31 de agosto de 2009
Retroceder nunca, render-se jamais
Arnaldo Branco
Nunca entendi porque chamam a imprensa de quarto poder, já que ela é totalmente dependente dos anunciantes. A ordem certa devia ser: Executivo, Legislativo, Judiciário, Casa & Vídeo e Imprensa.
Mas também não sou dos que acham que os grandes jornais ficaram obsoletos com a internet. Qual é o blogueiro que está cobrindo a guerra entre a máfia dos caça-níqueis?
Agora, alguma coisa da postura desses veículos deve ser repensada. Principalmente em relação ao jeito como lidam com a própria incompetência. Vamos ver o que aconteceu semana passada.
A Época caiu em uma mentirinha da banda Móveis Coloniais de Acaju sobre o porquê desse nome esquisito. Bandas de rock bolando mitos de origem não são novidade: os Beatles teriam sido batizados por um sujeito pilotando uma torta flamejante que apareceu em um sonho do John Lennon e o Bob Dylan enganou todo mundo sobre ser órfão até ser desmentido por papai e mamãe Zimmermann, compreensivelmente magoados.
Mas a revista deve achar que só autoridades têm o direito de enganá-la e comprou a versão de um episódio fake chamado “Revolta do Acaju” que nenhuma enciclopédia havia registrado antes. Até aí tudo bem, também sou partidário da preguiça e do desconhecimento de eventos históricos de importância regional e relativa.
O problema é que, ferida menos em sua credibilidade do que no seu orgulho (um alvo bem maior), a Época contra-atacou com essa grotesca errata ressentida em tom de jornalismo investigativo. Os índios Javaés vão curtir saber que têm uma grande publicação zelando por sua História.
Troféu Gay Talese do Mundo Bizarro para André Fontenelle e Livia Deodato. É o jornalismo Van Damme, que nunca dá o braço a torcer.
19 comentários para “Retroceder nunca, render-se jamais”
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31 de agosto de 2009 às 16:06
[...] não é só na editoria de política, não, na de cultura também - e o Arnaldo Branco fala em sua coluna desta semana sobre o última da “Época” - que quase conseguiu superar esta obra-prima da [...]
31 de agosto de 2009 às 17:40
é, pode-se dizer que esse episódio aí criou o gênero: errata de época.
aliás, Arnaldo…porque será que os violadores do sigilo do caseiro Francenildo procuraram a Época?
#fail
31 de agosto de 2009 às 17:52
Realmente foi uma coisa de “mexeu com quem não devia”. A Época com o poder de formadora de opinião que tem (tá, não chega a ser o quarto poder Arnaldo, mas ainda assim, poder, né?) pra massacrar uns caras que só pregaram uma peça. Ouso dizer que até desafiaram o meio a investigarem o caso. Bobos eles, que acreditaram sem antes pesquisar.
Claro, tem que sair bonito na foto. Feldade não existe.
31 de agosto de 2009 às 18:01
Mas nem massacraram não, os caras dos Móveis tão rindo à toa: http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/blog/944
31 de agosto de 2009 às 19:09
Pra mim o melhor trecho da errata investigativa é: “O trote da banda Móveis Coloniais de Acaju é desrespeitoso com os índios javaés…”.
Com certeza os indios se ofenderam bastante com a brincadeira… .
E fico imaginando que pra escrever uma errata desse tamanho, naquele dia o Fontenele deve ter saído mais tarde do trampo.
31 de agosto de 2009 às 20:23
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » Retroceder nunca, render-se jamais http://www.revistazepereira.com.br/retroceder-nunca-render-se-jamais – view page – cached Nunca entendi porque chamam a imprensa de quarto poder, já que ela é totalmente dependente dos anunciantes. A ordem certa devia ser: Executivo, Legislativo, Judiciário, Casa & Vídeo e Imprensa. — From the page [...]
1 de setembro de 2009 às 18:36
O que jornalistas têm em comum com advogados: Quando alguém quer controlá-los, invocam a liberdade de imprensa ou a constituição. Têm a ética elástica, mas também jamais admitem.
1 de setembro de 2009 às 20:13
[...] Minha coluna Mal Necessário para a Zé Pereira: Retroceder nunca, render-se jamais. [...]
2 de setembro de 2009 às 9:21
e quando a “isto é” publicou uma matéria fictícia dum blogue de… notícias fictícias do mundo das sem-cerebridades?
http://fazendoamendiga.blogspot.com/2007/09/fergie-dar-aula-de-moda-para-meninas.html
2 de setembro de 2009 às 9:38
putz é por essas e outras que eu acho que o r. ceni tava certo. se se revoltassem com as coisas certas esse seria um país diferente. os indianos não estão revoltados com a novela caricata da globo?
2 de setembro de 2009 às 12:09
Quando é bicheira a gente fala, mas quando é bom… também.
Neguinho hoje em dia é tudo doído…
2 de setembro de 2009 às 13:46
Quando o Sarney fala que é inocente e depois se prova o contrário, ninguém emite errata.
2 de setembro de 2009 às 17:39
Todo es mentira en este mundo…Todo es mentira la verdad
2 de setembro de 2009 às 17:56
Pois é,
o que ocorre é que esse povo aí da ÉPOCA descobriu q a dádiva da apuração online pode ser uma faca de dois gumes. POR ISSO A RAIVINHA.
EASY COME, EASY GO, rapeize!
p.s.: e ainda reclamam quando o diploma de jornalismo torna-se inutil no mercado de trabalho…
3 de setembro de 2009 às 11:11
O Tércio destacou “Pra mim o melhor trecho da errata investigativa é: “O trote da banda Móveis Coloniais de Acaju é desrespeitoso com os índios javaés…”.”
Fiquei imaginando, com a referência feita pelo Arnaldo, “O trote da banda Beatles é desrespeitoso com as tortas flamejantes”.
merda, dá pra ver isso sendo publicado fácil, fácil…
3 de setembro de 2009 às 11:56
Liberdade de imprensa é igual aquele robozão do Jaspion: Só se invoca quando se está em perigo. é só aí que o jornalista se lembra da bendita liberdade de imprensa.
3 de setembro de 2009 às 20:29
Jornalista é um bicho engraçado. Ele tá lá, se metendo onde não foi chamado, e depois fica bravinho e posando de moralista quando é enganado.
4 de setembro de 2009 às 9:33
[...] como lidam com a própria incompetência. Vamos ver o que aconteceu semana passada. continua em revistazepereira.com.br :: Escrito por Cristiano Dias, dia 4 Sep 2009, 09:32, em Olha [...]
28 de setembro de 2009 às 14:51
[...] Esse texto do Arnaldo Branco também é sobre órgãos de imprensa que não dão o braço a torcer Comentários (8) [...]