30 de janeiro de 2010
Super S (Hole)
BLOG, ilícito
Por Fernando Barreiros
O tempo estava acabando assim como minhas chances de continuar com o emprego. Dormir deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma opção pouco escolhida. Como em “Clube da Luta”, a falta de sono realmente causa pequenas alucinações e te arranca da realidade. Destemido, andei até o espelho do banheiro e pratiquei minha imitação de Tony Montana: “Show me you got cojones, maricón”, “Meet my little friend!” Bom, na verdade, estava apenas tentando imitar um mexicano puto da vida. “Tenho de parar de tentar se um mexicano puto da vida e voltar ao trabalho”, pensei. Sentei na cadeira e derreti de sono. As letras se embaralhavam assim como meus pensamentos, que obviamente ainda estavam focados em xingamentos em espanglês.
A idéia salvadora veio à minha cabeça “CAFÉ!”. Alguns litros de café gelado e sem gosto e voltei para o maldito texto. Não poderia escrever um conto apenas com “Hijo da puta, I’m going to kill you like a pinãta!”. As idéias sumiram completamente e com certeza não estavam em minha gaveta. O teclado do computador me xingava e só depois percebi que era eu quem estava escrevendo os xingamentos e não era uma alucinação de verdade.
A T.V., aquela caixa que transmite imagens, estava exibindo um programa sobre garotas de ‘biquinão’ anos 90 com armas, claro que isso não é verdade, não vivo em Jackie Brown. O tempo se esgotava e o desespero me obrigava à pensar rápido. Como enrolar sem fazer merda, eis a questão. “Ora, vou escrever alguma coisa bem banal e fazer parecer que é ‘arte’ e ainda puxar o saco do meu chefe, que é o maior cineasta que o Brasil, não, que o MUNDO já conheceu.”
Meu corpo coçava como se estivesse cheio de formigas e concluí que um banho seria necessário para acabar com aquele sofrimento. Abri a porta do banheiro e Pow! Kapow! Woosh! Bunda peluda, água caindo, sabonete, limpeza! Voltei para minha cadeira de vilão(ou de advogado) e percebi que não poderia publicar qualquer merda em prol dos meus queridos e amados leitores. Minha camisa de botão abriu sozinha, revelando o S, de Sacana, em meu peito. “Então, o herói ’sacana’ com complexo de Ubermansch, digo, Super Homem, levantou heroicamente da cadeira, deu um longo suspiro e disse em alto e bom som: um texto não vai salvar a vida de ninguém, hora de dormir.”
2 comentários para “Super S (Hole)”
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30 de janeiro de 2010 às 15:44
Sempre adquiro um ódio tremendo de você quando termino de ler seus textos sem escrúpulos, mas vez ou outro procuro um cigarro queimando nesta revista. Se um dia eu entender o porquê conto-lhe o segredo.
31 de janeiro de 2010 às 20:12
o texto é bom. o comentário a seguir é babaca.