28 de junho de 2009
Perdão
BLOG, Chamando na chincha, Dança, Música
Por Luiz Bello
Quando penso em Michael Jackson, me lembro daquele filme do Woody Allen, estrelado por Sean Penn, (Poucas e boas,1999) sobre o “segundo maior violonista de jazz do mundo”, uma comédia que adquiriu tons um pouco trágicos por causa da (boa) atuação do ex-marido de Madonna. A principal mensagem que o filme me deixou foi: grandes artistas também podem ser grandes filhos da puta. É claro que o inverso não é necessariamente verdadeiro, como mostra a personagem da foto acima, mas isso é outra estória.
Não dá para perdoar abuso infantil. De vítima, Michael passou a algoz, subornando meia dúzia de famílias para ter crianças passando uns tempos com ele, na Terra do Nunca… Talvez por isso tenha se livrado tão facilmente dos consequentes problemas com a Justiça. Da mesma forma que, despejando mais um pouco de dólares, arrumou quem lhe aplicasse demerol em domicílio.
O garoto negro que esbanjava talento foi perdendo a cor e a beleza, através de muitas plásticas e tratamentos suspeitíssimos, só acessíveis a quem tem dinheiro e loucura de sobra. Com sua morte, envolta nessa neurótica medicina de ricos, sobram dívidas e grana em litígio. Seus três filhos vão precisar de muita sorte.
Mas quando penso na minha juventude, é impossível não lembrar de suas singelas melodias e espetaculares performances em vídeo, recordes de audiência mundo afora. Ele foi, talvez, o mais bem sucedido empreendimento da indústria pop e está presente na memória afetiva de milhões, nos quatro cantos do planeta. Das muitas homenagens flagradas por celulares e CNNs, a que mais me impressionou é tão bizarra quanto o homenageado, e vinda de um monte de gente que também não foi perdoada. Vai em paz, Michael. Acerte suas contas com o Menino Jesus.
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