma educação de qualidade. Muito provavelmente pq a educação era um valor fundamental para eles. Para muitos pais, o valor é o consumismo, justamente porque foram estimulados, desde crianças, pela propaganda.
Mas enfim, o colunista é você, e até concordo com alguns dos argumentos. Só a crítica ao trabalho dessas organizações, que é bem raro se comparado ao volume de publicidade produzida sem qualquer controle, é que achei mal fundamentada.
abrass
22 de dezembro de 2009 às 14:54
Alexandre, o Grande, fundou Alexandrópolis quando tinha 16 anos, depois de esmagar alguns rebeldes que tinham decidido arranjar confusão enquanto seu pai tinha ido fazer guerra. Hoje jamais teríamos um Alexandre, pois pseudo-psicólogos como os criadores dessas ONGs e os redatores do ECA (estatuto da criança assassina) distorceram o conceito de infância e adolescência, sugerindo que todas as crianças virem filhos-de-vó - e aí, será perfeitamente normal um marmanjo de 17 anos gritar do banheiro: MÃÃÃÃÃEEE, TERMINEI!!!
22 de dezembro de 2009 às 15:03
Acho que questionar a ética da propaganda é sempre válido, Dennis. Creio que a coluna tentou lembrar que a resposnabilidade dos país é o mais importante. É uma questão de educação, inclusive de várias gerações, como vc bem lembrou. Até porque, disciplinar a propaganda é algo quase impossível. A natureza dos caras é pegar pesado, é convencer as pesoas a consumir algo de que elas nem precisam etc. A falta de ética se dá contra os adultos, também, e nos pega pelas nossas maiores fraquezas. Ser pai é preparar os filhos para efrentar a realidade, e isso implica em dizer não muitas vezes. Não há Conar que substitua isso, por mais nobres que sejam as intenções das Ongs. E não há ong que remedie a falta de educação ou o estrago causado por pais sem noção.
22 de dezembro de 2009 às 16:23
Segundo os pseudo-psicologos, nao se deve falar “não” pras crianças, e sim “desculpe, vou providenciar”.
22 de dezembro de 2009 às 20:15
Bello, entendi esse ponto de vista da coluna do Arnaldo também, que a responsabilidade dos pais é sempre vital nesses casos. Concordo com isso, não disse o contrário.
O que critico é justamente a crítica a qualquer tipo de regulamentação da propaganda e da sua ética, principalmente quando ela é voltada as crianças.
Falo isso por uma pequena experiência própria: eu tenho um filho de 8 anos, e é sempre a mesma história. Uma marca de óculos, um videogame, um tênis da moda. É claro que eu não compro tudo que o pequeno pede (até pq, como o pai do Arnaldo, eu também sou jornalista hehe), e tento fazer ele perceber o valor do dinheiro e do gosto pessoal (um exemplo que deu certo: compramos um allstar juntos, da mesma cor, depois de muito papo, convencimento e um cofrinho quebrado), mas é uma batalha muitas vezes desigual. É a pressão dos colegas na escola, e a propaganda na tv, na internet, no msn.
Não acho que o correto seja criar o filho em uma redoma, longe de todo tipo de publicidade, até pq isso não é possível, nem saudável acredito, mas acabar com as poucas iniciativas que tentam refrear esse consumismo alucinado entre crianças também não acho correto. Se a natureza da propaganda é ser “baixa”, não dá pra cobrar livre-arbítrio de crianças.
Acompanho sempre a produção do Arnaldo, desde a época do Gardenal.org, e acho ele um cara foda, inteligente demais. Só achei que ele pecou nessa questão de eliminar qualquer restrição na propaganda para as crianças.
P.S.: Cabron, já esmagou quantos rebeldes hoje? Pode ser o gerente do seu banco também. Ou será que você acaba se conformando calado com a tarifa mensal de manutenção da sua conta corrente?
