9 de outubro de 2008
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa
BLOG, Cinema, Festival do Rio 2008
Por Gustavo Acioli
As expressões “filme de arte” e “cinema de arte” têm sido a Geni do cinema brasileiro nos últimos anos, sendo sempre tratadas como sinônimo de fracasso de público e de renda.
Essas questões são todas muito relativas quando se fala de cinema. Todos sabem que o maior sucesso brasileiro de bilheteria foi o filme “Dona Flor e seus dois maridos” (Bruno Barreto, 1976), com aproximadamente 12 milhões de espectadores. Todos sabem também que o maior artista do cinema brasileiro até hoje, gostem ou não, é Glauber Rocha, e que sua obra-prima é “Terra em transe” (1967). Pergunto: de lá pra cá, qual dos dois filmes teve o maior número de re-exibições? Nos últimos 30 anos, qual teve maior público?
Houve um tempo em que as pessoas esperavam pelo próximo filme de alguns diretores. Que diretor brasileiro, hoje, tem seu próximo filme ansiosamente aguardado pelos amantes do cinema?
A ousadia, o risco, a inventividade, a sinceridade, a honestidade intelectual e o talento sempre serão recompensados em alguma medida. Van Gogh que o diga. É preciso tratar das coisas com uma perspectiva histórica, uma perspectiva de futuro e, sobretudo, com grandeza. Querem apequenar o cinema brasileiro. Querem reduzi-lo ao tamanho dos seus resultados de bilheteria. Se for assim, ele some.
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