20 de abril de 2009
Tragam-me a cabeça de Diogo Mainardi
Por Arnaldo Branco
Falei na penúltima coluna sobre o clima de Fla X Flu que permeia o debate político no Brasil, onde as pessoas preferem torcer para colegas de ideologia do que refletir sobre as bobagens que os caras eventualmente defendem. Uma atitude derivada desse modo de pensar é a forma como os leitores lidam com os colunistas da nossa terra.
Uma prática muito comum aqui é pedir a demissão dos (assim chamados) formadores de opinião que nos desagradam. Mesmo com todas as opções disponíveis para ignorar uma determinada seção do jornal/portal de notícias, tais como não assinar, não comprar, não olhar ou ficar gritando bilu-bilu-bilu durante a leitura do artigo para não se contaminar com a (assim considerada) burrice alheia, as pessoas preferem se aborrecer lendo o que não gostam.
Essa alma de censor do brasileiro mostra a quantas anda nosso nível de preparo para desfrutar as benesses da democracia. Gostamos de apregoar nossa aversão ao radicalismo por conta do convívio pacífico de diversas etnias, mas as seções de cartas dos leitores apontam a baixa tolerância à opinião divergente do alfabetizado médio nacional.
E não só isso. Muitos usam o grau de compatibilidade doutrinária para julgar mérito estético. Já li caras de direita dizendo que o Verissimo não sabe escrever, uma inverdade facilmente constatável pela leitura de qualquer parágrafo que o cara já tenha produzido. Mesma coisa com o Paulo Francis, que podia ser contestado em vários níveis, menos no do talento.
Sei que é difícil reconhecer beleza plástica em gol adversário, mas em nome da justiça é de bom tom se permitir essa grandeza eventualmente. Até porque tem aquela história, mesmo um relógio quebrado dá a hora certa de vez em quando; com o Jabor não é diferente.
E juro que não estou escrevendo em causa própria. Na única vez que alguém mandou email para o Zé José pedindo minha cabeça, ele resolveu me dar um aumento.
20 comentários para “Tragam-me a cabeça de Diogo Mainardi”
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20 de abril de 2009 às 18:16
Em MG, o Aécio deve ter um cabide de cabeças, de tanto que pede…
20 de abril de 2009 às 20:55
Olá, Arnaldo.
Acho que esse clima de “torcida” não se restringe aos leitores.
Os próprios editores e colunistas têm dois pesos e duas medidas quando tratam de personalidades muito identificadas com a esquerda ou com a direita.
É um contágio mútuo de abestalhamento.
O pluralismo, base do pensamento, está demodê.
abração e parabéns pela Taça Rio
20 de abril de 2009 às 21:42
De qualquer forma, painéis de leitores são espaços de diálogo. Nas últimas semanas, como o Dines constatou (aqui: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=532IMQ013), leitores podem, sim, “mudar” opiniões.
Se a revista/jornal concede o espaço, que usemos (eu acabei com a minha assinatura na Folha dias antes da ditacuja, digo, ditabranda, pra não me irritar mais).
O que não se deve permitir, e os jornais/blogs podem moderar, são os insultos à la Maraca.
Será que é censura? Não acredito. Tudo bem ter opinião, tudo bem escrever, se há contradição no que está escrito, por que não mostrar?
Não posso falar dos supracitados, do que já li, detestei e não sou masoquista. Um título como aqueles pra um livro já é golpe baixo, é tão… humor raso.
Fiquei besta de saber que eles são tema de um curso de extensão lá na Letras/UFRJ. Pelo que aprendi, o literário do texto está sobre tudo na amplidão de sentidos que a leitura deles possibilitam. E, sinceramente, críticas diretas são bem limitadas…
20 de abril de 2009 às 23:58
o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais
21 de abril de 2009 às 10:39
Em véspera de grande contenda nossos jornalões se lixam pro comercial (pode mandar carta a vontade…) e se debruçam nos interesses políticos, pois são dependentes do erário. Nessa história, como o valor do jornalista e a confiança, os mainardis da vida mais cedo ou mais cedo, perdem a utilidade e são excretados.
Moral da história, quem forma opinião, em tempos de Sathiagraha+internet, se quiser se aposentar na profissão, não pode comprar nada no crediário.
Digo isso, pq não tarda, os wikis vão dar o serviço dos vendidos mais fácil e mais rápido que mandar um post.
22 de abril de 2009 às 10:15
Grande coluna.
22 de abril de 2009 às 11:01
“Alma de censor” é uma ótima sacada. Em uma época em que todo mundo já cirandou por Brasilia, do PFL (”Democratas”???) ao PT (tá lá, tá lá…) fica dificil querer vestir a camisa e defender a classe politica brasileira. Desse bufê a quilo já provamos de tudo. Ou quase tudo. Sempre tem uma morcela fedida escondida no canto do balcão, esperando por algum gourmet radical em momento de fúria.
