13 de maio de 2009
Por mares nunca dantes perscrutados
BLOG, Cinema
Por Eduardo Souza Lima
Naufrágios em Fernando de Noronha, o Carnaval de Olinda, Tom Jobim anos 70, uma história de amor e um minotauro à espreita, no fundo do mar - não espere o óbvio de um filme da Telephone Colorido. Estes elementos se misturam em “Jardim Atlântico”, primeiro longa-metragem de Jura Capela, sócio-fundador da mítica produtora pernambucana, de maravilhas como “Resgate cultural”. É uma produção 100% independente - pelo menos até aqui; parece que a Videofilmes pode entrar no projeto -, rodada com a cara e a coragem. No elenco estão Hermila Guedes, Fransergio Araújo, Mariano Mattos, Sylvia Padro, Ava Rocha (que ainda canta “Filha da ira”, o tema de abertura), Mariana de Moraes e Karina Buhr; William Cubits assina produção executiva; Pablo Baião, a fotografia; e Mario Henrique Duque, a direção de produção. Leia aqui o que o grande Jura tem a dizer por enquanto sobre o filme.
Por que encarar uma produção independente?
O único jeito de fazer! Só tenho uma direção! Acredito que edital no Brasil é uma mistura de um “certo talento”, lobby, loteria e amizade bairrista! A decisão em boas vezes cai na mão de pessoas sérias e, em outras, de quem tem um grande analfabetismo cinematográfico.
Participei da defesa oral da segunda edição do Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco, promovido pelo Governo do Estado, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). E gostaria de questionar alguns pontos: qual é a experiência necessária para se fazer parte de um júri que tem mas mãos o poder de distribuir R$ 4 milhões, lembrando que esta é uma premiação de muita importância para a produção cultural no estado de Pernambuco? Cabe lembrar ainda que este dinheiro tem sua origem nos bolsos de todos nós, cidadãos, que pagamos impostos em prol do desenvolvimento da terra pernambucana.
E pude observar o despreparo dos jurados selecionados. É necessário ter no corpo de jurados pessoas que atuem diretamente na produção de obras audiovisuais para cinema e TV; que seja um produtor, por saber realmente quais as etapas, equipe técnica e demais recursos que se fazem necessários para se realizar um filme; que seja um editor, que tenha a noção completa de todo o processo de montagem de um filme; que seja produtor executivo, que tenha ciência de quantificar quanto custa, em seu total, realizar um filme no Brasil, e, principalmente, que tenha experiência dos processos que envolvem a finalização de um filme; que seja um diretor, que saiba todos os passos que devem ser dados para a realização de uma obra cinematográfica, desde a sua concepção artística até sua distribuição; que seja um roteirista experiente, que tenha imprimido sua obra no cenário nacional cultural.
Acredito que críticos de cinema que não tenham publicado matérias relevantes não estejam aptos para julgar obras cinematográficas.
Fica também uma critica à segunda edição do Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco, que permitiu a participação na concorrência de pessoas vencedoras do prêmio no primeiro edital (realizado no ano passado), que ainda não prestaram contas de seus projetos. Foi possível observar na lista de vencedores várias pessoas que ainda não prestaram contas e nem finalizaram projetos contemplados no primeiro edital, o que é inaceitável. Cabe ressaltar que em todos os editais de fomento à cultura no Brasil, como os que são promovidos pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, só é permitido entrar com projetos concorrentes para nova seleção se projetos anteriores já estiverem concluídos e com as contas devidamente prestadas.
Onde vocês já filmaram?
Já filmamos no Carnaval de Olinda e em Fernando de Noronha! Amigos já disseram que este filme é de lugares impossíveis! Em Noronha, fomos a 20 metros de profundidade filmar no naufrágio grego do porto e queremos filmar agora na corveta que fica na Pedra da Sapata. Esta corveta, a V17, está a 60 metros de profundidade. Pretendemos filmar também em Petrópolis, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo.
O que é “Jardim Atlântico”?
É um projeto de longa-metragem em 35mm e 90 minutos. É poder falar sobre a idéia que o Brasil é “o jardim do Atlântico”, contracenar com historias de vários lugares do nosso intercontinental brasileiro. A Natureza! Toda a música de Tom Jobim dos anos 70! E, para mim, a oportunidade de estudar cinema! O filme narra o amor de dois jovens (Hermila Guedes e Fransergio Araújo), que se conhecem desde a infância, e que encontram outro casal com quem vão viver experiências afetivas! O filme narra cada momento de alegria e conflitos deste encontro.
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