13 de maio de 2009
Sobre Fátima
BLOG, Chamando na chincha
Por Giselle Macedo*
Sou moradora de Santa Teresa/Bairro de Fátima. Observo a atuação da prefeitura de Paes e chego até a sonhar que um dia o tal Choque de Ordem vai chegar por aqui. Que ironia! Pra quem tem simpatias anárquicas, sonhar com Choque de Ordem chega a dar calafrios.
Mas a situação é calamitosa!
Moro na Rua Monte Alegre e a imundice impera. Os moradores não sabem se comportar socialmente e jogam sacos de lixo pela janela mirando em latas de lixo da Comlurb que ficam estacionadas na rua. Quando acertam, vibram de emoção, quando erram, o lixo fica espalhado pela rua inteira. Fora o agravante dos catadores de latinhas, que deixam tudo espalhado. Do início da rua até mais ou menos a altura do número 100, existe somente uma lata de lixo de cada lado da rua, indo de encontro a determinação da Comlurb de ter uma lata de lixo a cada 50 metros. Sem falar na quantidade de saco plástico voando e cocô de cachorro espalhado. Eu mesma tenho um cachorro mas sempre ando com jornal na mão, mas isso infelizmente não é a regra da área. Talvez fosse o caso de a subprefeitura conjuntamente com a Comlurb dar aulas de limpeza e cidadania para a população em geral e para as crianças do ensino fundamental em particular, pois crianças são a nossa esperança e futuro e adoram aprender, podendo assim, educar seus pais. O povo é super mal educado e quem paga o patos somos nós que não compactuamos com a sujeirada. (continua aqui)
A Monte Alegre é a única rua da área de mão dupla para Santa Teresa. A maioria dos imóveis não tem estacionamento. Logo, os moradores estacionam os carros onde podem, apesar de ter uma placa de não estacione na frente do número 46. Por que a prefeitura não regula este estacionamento? Não adianta proibir porque ninguém controla, além de não fazer sentido já é possível usar um lado da rua para este fim. Regulamentar seria a melhor opção ao invés de multar. Poderia ser estacionado ao longo de um lado da rua mas não em cima das calçadas. As calçadas já são estreitas e esburacadas e a rua de paralelepípedos é irregular, um perigo para o transeunte - já quebrei meu tornozelo nessa situação -, principalmente porque os motoristas e motoqueiros (tem um ponto de mototaxi na rua) sobem que nem uns loucos e muitas vezes os que sobem cruzam com os que descem e fica um engarrafamento de maluco. Essa área abriga muitos idosos e mães com carrinhos de bebê, essa situação não combina com o caos da rua.
A fiação elétrica dessa área é uma barbaridade. Fios e mais fios pendurados por todos os lugares e muitas vezes caídos no meio da rua. Não duvido que existam muitos gatos por aqui.
O Hotel Monte Alegre acaba de reformar sua nova instalação próximo ao hotel. Os andaimes ficaram meses atrapalhando a calçada e agora tiraram o mesmo e deixaram uma tremenda sujeirada que, só foi retirada depois de reclamação feita junto a Comlurb. Lixo na rua significa entupimento dos bueiros em dia de chuva.
Os bueiros, encanamentos e escoamento de água da área são um capítulo aparte. Toda chuvinha faz os bueiros explodirem com excrementos na Rua do Riachuelo na altura da Monte Alegre, Ladeira do Castro, Rezende e Andre Cavalcante. Tudo vira uma piscina fecal.
Com chuva forte a coisa fica simplesmente apavorante. O raio da desgraça naturalmente expande. As ruas Mem de Sá, do Lavradio, Gomes Freire, Inválidos, Rezende e cercanias ficam intransitáveis. A última forte chuva de março encheu a Rua do Rezende com Andre Cavalcante em 15 minutos. Presenciei um filme dos horrores. Em 30 minutos de chuva a água chegou a cintura. Fiquei ilhada em um boteco de esquina - vejam as fotos que foram publicadas no site do O Globo para ilustrar, elas não foram tiradas no pior momento da chuva. Tivemos que subir no balcão do bar para não sermos tragados pelas águas. Os sacos de lixos eram levados com uma violência incrível, carros boiavam e batiam uns contra os outros, bueiros explodiam e faziam um chafariz fecal, alambrados da prefeitura foram levados com violência para dentro do bar, pessoas caiam dentro dos buracos que antes eram protegidos pelos alambrados. O cheiro era insuportável e o pós-chuva era pura lama fétida. Ano passado pessoas foram tiradas de barcos pelo Bombeiro da Rua do Lavradio. E isso se repete intermitentemente. A rede elétrica cai e ficamos no escuro durante horas sem que a Light tenha a dignidade de atender seus clientes.
