29 de agosto de 2009
Tremenda Fria
BLOG, Chamando na chincha
Não é só na Islândia, de Björk e do Sigur Rós que a crise do subprime devastou o que sobrava da pedra de gelo no copo de uísque. Lá restou a água quente dos “geisel” e a melhor música do mundo. Para não entrar em percentagem, razão, proporção e essas coisas, vamos resumir o que ocorre na ilha agora. As dívidas e passivo somam mais de U$100 bilhões. O Produto Interno Bruto é de U$14 bilhões. Pronto aí está a Islândia. Mas é o país campeão do mundo em IDH, a única coisa que importa. O desenvolvimento humano, digo. A ilha de gelo degela e parece cada vez mais tropical.
Antes de a Björk urrar “it is not up to you…”, mencionaremos o que acaba de ser anunciado: o Citigroup está sendo processado por sete pequenos (!) vilarejos noruegueses. Vik, Bremanger, Hattfjelldal, Hemnes, Kvinesdal, Narvik e Ranabrought. Essa turma, toda escandinava e dos arredores, parece que está numa tremenda fria.
Mas podemos ficar sossegados que a burrice e ingenuidade existem mesmo. Não é só de corrupção e má fé que vive o homem. Segundo a Transparência Internacional, no critério do “índice de corrupção política”, temos em primeiro e segundo lugar, respectivamente, (como exemplos da falta da mesma) a Islândia, e, a seguir, a Noruega. Segundo o grupo Jornalistas sem Fronteiras, no critério “liberdade de imprensa”, os dois países estão empatados como melhores do mundo na matéria, junto à Suécia e Países Baixos. Em outros quesitos de mensuração de bem estar, os dois países estão no topo da lista. Mas a situação fiscal da Islândia é pior que a do Haiti até.
Quanto à Noruega, no processo judicial coletivo das sete cidades, elas alegam que foram forçadas a investir em negócios “inescrupulosos” (sic). O processo foi anunciado no dia 10 de Agosto e estão pedindo U$200 milhões de restituição. Os vilarejos ficam encarapitados em áreas com fiordes, e estão embuchados de títulos de securitização de hipotecas subprime americanas. Curiosamente, em Vik eles não trancam as portas de casa. Ou seja, a reverberação desse terremoto ainda é sentida aqui e ali. E os puros parecem sentir mais que os ímpios.
O Brasil se safou. A mentalidade tacanha tem mil vantagens. Uma delas é a de não ser possível receber representantes de corretoras e de bancos de investimento oferecendo ao tesoureiro de um município em Tocantins boas oportunidades com derivativos chilenos, americanos ou suecos.
Não se pode copiar coisa lá de fora. Ai dessa moda de vilarejo e município processar. E se depois do fundo soberano já pensarem no destino do caixa dos municípios? Vão estar empatados em renda variável ou renda fixa de alta periculosidade? Imagina o dia em que Exu processar alguém! O superávit nominal municipal será o maior do planeta. Vão se borrar de medo de não pagar precatório pruma cidade com um nome desses.
Parece que o Haiti não é nem aqui, nem lá… no propriamente dito…
Ah, e para deixar a turma da Unicamp com o cabelo em pé, na Islândia, que precisa levantar uma grana, eles estão aumentando os juros que é uma barbaridade para atrair depósitos. Não tem essa conversa keynesiana de cíclico e anti-cíclico. Ou papo de Ronald Reagan de cortar imposto. Eles estão rodando a bolsinha – literalmente. Tem que aumentar a poupança para entrar mais e mais… Só assim vão manter a posição de melhores no desenvolvimento humano.
Assim caminha essa humanidade perdida.
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