23 de dezembro de 2009 às 8:59
Confesso que, quando pequerrucho, não tive a sorte de, como o Arnaldo, sempre desconfiar da ética dos propagandistas que infestavam os gibis (de super-heróis, no meu caso).
Lembro que, ao ver durante 1 ano (até que desconfiei bastante) um anúncio que dizia: “Tenha braços poderosos!”, peguei minhas economias e comprei os tais supostos braceletes do poder.
Qual não foi minha decepção ao ver aquelas tiras de couro com chumbo nas laterais que deveriam fazer de mim um novo hércules!!! rsrs
Frase do meu pai: “filho, acho que você foi tungado…”.
23 de dezembro de 2009 às 9:04
Hoje, “só na mãozada deitei seis, mas detestei matar”.
23 de dezembro de 2009 às 11:33
arnaldo, também não acho que criança vai virar débil mental por causa de propaganda, mas a questão é: pra que serve propaganda pra criança? só pra crescer um tantinho o mercado publicitário?
23 de dezembro de 2009 às 15:46
CONAR = CENSURA, QUER VOCÊS GOSTEM OU NÃO
24 de dezembro de 2009 às 6:09
Não é questão de ser débil mental. Segundo psicólogos, a criança até mais ou menos os 7 anos, tende a acreditar em qualquer coisa que lhes digam para crer: Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Inri Cristo ou Bispo Macedo.
Agora, de fato, se propaganda durante programação infantil não funcionasse, o Bozo não teria sido suspenso por anunciar um boneco que não existia.
Pra quem não sabe, Tereoteltel foi o brinquedo que nunca existiu mais procurado pelas crianças dos anos 80, por conta de uma brincadeira do ex-Bozo, hoje Pastor (gostou mesmo da coisa?) Arlindo barreto.
24 de dezembro de 2009 às 10:07
os comentários aqui me impressionaram…
incrível, o fato de nao ter um danilo gentilli da vida dizendo ‘o politicamente correto acabou com tudo de bom no mundo’ ou algo assim.
enfim, estão de parabens!
24 de dezembro de 2009 às 12:22
O problema todo é falar “não” aos pequenotes. Vivemos num mundo onde a relação de autoridade pai-filho está indo pro caralho, infelizmente. As narrativas hierárquicas perderam espaço para o novo sistema de “rede” que achata todo mundo no mesmo nível. Sem querer entrar em juizos de superioridade X inferioridade (uma babaquice atroz), acredito que a conquista da autonomia existencial necessariamente passa pela obediência em relação à autoridade, muito bem esclarecida por filósofos como Adorno. Num país de analfabetismo funcional acentuado como o Brasil, a publicidade se refestela dessa precariedade simbólica entranhada nas crianças. A publicidade é criminosa, é fascista? Não é, mas não deixo de achar meio patético ver o empenho descomunal em fustigar essa demência do consumo. Norman Mailer disse, pouco antes de morrer, que estamos vivendo o fim da Literatura. Que as crianças de hoje em dia não conseguem acompanhar uma narrativa sem serem interrompidas de 15 em 15 minutos por um comercial. Pequenos psicóticos, que não conseguem se concentrar em mais nada. É Matrix? É exagero? No Brasil, acho que a gente tem que olhar isso com um certo cuidado, sim. Ao invés de entupir as crianças com remédios e castigos, deveriamos olhar pras nossas fundações.
Mas isso tudo que eu estou dizendo é uma caretice, afinal, o grande medo hoje em dia é não aceitar todas as NOVIDADES e insumos protéticos e tecnológicos, e ficar com aquela pecha de reacionário.
Vamos ABRIR A BUNDA PRO MERCADO!!!! VIVA O PROZAC
24 de dezembro de 2009 às 20:59
Não tenho filhos e não pretendo deixar descendentes. Isso não me impede de reconhecer o esforço de pais feito o Dennis. Ao menos ele é dos que procuram educar seus filhos, ao contrário da maioria, que os produz e deixa que o mundo os (des)ensine.
