3 de janeiro de 2009
Responda rapidamente: o seu time é grande?
BLOG, Ludopédio, Mengão
Por Humberto Teixeira Junior
Em 1987, numa tentativa de organização e moralização do futebol brasileiro, foi criado o Clube dos Treze, que logo passou a ter 16 integrantes, mostrando de cara que neste país havia mais do que 13 times chamados grandes. Mas como estão hoje essas equipes? Onde está o Bahia, campeão Brasileiro de 1988? Quem saberia responder há quantos anos não pisa no gramado do Maracanã? O fato é que o campeonato de pontos corridos provocou grande mudança no cenário nacional. Muito time médio passou a jogar de igual para igual, e antigos campeões conheceram o gosto amargo do rebaixamento. (continua aqui)
Mas nem tudo são espinhos. Alguns entenderam o conceito, e já reservaram lugar de grande nesta nova era. Nesse aspecto, o São Paulo sai na frente: tem uma estrutura invejável, estádio para 60 mil pessoas, o departamento de futebol atua com autonomia em relação ao clube. Vende bem, em euros, jogadores feitos em casa ou comprados a preço de banana de outros clubes brasileiros. Realza fenômenos, como valorizar o zagueiro Breno e passá-lo um ano antes por valor próximo ao que o Fluminense conseguiu recentemente pelo excelente Thiago Silva. Tem treinador de ponta e consegue mantê-lo por quatro anos, independentemente de o mesmo ser o inimigo número um da imprensa esportiva. Conta com o apoio da poderosa Federação Paulista, que durante toda esta década influenciou fortemente na CBF e na comissão de arbitragem. Afinal, desde que futebol existe, árbitro sempre apitou a favor de time grande. Não bastasse tudo isso, numa jogada de craque, seu departamento de marketing está diretamente ligado à Afrika, uma das expoentes no merchandise no Brasil. Como onde há alguém competente, sempre tem vindo um a reboque: o Palmeiras já fala numa nova arena e o desorganizado Corinthians, apoiado na força que o Estado de São Paulo representa, procura se levantar da crise. Logo, os três paulistanos estão buscando espaço na nova ordem.
O Sul também dá sinais de vida. Claramente, as maiores revelações do futebol Brasileiro nos últimos dez anos surgiram em gramados dos pampas. O Inter tem um belo estádio e a camisa encarnada, que foi envergada por Carpegianni, Figueroa e Falcão, hoje vai a campo com Nilmar, Alex e D’Alessandro, três dos melhores jogadores em atividade no país. O esquema de sócio-torcedor, onde em troca de uma mensalidade o torcedor garante seu ingresso, funciona muito bem e garante a receita. Entenda-se que o sócio-torcedor não é sequer sócio do clube, freqüentador de piscina etc. Ou seja, novamente é o futebol se desvinculando da administração do clube. Apesar disso, o Inter tem uma questão a resolver: hoje, ainda é um clube regional, sem uma torcida a nível nacional. Isso já não é problema para seu rival. O fato é que a raça de jogadores como De Leon e Renato, e o posteriormente o time montado por Felipão, que desafiou rivais como Flamengo, Palmeiras e Corinthians, garantiu ao Grêmio Portoalegrense uma fatia da torcida brasileira. Hoje, o Grêmio joga suas fichas na possível construção de um novo estádio, que disputará com o Beira-Rio o direito a ser sede da Copa de 2014. Se ganhar o páreo, o Tricolor Gaúcho entra de vez nos grandes da nova era.
Minas está bem representada pelo Cruzeiro. O time azul tem dinheiro, estrutura, e consistentemente chega entre os primeiros no campeonato. Pontos corridos e vaga na Libertadores mudam o conceito passado, dos estaduais, de que só vale se for campeão. Agora, o importante é estar todo ano entre os primeiros. Quanto ao tradicional Atlético Mineiro, parece fadado a ser o ex-grande. Na atual fase, só resta a sofrida e apaixonada torcida, mas será que ela resistirá ao chororô do Bebeto de Freitas? Quem viver, verá… por hora, melhor comer um pão de queijo e tomar uma pinga, porque ninguém merece.
Mas, atrás mesmo, está o Rio de Janeiro. Quem continuará a ser grande por aqui? A insossa federação cada dia mais orfã da época em que Otávio Pinto Guimarães dava as cartas no futebol brasileiro. O Vasco é terra arrasada pelo o Cartola do Mal, se é que existe algum do Bem. Hoje, está livre do Eurico, porém, com dirigentes que beiram a ingenuidade, sendo esnobados pelo “craque” Jaíton e contratando Leo Lima como solução. O Flu é um balcão de negócios. Há três anos monta e desmonta times, a bel prazer do patrocinador. O dia que a Unimed se for, a banca quebra. Não tem estádio. Quer o consórcio
no Maracanã, mas não percebe que lá só não é campo neutro se o estiver lotado. E para a torcida tricolor lotar Maracanã, só com time muito bom, o que não é o atual caso. Parece que o Flu jogou sua grande chance fora, nos pênaltis, contra a LDU. Ao perder a decisão, também desperdiçou a oportunidade de avançar definitivamente para a nova era.
