22 de novembro de 2008
Poesia épica
BLOG, Cinema, Festival de Brasília 2008
Por Eduardo Souza Lima
A última passagem do diretor cearense Rosemberg Cariry (de “Corisco e Dadá”) pelo Festival de Brasília, em 2002, foi pouco memorável. Lembro-me apenas da cara de desespero do Zanin, que mediava o debate sobre “Lua Cambará - Nas escadarias do palácio”, porque ninguém fazia nenhuma pergunta - o Rosemberg que me perdoe, mas a única que me ocorreu naquele dia foi “como é que você me faz uma coisa dessas?”. A má impressão foi desfeita ontem à noite com “Siri-Ará”, que foi bem recebido pelo público presente ao Cine Brasília. Houve quem dissesse era o melhor filme do diretor. À saída do cinema, o cineasta Manfredo Caldas o chamou de “obra de maturidade do artista”.
Rosemberg, filósofo de formação, queria fazer um épico sobre o mito fundador de seu estado, a sangrenta expedição de Dom Pedro Coelho à região em 1603, mas faltou grana. Optou, então, por contar esta hitória usando da poesia, da alegoria e da cultura popular, encenando-a com o Reisado do Mestre Aldenir e a Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto no rochoso sertão de Quixadá e Quixeramobim - assista no vídeo acima à apresentação do filme. O personagem Cioran - um mestiço brasileiro que, depois de se exilar na França, volta ao Brasil para reencontrar suas raízes - faz os olhos do espectador. Confesso que não entendi muito bem a ligação entre a sua história e a de Dom Pedro Coelho e achei que os personagens estavam andando em círculos. Porém, a poesia de Rosemberg enquadrada pela fotografia de Pedro Urano rende belos momentos.
A dupla de curtas da noite foi a mais fraca até agora. O mineiro Marcos Pimentel, autor da obra-prima “O maior espetáculo da Terra”, um cineasta de observação, pouco diz com “A arquitetura do corpo”, entreatos de balé cujas imagens me pareceram um tanto aleatórias e despropositadas. “Brasília (título provisório)” é mais um exercício engraçadinho de metalinguagem - um subgênero do curta brasileiro. E J. Procópio, diretor da casa, causou um momento de pânico na platéia quando ameaçou apresentar toda a sua equipe, com direito a uma historinha para cada - sintam o drama na foto abaixo.
Hoje tem cinema brasiliense em dose dupla no festival: o curta “Ana Beatriz”, de Clarissa Cardoso, e o longa “Ñande Guarani (Nós Guarani)”, de André Luís da Cunha. O penetra é o curta paulista “Minami em Close-up”, de Thiago Mendonça.











24 de novembro de 2008 às 7:27
Inclusive você, meu brother, não fez nenhuma pergunta naquela ocasião, não é? Abraços, parabéns pelo blog e solidariedade peixeira no caso do roubo do Mengão. Nós sabemos o que é isso. abs.