Claro, pois sempre tem quem confunde “atitude” com “fúria”. Uma parcela do “leitorado” adora telejornais sensacionalistas e enxerga justiça na baba de cachorro louco do apresentador: “é isso aí, tem que mandar matar todos eles, esse mundo tá perdido!”. “Eles” são sempre os “outros”. E os outros é que estão sempre errados, nunca nosotros. Falta espelho na leitura da critica jornaistica, né?
Abs, Marcos
22 de abril de 2009 às 11:23
É isso mermo porra! Essas pessoas que não sabem lidar com democracia que sejam torturados e mandados pro exílio! Democracia, porraaaa!!!!
22 de abril de 2009 às 14:17
genial esse teu texto. ah, assunto nada a ver, dama do lotação em 80 cinemas!!! hoje tem tem gente que só faz filme pra festival e pra viver as custas de editais e patrocínios da petrobrás. o povo, que paga a conta, paga o filme (ou pelo menos ajuda) tem que ficar vendo os filmes da globofilmes.
22 de abril de 2009 às 17:11
Maravilhoso texto. Acho que agora eu poderei ir dormir, mesmo que Mainardi respire, a Veja exista, etc. A carapuça serviu a mim, dos pés à cabeça e vice-versa.
24 de abril de 2009 às 15:05
olha, cara, leio seu blog há um tempo e acho que vc pauta bem os assuntos e é bom em frases de efeito, mas não é muito coerente. raramente comento em blogs, mas não pude deixar passar quando li em sua coluna que “seções de cartas dos leitores apontam a baixa tolerância à opinião divergente do alfabetizado médio nacional”. cara, já cansei de ver você espinafrar aqui no seu blog com piadinhas agressivas neguim que discorda de alguma opinião sua, geralmente chamando de viado ou cismando pelo fato de o infeliz postar anonimamente. o problema é que, desse modo, você muitas vezes foge ao mérito da questão em pauta e acaba agindo como aquele que “cai atirando”. em outras ocasiões, quando fica em saia justa costuma vir com o argumento pronto “ah, vocês estão levando os cartunistas a sério demais”. não estou aqui querendo pagar de diogo mainardi, que insulta qualquer um com um mínimo de relevância, mesmo porque acho seus cartuns fantásticos. mas acho, sinceramente, que você ganhou uma certa moral e está ficando muito chato,um tipo de intituiçãozinha, se achando no direito de ficar cagando regra. pra ser jornalista opinativo e se arvorar em análises como aquelas a que voc~e se propõe, precisa mais do que do que frases de efeito. acho que você deveria se limitar ao cartum.
24 de abril de 2009 às 18:18
E eu acho que vc deve se limitar a comentar em blogs mesmo. Empatou.
25 de abril de 2009 às 0:20
sua resposta aponta a baixa tolerância à opinião divergente do alfabetizado médio nacional.
25 de abril de 2009 às 18:52
Vossa excelências, vamos encerrar a sessão!
Só uma coisa, quando vou a um restaurante e o cozinheiro tá fraco, democraticamente, reclamo, se insiste com o infeliz, ai sim mudo de restaurante.
30 de abril de 2009 às 16:59
foda-se o flamengo.
30 de abril de 2009 às 18:25
O humor tem esses subterfúgios incríveis e quem se escora no deboche sempre dorme feliz. Quando o articulista ataca com sua verve histriônica e fica nítida a sua vitória, sai como glorioso. Mas se por acaso é rechaçado com brilhantismo, a réplica debochada dilui a seriedade do assunto para que o humorista não sinta a pancada com muita força.
Homens. Covardes no muque, covardes na abstração. Mas sempre covardes.
2 de maio de 2009 às 12:15
Peraí, o que isso tem a ver com o sexo masculino?
Fui sarcástico com esse sujeito pq ele mentiu: nunca fui agressivo com quem argumenta na boa comigo. O problema é que tem gente que se irrita fácil com opinião alheia e manda a sua nos comments junto com quatro pedras. Quando a gente devolve a agressividade, vem fazer o cínico. “Ué, só dei minha opinião”. OK.
E não costumo chamar ninguém de viado, que não considero xingamento - seria como chamar você de mulher, ou você chamar a gente genericamente de “homens”, como se isso denotasse estupidez. Ops. Só fiz essa piada no meu blog com um anônimo que perguntou uso frases em inglês para parecer cool, e fiz uma insinuação correlata sobre a psiquê dele.
E se vc viu mesmo brilhantismo nesse mimimi, só lamento.
29 de julho de 2009 às 17:38
mau perdedor…
29 de julho de 2009 às 17:40
pra sua sorte, não leio sempre. se tivesse visto esta resposta covarde sua antes, você se enrolaria, bonitão.
3 de agosto de 2009 às 12:22
Perdedor? Quem está marcando o placar? “Não leio sempre”, claro, voltar dois meses depois pra conferir…