20 de janeiro de 2009
Recessivo é demitir
BLOG, Chamando na chincha, O mundo lá fora
Por Luiz Bello
Recomeçou o uivo dos lobos. É engraçado ouvir empresários defenderem, de novo, uma revisão da legislação trabalhista. Enquanto férias coletivas e pés na bunda (aos milhares) vão chegando às manchetes, essa gente começa a chorar por mais liberdade – para demitir, sem ônus.
Também é engraçado ver o ministro Luppi (Garou?) ameaçar mostrar a lista dos empresários que recebem dinheiro dos trabalhadores (via fundos de amparo saídos dos tributos trabalhistas), mas não têm pudores para demiti-los. Poderia, na mesma deixa, mostrar a lista dos políticos da base aliada que receberam dinheiro desses mesmos empresários para suas campanhas.
Mas o ministro tem razão: quem financia o empresário é, em grande parte, o trabalhador. E não somente com dinheiro público, mas também com a ajuda da Justiça do Trabalho. A maioria das empresas já se acostumou a jogar com as brechas do fisco (para sonegar), com a brandura da fiscalização (para não recolher tributos) e com a morosidade dos processos trabalhistas (para demitir agora e só pagar parte da dívida trabalhista décadas depois). Por que a gente não revê isso?
Recessivo, mesmo, é demitir. A economia brasileira cresceu, nos últimos anos, devido à melhoria de renda da população mais pobre e à relativa facilidade de crédito, apesar dos juros. Ou seja, a coisa andou, em grande parte, devido ao aumento do consumo interno. Serão as demissões, muito mais do que os juros ou os custos trabalhistas, que irão quebrar esse ciclo virtuoso.
Direto trabalhista só é bom quando não se precisa dele? Justamente agora, quando o fantasma das demissões dá um alô, é que o empresariado quer deixar os trabalhadores sem sua tênue proteção? Assim, o cara vai pra rua catar emprego sem qualquer recurso alternativo para se manter, ainda que por alguns meses. Devem os demitidos ser imediatamente alijados do consumo, que fica cada vez mais retraído, provocando mais demissões? Ótima idéia para combater a crise.
Se é para rever alguma coisa, que tal as falências? Muitos empresários passam anos sonegando INSS, FGTS etc. para serem perdoados quando escancaram a bancarrota. Suas dívidas somente incidem sobre uma abstração contábil denominada “massa falida”. Você conhece algum grande empresário que tenha ficado pobre depois de falir? As exceções chegam a virar pauta, de tão curiosas. Ah… os Cacciola, os Kapeller, os Canhedo, os Magalhães Pinto, os Calmon, os Mansur, os Lutfalla, por que a gente não organiza um show para ajudá-los a pagar suas dívidas junto à Previdência, à CEF, ao BB e ao BNDES?
Deixe um comentário
- É tudo verdade
- Sobre as discussões de armamento nuclear
- Pobreza
- Rateando
- O senhor da Guerra do Vietnã
- Lula III e CPI 171
- A esperança de óculos
- Ronaldo 1 x 0 Obina
- Cochilo
- O tango acabou
- Fácil
- 1929 ?
- O cara
- Como nos velhos tempos, ou “categóricos” torturadores
- Papai não deixa
- Fuck off Madoff
- Saudosa Fogueira
- Duas perguntas
- Cabelos
- Recessivo é demitir
- Conar inglês vai decidir sobre a existência de Deus
- Bu!
- Mãe judia
- Crônicas marcianas
- Obama é melhor que o Eto’o?









