27 de julho de 2009
Seqüestro falso, descaso verdadeiro
BLOG, Chamando na chincha
Por Luiz Bello
Tenho, pelo menos, seis ou sete amigos que foram alvo desse golpe fajuto, via telefone celular. O leitor, provavelmente, deve conhecer outros tantos. As pessoas já estão até levando na brincadeira, mas o assunto fica sério quando um idoso atende o telefonema e, coincidentemente, o suposto seqüestrado se encontra momentaneamente fora de contato. Foi o que ocorreu com uma jornalista amiga nossa. Seus pais, ambos com mais de 70 anos de idade, receberam o telefonema dos falsos “seqüestradores” na manhã do último domingo, mas somente conseguiram confirmar que filha e netos estavam a salvo no meio da tarde, depois de muitas lágrimas e sofrimento. Nossa queridíssima amiga se encontrava bem, mas passava o fim de semana em um local onde seus dois celulares não funcionavam.
Dizem que a maioria desses golpistas já está nas prisões. Usam pessoas sem importância, aqui fora, para recolher o dinheiro dos eventuais incautos que acreditam nas ameaças e acabam por atender suas exigências. Outra amiga minha teve o sangue frio – e a paciência – de ir até a uma delegacia enquanto mantinha contato com os “seqüestradores”. Foi bem atendida, por sinal. Uma policial disfarçada assumiu seu lugar ao telefone e marcou encontro com os bandidos. Acabaram prendendo um casal de pés de chinelo. Em seguida, confirmaram que os mandantes do golpe estavam num presídio carioca.
Cabe perguntar: porque é tão fácil falar ao celular de dentro de um presídio? Por que as autoridades não conseguem controlar o cotidiano de bandidos perigosíssimos, condenados pela Justiça, sob a custódia do Estado? E por que as operadoras não assumem nenhuma responsabilidade sobre os crimes que bandidos confinados praticam através dos celulares? Por trás da suposta modernidade de nossa telefonia pós-privatização estão tarifas exorbitantes, atendimento péssimo aos usuários, falhas de cobertura e panes cada vez mais freqüentes. Mas nem vou falar mal da privatização, porque o Estado, que deveria fiscalizar tudo isso, é omisso. Agências reguladoras e ministérios estão na mão de “políticos da base aliada”, que nada entendem do assunto e só querem saber de dar emprego a seus cabos eleitorais e arrumar negócios para empreiteiros patrocinadores.
Aliás, se o Estado não consegue controlar nem a corrupção dentro do seu próprio sistema penal, o que o Estado controla, afinal? Mas o que cabe mesmo, pelo menos aos olhos de um leigo meio puto da vida com essa estória toda é: processar. Por que não meter Estado, Anatel, operadoras, Desipe e quem mais vier na Justiça? É preciso começar a incomodar os “responsáveis”, porque enquanto for fácil e barato fechar os olhos para essa tragicomédia subdesenvolvida, eles não vão se coçar.
Deixe um comentário
- Pinguela aérea
- Pobreza
- Monedas y caudillos
- Chuva de votos
- A fuga das baratas
- Sexo e drogas dos 13 aos 15, segundo o IBGE
- O panetone não é do Lula
- A estratégia de Goebbels
- Meus amigos da Oban
- Donos da praia
- E isto porque tenho Personalidade
- Pobre Boechat…
- Barrados no banco
- Sossego pro D2
- O futuro do jornalismo
- Chamem os tanques!
- Barbadas da cocheira
- Segurança Nacional
- E não é…
- Pelos direitos dos ouvintes passivos!
- Tremenda Fria
- Tiro pela culatra
- Amigos
- Acrobatas
- Mal necessário é um aprendizado
- A república dos flanelinhas
- Fora, Tomé de Souza!
- Os inocentes
- Seqüestro falso, descaso verdadeiro
- Marli & eu
- Mundoido-sô
- Na rua
- Mainardi: modo de fazer
- A verdade é mera conveniência
- Rotos
- Quem matou o Comissário Peixoto?
- Perdão
- Curió abre o bico no Estadão
- Os çábios
- Jornalismo de exceção
- Fale com o David
- Lula III e CPI 171
- Ronaldo 1 x 0 Obina
- Sobre Fátima
- Adriano e o romarismo
- Um novo papel para o FMI ou apenas mais do mesmo?
- O tango acabou
- Escola Charles Tatum de jornalismo
- Deixem o Imperador viver
- Fácil
- 1929 ?
- Como nos velhos tempos, ou “categóricos” torturadores
- Heavy roubada
- Papai não deixa
- It’s the end
- Fuck off Madoff
- Cabeças de vento
- Saudosa Fogueira
- Duas perguntas
- Com ou sem emoção?
- Cerveja na testa
- Que delícia de crise
- Se fosse qualquer um…
- O bloco dos tatus muquiranas
- Cabelos
- Eu jurei que não falaria sobre isso
- Recessivo é demitir
- Conar inglês vai decidir sobre a existência de Deus
- Abortaram o jornalismo
- Mãe judia
- As últimas do Febeapá 2008
- A Leila do Flamengo não foi reeleita
- Mais Febeapá 2008
- Dada a largada para o Febeapá 2008
- Roda de amigos
- O caos anda sobre rodas
- Mais do não mesmo
- Eu quero participar é do lucro!
- Barack Obama e a Incrível Máquina de Ilusões do Capitalismo Global ou Como o Marketing Social nos faz sonhar
- A vanguarda do atraso…
- Por que não querem saber da opinião dos jovens?
- Mais uma eleição…
- Ninguém quer saber da Zona Oeste
- Tê, tê, tê, têtêretê!
- Que Deus te dê em dobro do que deste para a cidade
- Especial Santa Teresa
- S.O.S. Baía
- Parabéns, soteropolitanos,
- Mala de Barro










