4 de julho de 2009
Rotos
BLOG, Chamando na chincha
Por Luiz Bello
É de rolar de rir a gana repentina com que se está atacando o atual presidente do Senado, José Ribamar Sarney. Todos os que hoje o criticam já foram seus aliados e lhe devem favores. Ex-presidente da Arena e do PDS, e fundador do PFL (antigos partidos ligados à ditadura militar), o pai de Roseana, Zequinha e Fernando não é nenhum inocente. Trata-se do mais antigo parlamentar em atividade no país. Presidiu o Senado três vezes, duas das quais durante os governos de FHC, de quem já foi aliado e recebeu apoio. O Maranhão, hoje governado por sua filha, é dominado pela família desde os anos 60, e o próprio Sarney vem sendo reeleito senador pelo Amapá há 19 anos! Isso sem mencionar a Presidência da República, que lhe caiu no colo, em 21 de abril de 1985, com a morte de Tancredo Neves.
Mas os escândalos envolvendo verbas e nomeações secretas no Senado não serão magicamente extintos com a saída de Sarney da sua presidência. Talvez já não seja mais o caso de se perguntar quem é “o culpado”, mas se ainda há inocentes entre parlamentares que recebem milhões em verbas extraordinárias e só trabalham três dias por semana, num órgão que abriga mais de cem funcionários para cada Senador eleito.
Os empregos e privilégios para as filhas de FHs, Sarneys e Gabeiras são mais que a ponta de um iceberg: são a prova de que a mentalidade oligárquica se entranhou na cabeça de nossos nobres representantes, inclusive os de esquerda. Ricos e bem relacionados, a maioria deles sequer precisaria recorrer ao dinheiro público para conseguir empregos ou passagens, mas acham que tais mordomias são seu direito natural. Cacoetes de classe, facilmente assimilados, inclusive, por alguns ex-marxistas.
O DEM de Rodrigo Maia e ACM Neto pede, hoje, a saída do homem que fundou esta “nobre” legenda, juntamente com o ACM original e o Marco Maciel. O PSDB de Serra e Marcello Alencar pede, hoje, a cabeça do parlamentar que deu sustentação política aos dois mandatos do Fernando Henrique, e à manobra que permitiu sua reeleição. Aliás, foram esses caras que, em 2005, só de sacanagem, puseram o Severino Cavalcanti na presidência da Câmara dos Deputados, com a ajuda de alguns aloprados do PT.
Como diria Michael Jackson, they don’t care about us. Se estão querendo a saída do Sarney, é apenas para tentar desestabilizar a base parlamentar do governo Lula e enfraquecer a candidatura de Dilma, que também seria apoiada pelo PMDB do migrante Ribamar. Diante da popularidade d’O Cara e com economia dando sinais de que não estava tão mal assim, não restou muito para a oposição: ou provocam uma crise agora, ou suas chances na próxima eleição ficarão cada vez menores… Mas será que toda essa mesquinharia irá ajudar ao José Serra?
Um comentário para “Rotos”
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24 de julho de 2009 às 10:57
Bom achei interessante esse post, comecei a ler isso com mtuiro atrazo, pois só conheci o site agora, e por causa do futebol (mania do brasileiro), então estou lendo do fim para o começo, e este é o primeiro artigo que vou comentar. Sou considerado o “futuro do pais” tenho 22 anos, sempre morei em SP, mas tenho parentes no Rio, Minas , Mato Grosso do Sul e vejo que a minha geração é conciente, mas desmotivada em relação a política. Em minha cidade(Barueri | SP) ocorre o mesmo que vc descreveu no âmbito nacional. O Prefeito daqui conta com a verba de Alphaville e por isso não pagamos IPTU, temos bons hospitais, boas escolas (le Instituto Tecnológico de Barueri), lazer pois temos teatro, parque, ginásios etc. O que a população poderia reclamar? nada. Mas isso me preocupa, pois nosso prefeito sr Rubens Furlan era um taxista e na última eleição declarou 1 milhão de reais. Me pergunto como ele conseguiu isso. E só seus alidados são eleitos, a mais de décadas no poder. Isso é nada perto do Brasil, mas como posso me preucupar com o senado se o problema começa no meu município?