3 de outubro de 2008
Uma conversa com Paolo Taviani
BLOG, Cinema, Festival do Rio 2008
Por Eduardo Souza Lima
Eu estava para escrever este post faz tempo, porém não estava conseguindo uploadear o vídeo pro YouTube. O som não está muito bom, mas prestando bem atenção dá pra ouvir. Ao lado do simpático cineasta, diretor de “A noite de São Lourenço” (1982), “Bom dia, Babilônia” (1987) e ”Allonsanfan” (1974), entre outros, está a tradutora Elizabeth Thompson, do Instituto Italiano de Cultura. Na mesa também estava Ruy Guerra.
O irmão mais novo do Vittorio conversou com uns 20 felizardos que puderam aparecer na Escola de Cinema Darcy Ribeiro na manhã de terça passada. Foi um papo rápido, pois de lá ele iria direto pro aeroporto. No vídeo acima, ele fala sobre o seu filme mais recente, “La Masseria delle allodole” (2007), sobre o massacre de armenos pelos turcos em 1915. Paolo contou que ele e o irmão ouviam essa história de uma senhora armena que trabalhava na casa deles, mas achavam que ela estava exagerando. Quando a história veio à tona, decidiram que um dia fariam um filme sobre ela para homenageá-la.
Seria um debate sobre o filme, mas como ninguém da platéia ainda o tinha visto, o diretor falou sobre cinema em geral e política. Perguntado como os cinaestas italianos estavam reagindo à volta da direita ao poder na Itália, repondeu: “O cinema do pós-Guerra italiano não foi feito graças ao governo, mas apesar dele. Estamos acostumados a lutar. Um ministro italiano, Julio Andreotti, que representava uma parte do pensamento pequeno-burguês, disse que detestava ‘Ladrões de bicicleta’ e que todos os italianos deveriam detestá-lo, com o argumento de que roupa suja se lava em casa. Eu acho que ela deve ser lavada em praça pública”.
Fátima Melo Sousa, aluna da Darcy Ribeiro que mora Manguinhos disse a ele que moradores se sentiam incomodados com o modo como as favelas era retratadas no cinema. Perguntou-lhe se os armenos gostaram do retrato que ele pintara deles. Paolo respondeu que os armenos ficaram muito felizes com o filme, principalmente porque ele não mostra os turcos como o mal absoluto. Mas contou que os sardenhos, a princípio, não ficaram muito felizes com “Pai patrão” (1977): “Disseram que estávamos mostrando a Sardenha de uma forma muito dura, dando a idéia de que lá se guarda dinheiro embaixo do sabonete porque ninguém toma banho. Nós dissemos que fazíamos isso para atrair a solidariedade do mundo para os sardenhos. E o filme fez todos amarem a Sardenha. Eu só acho que não se deve tratar desses assuntos como um filme de ação de Hollywood”. Ele não citou nomes, mas na mesma hora pensei em “Cidade de Deus” e no trailer americano de “Tropa de elite” chamando o Rio de Janeiro de “a cidade mais perigosa do mundo” apenas para vender pipoca.
2 comentários para “Uma conversa com Paolo Taviani”
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4 de outubro de 2008 às 22:37
“uplodear” é foda, Zé, tenta “subir”. Daqui a pouco você vai escrever “printar” em vez de “imprimir” (ou “rodar”) e “quitar” em vez de “fechar”.
5 de outubro de 2008 às 12:57
Urubu, seu antiquado, a língua é dinâmica.