1 de setembro de 2008
To be or to appear to be, that is the etc etc
Por Arnaldo Branco
Ia falar nesta coluna que o Obina é o conceito Júnior Baiano aplicado ao ataque, mas não queria aborrecer meus desavisados (leitores é muita presunção) mais do que o habitual. Pegando um desvio: Obina é o que os profissionais do marketing chamam de consumo irônico, algo de que se finge que gosta pela piada, mesmo que em prejuízo da sua imagem diante de amigos que preferiram optar por manter a aparência de indivíduos dotados de sanidade mental. É consumo irônico, por exemplo, usar uma camiseta dos Backstreet Boys e aguentar com estudado desdém as piadas sobre seu gosto e, em maior grau, sexualidade. Já usar uma do Oswaldo Montenegro não, porque não serve nem como piada e prejudica a transmissão da mensagem. Consumo irônico tem a ver com parecer não se importar, e não com assumir sem culpas que você é mesmo um prego. Mas curiosamente não é assim com a literatura, que é para os ostentadores da cultura pop a prova dos nove da cultura de verdade (insira aqui o gesto muito pós-pós de aspas). Não existe um equivalente literário a O Grande Dragão Branco ou Cristina Aguillera. As pessoas que lêem Paulo Coelho ou Danielle Steel estão muito além da ajuda de algum consultor de moda literária (existe Personal Shelver? Um carinha que cobra para arrumar estantes de um jeito canonicamente correto? Aposto que existe) - elas gostam mesmo dessas coisas. Mesmo quem cita livros que agregam valor cult mas estão em desacordo com a crítica tradicional tipo Bukowski ou todo o catálogo da Conrad está posando - odiaria ser pego na cabeceira com algum exemplar de subliteratura clássica porque ninguém acreditaria que é “só pela zoação”. Juro, amor, esse Sidney Sheldon não é meu! A ostentação intelectual é febre no Orkut - soube que tem gente que copia os livros favoritos de perfis alheios porque poupa o tempo de leitura, com a vantagem adicional de prescindir também da pesquisa por títulos adequados à sua personalidade. Os jornais ainda vão ter, ao invés de listas dos mais lidos, listas dos mais citáveis. A propósito: Obina é melhor do que o Eto’o.
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