23 de junho de 2008
Um mundo de possibilidades
Por Arnaldo Branco
Nunca se escreveu tanto sobre as maravilhas que as novas tecnologias permitem à mente criativa, sobre como cada vez mais temos canais para o talento se manifestar. São muitos artigos a respeito das possibilidades do mundo moderno: laptops, filmadoras digitais, blogs, mais terabites… pense nas possibilidades! Esse é o problema. Tem gente demais pensando nas possibilidades do que efetivamente as aproveitando. Enquanto mentes pensantes estiverem perdendo tempo escrevendo sobre o futuro das mídias digitais na “MacMania” ou na “Rolling Stone”, a crônica desta geração estará sendo feita por gente artisticamente prejudicada como… bem, não cito algum nome da imensa lista de novos artistas ruins para nenhum que esqueça de mencionar achar que escapou. Farta distribuição de carapuças! Há um fascínio pelas ferramentas que não havia no passado. Não lembro de ler, em autores do século XX, tantas odes à máquina de escrever, que além de revolucionar a escrita nos poupou da caligrafia de muitos gênios da literatura notoriamente maus alunos na matéria. Tenho certeza que vários erros de interpretação da Bíblia tiveram origem na letra dos escribas, o mais notório a filiação entre Jesus e Deus. Na real eram só primos, daí a confusão — você leu primeiro aqui. A tecnologia é uma coisa boa, claro, e cada vez mais temos dificuldade em imaginar como a Humanindade passava sem a internet rápida ou o repelente de mosquitos, mas houve uma época. Se bem que a negação da tecnologia também não garanta cérebros mais inventivos — nunca ouvi falar de um criador relevante surgido entre os Talibãs ou os Amish, que devem estar mais ocupados mesmo cultivando ópio ou consertando o celeiro, mas também não há registro de nenhum deles perdendo tempo em listas de discussão de TI e outras formas de procrastinação. Ao trabalho!
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