Fico feliz de ver que a iniciativa privada esteja investindo na área, mas não há nenhum investimento por parte do poder público para abrigar tais iniciativas. No final do mês, moradores do condomínio Cores da Lapa irão se mudar para lá. Vejo com bons olhos essa renovação da população mas o caos da área só vai aumentar. O que irá acontecer quando todas essas pessoas derem descargas em seus banheiros? O que irá acontecer com o trânsito da área que já é caótico sem eles, imagine com eles? Onde essas pessoas vão consumir, pois só há três supermercados fedorentos na região?
E a população de rua que vive por essas áreas, em sua grande maioria pacientes psiquiátricos que dormem e defecam ao ar livre? Meninos de rua que aterrorizam a Rua Gomes Freire furtando e brigando. O caos da Lapa nos finais de semana com carros estacionados por todas as calçadas, flanelinhas, ladrõezinhos, pedintes, ambulantes, crianças vendendo de tudo e mais um pouco (que vem naturalmente de vans de todas as áreas carentes do Rio capitaneadas por adultos exploradores), bebados, brigões e mijões? Não há banheiros públicos e a quantidade de banheiros nos bares é inversamente proporcional a quantidade de cerveja consumida em uma noite. Não adianta jogar o problema dos banheiros para os bares porque eles simplesmente não dão vazão a imensa população que se desloca para a Lapa nesses dias. Existe uma imensa necessidade de banheiros. Não adianta coibir os ambulantes pois eles suprem uma necessidade, tem que sim regulamentar para se controlar a procedência e qualidade dos produtos oferecidos.
Há uma tremenda desvalorização das áreas verdes e públicas da região. Temos nessa área espaços públicos maravilhosos como o Aterro do Flamengo, Passeio Público, Campo de Santana e Praça Paris que infelizmente estão em estado de semi-penúria por falta de controle e vontade. Seu uso não é estimulado. Essas áreas são evitadas pelo cidadão comum pois apesar de estarem aparentemente cuidadas, não são convidativas para uso. Muitas vezes são usadas como banheiro público, dormitório e para não dizer, “pegação”. Por que não criar quiosques como os da orla de Copacabana para estimular o uso dessa áreas e atrair um público diversificado? No Parque do Flamengo há somente barraquinhas com isopores e churrasquinhos, mesmo depois do choque de ordem realizado (nada contra isopores e churrasquinhos, mas a oferta é pouca assim como a higiene) e nos outros 3 parques não há absolutamente nada em termos de serviços. Poderíamos seguir o exemplo europeu e usar nossos parques e praças para passear com a família, amigos e animais de estimação - criar áreas cercadas para que cães possam socializar como é feitos em parques na Europa e Estados Unidos-, poder pegar um solzinho, fazer um piquenique ou consumir um café com um sanduíche em um quiosque bonitinho com mesinhas de ferro (fora mesinhas de plástico de marcas de cerveja!), como é o caso de vários parques em Paris, Amsterdam, Berlim etc? A oferta de espaços verdes no centro da cidade já é ínfimo e os que temos não são valorizados. Não seria maravilhoso para as pessoas que trabalham no Centro, poder almoçar ou tomar um cafezinho sob as sombras das árvores do Passeio Público e/ou do Campo de Santana? E por que não abrir todos os portões de acesso ao Passeio Público, do Campo de Santana e Praça Paris?
Enquanto isso, os preços dos imóveis e aluguéis sobem estratosfericamente, o que é uma maluquice pois a infraestrutura da área é muito precária.
Se a prefeitura não tomar uma atitude urgente, o bicho vai pegar, pois quando o pessoal do Cores da Lapa se mudar pra cá, a barbárie virará realidade.
*Giselle Macedo é aspirante a candidata a vereadora na próxima eleição municipal
3 comentários para “Sobre Fátima”
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13 de maio de 2009 às 15:03
Giselle,
te dou todo o meu apoio e como trabalhadora da região também sofro do mesmo desgosto e faço suas as minhas palavras!!!
Alguém tem que tomar uma providência urgente!!!
13 de maio de 2009 às 19:49
Você tem meu voto!
14 de maio de 2009 às 9:13
Eu fui morador da rua Montes Alegres por pouco tempo mas deu pra conferir a realidade lamentavel tao bem descrita neste artigo. Isto requer de açoes inmediatas por parte do poder público.
Nao faz falta creatividade para entender como melhorar a situaçao, simplesmente falta vontade.