Apesar de todas as dificuldades financeiras, a melhor aposta do Rio ainda é o Fla. Para tal, é necessário separar o futebol da falida administração do clube. Parar de brigar em vão com a CBF, pois não há retorno prático para os devaneios revolucionários do Márcio Braga. Cumprir contratos com patrocinadores até o final, evitando que a marca caía em descrédito. Vender jogadores na hora certa e por preço justo. Conseguir parceria para ter estádio, um alçapão onde as bandeirinhas vindas de Rondônia não decidam jogos, anulando gols legais, vide Fla x Vitória em 2008. E principalmente, ganhar força no departamento de marketing, seguindo o exemplo do São Paulo. Nos programas de Futebol nas rádios Paulistas é comum ouvir referência aos gigantes do futebol brasileiro. Segundo eles, o gigantes são Palmeiras, São Paulo, Corinthians e o FLAMENGO. Ou seja, nem os inimigos podem ignorar a força da torcida rubro-negra. Mas temos sempre que lembrar que apenas um quinto dessa massa, reside no Estado do Rio de Janeiro. Logo, na nova ordem, para manter uma torcida a nível nacional, é preciso ganhar fora do Rio. Estadual não basta mais. Copa do Brasil alivia, mas não resolve. Tem que encarar os pontos corridos, aprender a jogá-los, e voltar a dominar o cenário nacional!











5 de janeiro de 2009 às 16:47
muito boa a coluna. Analise com isenção.
5 de janeiro de 2009 às 18:44
Bom artigo, desfecho já preparando uma segunda publicação… Te cuida Renato Maurício Prado
6 de janeiro de 2009 às 14:10
Betao, excelente matéria, anos de gramado. Já pode se candidatar ao Bem Amigo no lugar do mala do Galvao. abracos
6 de janeiro de 2009 às 14:23
Betão, belo texto. Parabéns!
Eu já penso que esse modelo aí existente hoje vai nos levar a uma situação idêntica à Europa. Dois ou três times dividindo o título, isso se não virarmos uma França, com o São Paulo se tornando o nosso Lyon.
Nosso país é muito grande e não pode viver só de 2 ou 3 clubes grandes.
Nosso futebol está na várzea, nossos grandes jogadores foram formados lá e para isso precisamos ter os clubes dito pequenos fortalecidos, mas infelizmente esse modelo atual vai matar um a um esses clubes. E vai atingir clubes outrora grandes também, pode escrever aí.
Tanto é que o nível de formação de jogadores hoje é horroroso e só vemos a “produção em massa” de jogadores tipicamente voltados para o comércio com o mercado europeu.
Grande abraço
Rico
6 de janeiro de 2009 às 14:26
Grande BetoJr!!!!
Apesar do fanatismo rubro-negro, a matéria este muito boa!!!
Parabéns!!!
6 de janeiro de 2009 às 22:29
Não se pode confundir torcida grande com a grandeza de um time. Grandes times já foram rebaixados ou ficaram próximo. Títulos nacionais e a projeção internacional é o que importa. Faz tempo que times do Rio de Janeiro não ganham nada. Até o menguinho se apaga diante da organização dos clubes de outras regiões do Brasil.
Boa matéria!
7 de janeiro de 2009 às 8:24
Excelente o artigo, parabéns!!!
Aproveito para responder de maneira bem clara a pergunta título: o meu Mengão não só é grande, como é o maior!!!
Apesar do futebol do Rio viver um momento sinistro, nossa entidade suprema saberá contornar essa conjuntura desfavorável para voltar ao seu lugar de direito - o topo. O Mengão ser o maior é algo que não depende de coisas como estrutura, marketing, resultados momentâneos, etc. É algo definido em um plano superior, é a luz que timinhos que vivem na caverna de Platão jamais verão…
Abraços!
10 de janeiro de 2009 às 9:07
Beto,
mandou bem !! Como vc sabe tenho um certo apreço pelo Flamengo e entendo a expectativa pelo retorno aos bons tempos da era Zico. Mas infelizmente não vejo como com esta geração de dirigentes encabeçada por Márcio Braga, Kléber Leite e companhia. Aliás, o maior problema dos clubes cariocas está justamente nos chamados dirigentes. Veja o caso da nau vascaína !! Mudamos de Eurico Ali Babá e seus quarenta ladrões para Bob Dinamite e seus quarenta trapalhões !!!
Só nos resta rezar para que São Sebastião tenha piedade desta nossa cidade e mande um raio na cabeça destes dirigentes.
Um grande abraço,
Serra
10 de janeiro de 2009 às 10:06
Beto, vc tem razão. É impressionante a perda de prestígio dos times cariocas Brasil afora. Viajo muito e cada vez mais vejo a molecada usando camisa do São Paulo, Palmeiras, Grêmio, etc… Estive outro dia em Santa Catarina, aonde sempre predominou a força dos times do Rio, principalmente Vasco e Flamengo. Estava conversando com um senhor, vascaíno, que lembrava que no tempo em que era piá (garoto na língua gaúcha) ele ouvia pelo rádio, com o pai, os jogos do Rio. Eram os tempos da transmissão em ondas curtas e ele me disse que o pai ficava andando pelo quintal com o rádio no ombro procurando as tais ondas que, talvez por serem muito curtas, sumiam e demoravam a voltar. Ele sabe os times do Rio do final da década de 50 e início da de 60 de cor. Tem como grande ídolo da época o Coronel, grande lateral esquerdo vascaíno, que formou uma zaga para deixar babando de saudades qualquer vascaíno que se preze e tenha assistido a vergonha do ano passado: Paulinho de Almeida, Bellini, Orlando Peçanha e Coronel. Todos seus amigos de infância torciam por um time do Rio. Me falou com tristeza que seus dois filhos, de 14 e 16 anos, torcem pelo São Paulo. E a maioria dos colegas dos filhos também torcem por times de São Paulo ou do RS. Estamos assistindo o declínio do prestígio do futebol carioca Brasil afora mas o que importa é que o Bangu conseguiu de forma “brilhante” o retorno à elite do futebol carioca. O resto é conversa para boi dormir !! O problema é que enquanto dormimos o boi e vaca estão indo para o brejo !!
Um grande abraço,
Serra
16 de julho de 2009 às 9:52
Texto medíocre e visão limitada!!! tenta fazer melhor!!!