19 de maio de 2009
Ronaldo 1 x 0 Obina
BLOG, Chamando na chincha, O mundo lá fora
Por Luiz Bello
Quase não se falou da entrevista que nosso ministro do Trabalho, Carlos Lupi, deu à revista “IstoÉ”, fazendo considerações sobre a suposta melhora nos indicadores de emprego e, de quebra, tentando desqualificar economistas e estatísticos. Mas repercutiu bastante o comentário do presidente do Banco Central, agora a pouco, sobre o mesmo tema. Não sei se foi um desmentido, um puxão de orelha ou uma coincidência. Mas, considerando que Henrique Meirelles, até meses atrás, não era uma figura muito loquaz - como convém, aliás, a um presidente de banco central -, a declaração veio em boa hora, e ganhou a manchete principal do Globo On Line.
Lupi se disse otimista com o mercado de trabalho do país, pelo fato de os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), em abril, terem apontado um saldo positivo de pouco mais de cem mil novos postos de trabalho com carteira assinada. Ignorando os 600 mil postos que perdemos no final de 2008, segundo o mesmo Caged, o ministro ainda “previu” que o PIB brasileiro crescerá 2,5% este ano e vaticinou: “O IBGE só divulga coisa ruim. O IBGE e os economistas”.
À tarde, o presidente do Banco Central disse que nosso mercado de trabalho retrocedeu dois anos, ressaltando que não estava fazendo uma análise pessimista. Segundo ele, existem países que recuaram ainda mais por causa da crise, e estão com desemprego “comparável às décadas de 40 e 60”.
Bravatas não elevam o PIB, nem fazem bem à credibilidade de ninguém, como já sabem nossos vizinhos argentinos. E, para quem queria passar uma mensagem otimista, o ministro Lupi acabou fazendo gol contra, pois os dados que o IBGE tem divulgado nem são tão pessimistas assim: o desemprego medido pela pesquisa mensal do instituto ainda está em 9% (já esteve na casa dos 13%, entre 2002 e 2004) e a queda de 0,6% no emprego industrial (detectada por outra pesquisa mensal do mesmo IBGE) é, praticamente, uma estabilidade.
Enquanto isso, Meirelles bota a bola no chão e avisa que, embora não estejamos tão mal quanto muitos países, poderemos ter alguma piora antes de melhorarmos, especialmente no segundo semestre. Não sei quem vai acertar nas previsões, mas acho que já dá para notar a diferença de categoria entre o futebol do banqueiro e a correria do sindicalista.
Acontece que eu sou Flamengo e já cansei de ver neguinho posando de atacante só porque está “do lado dos trabalhadores”. Quem não consegue acertar o gol, mesmo chutando da pequena área, deveria ficar bem longe do Maracanã.
Um comentário para “Ronaldo 1 x 0 Obina”
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20 de maio de 2009 às 14:24
Se sobe ou se desce, se vai melhorar ou não, esse texto aqui critica o PIB como única medida de crescimento: http://www.rts.org.br/artigos/artigos_-_2008/o-debate-sobre-o-pib-estamos-fazendo-a-conta-errada