Malgrado exageros, tais como a ideia de proibir propaganda de biscoitos recheados, a regulamentação da propaganda infanto-juvenil é necessária.
E o Conar é, ao menos, uma iniciativa dos próprios anunciantes para criar algum regramento no ofício da propaganda. O que dizer das emissoras de televisão, que só se unem quando precisam passar o pires para o governo e não tomam vergonha e criam um órgão parecido com o Conar? Se tivessem tal iniciativa, não seria necessário o Ministério da Justiça criar o instituto da classificação etária dos programas televisivos.
Nunca foi tão difícil educar crianças neste país.
6 de janeiro de 2010 às 14:11
Trabalho com publicidade e principalmente produtos para o público infantil/adolescente… não tem coisa melhor do que deixar um pai com peso na consciência pra vender o produto a uma família. Apesar de que nosso produto é educativo, não é por isso que vou pro inferno, rs.
8 de janeiro de 2010 às 9:51
Também acredito que a propaganda em gibis, desde que de forma moderada, não afeta crianças e jovens. Quanto a televisão, não existe ética nenhuma, nem mesmo nos canais religiosos. Exceto os canais educativos, toda a televisão está voltada mais para a “putaria”, mostrando cenas de sexo quase explícito, no horário em que as crianças estão diante da Tv. Não valorizam a família, a educação, a cultura. O valor principal é a vulgaridade.
Costumo assistir o canal FOX, em inglês, e la passa diariamente várias entrevistas com escritores que estão lançando livros. Quem é que assiste coisas deste tipo nos canais do Brasil. A televisão brasileira parece desconhecer a existência do livro.
Enfim, os gibis não representam perigo. A Tv, com raríssimas exceções, sim.
16 de janeiro de 2010 às 3:26
concordo com o Dennis em tudo!
digo ainda q é muito fácil falar que cabe aos pais educarem (sempre eximindo a mídia e os péssimos educadores de sua parcela de responsabilidade), mas me pergunto o que fazer com filhos de pais desorientados…
há pouco tempo vi um documentário num dos canais públicos (não lembro agora se foi o Universitário, o MultiRio, ou algum outro) sobre assunto… só que as entrevistas se davam essencialmente com famílias pobres (ou a nova classe média, como alguns chamam as classes C e D, atualmente) e sem nenhuma narração pedagógica (apenas mostravam os fatos) era notório que os filhos era extremamente consumistas por influência das mães
mostravam a criança fissurada na TV e cortavam pra mãe de cabelo alisado, unhas feitas, desfilando um celular cheio de funções inúteis, etc… enfim, como orientar essas crianças q n tem educação em casa?
Um reaça qualquer poderia dizer “ah não são meus filhos, que se lixem”, mas ainda resta um argumento no mesmo (baixo) nível pra vocês q pensam assim: amanhã essa criança frustrada vai cobiçar os bens que seus filhos vão desfilar por aí
6 de fevereiro de 2010 às 14:40
pode ser, mas eu ficaria feliz de ter vivido num mundo sem intervalos comerciais e páginas da minha turma da mônica desperdiçadas com a foto de um “sansão” de pelúcia.
8 de março de 2010 às 13:46
Pais mediocres estao transferindo a crianção dos filhos para o Içani Tiba, para as escolinhas e agora para o Instituto Alana. Pra que educar? Isso é complicado. Vamos alterar o modelo publicitário, as regras de mercado, a psicologia do consumidor, e, depois de tudo isto, se não adiantar, se tivermos criado crianças idiotizadas, sem poder de decisão, superprotegidas, poderemos colocar a culpa nas avós.
Passei a infancia vendo o pipa pau praticar a crueldade e isto nao me influenciou, ao passo que muitos padres, criados dentro de seminários, lendo a bilblia, nao assistindo pernalonga, tornaram-se grandessíssimos filhos da puta que molestam crianças.
Eu tenho filho e sei dizer não. Não machuca.