22 de dezembro de 2008
Parem de formar o público leitor
Por Arnaldo Branco
Essa não é mais uma coluna sobre analfabetismo funcional, embora o problema esteja contido no universo referencial do texto. Não é sobre gente que não entende o que lê, mas sobre gente que até entende, mas não processa.
O mais impressionante nessas correntes de email com textos de autoria trocada não é a desonestidade intelectual de quem atribui a outrem o trabalho de um determinado escritor - mas que sujeitos letrados realmente não percebam a assinatura falsa, por questão de estilo ou ridículo, e repassem.
Nenhuma dessas pessoas perde dois segundos para pensar se é costume do Luis Fernando Verissimo divagar sobre caganeiras, ou se existe a possibilidade do Mario Quintana ter feito uma crônica sobre abdômen sarado - nem só pelo tema insólito, mas porque “sarado” não era exatamente de uso corrente quando o poeta morreu.
Talvez a culpa seja dessa hipervalorização da figura do leitor. Todos esses programas visando formar um público interessado em livros estão produzindo material humano subqualificado: gente que acaba entendendo, de tanto martelarem, que é fundamental ler, mas que não percebe que pensar é essencial para o processo.
Quem viu a performance do Ricardo Macchi (Cigano Igor) na Casa dos Artistas 2 sabe como é angustiante assistir um indivíduo burro querendo passar por inteligente. Ele faz parte dessa imensa massa estúpida que continua mantendo sua agenda de idiota, só arrumando espaço para encaixar sua nova atividade, aham, inteligente: 9h, assistir Teletubbies; 14h, fazer hata yoga, 18h, ler; 21h etc etc.
O mercado gosta de inventar necessidades artificiais para vender soluções. A verdade: ler é desnecessário. Quer parecer inteligente, compre um cachimbo.
9 comentários para “Parem de formar o público leitor”
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22 de dezembro de 2008 às 15:31
[...] Arnaldo Branco já mandou ver. Veja aqui. E amanhã, o Henrique Koifman manda ver no Fotodiário [...]
24 de dezembro de 2008 às 15:40
[...] 3) Minha coluna para a Zé Pereira: Parem de formar o público leitor. [...]
24 de dezembro de 2008 às 19:11
Hahahah, deveras relevante o vídeo do KitH.
27 de dezembro de 2008 às 13:07
“Talvez a culpa seja dessa hipervalorização da figura do leitor”
Ué, mas eu sempre achei que você já escrevia coisa ruim pra gente de forma intencional! Rárá! Háháhá! Então rebaixa mais o nível aí, ô Arnaldo!
Rárárá!
29 de dezembro de 2008 às 13:44
É um alívio saber que existe alguém que não se impressiona pelo número de coisas que se lê! E o que tu acha de pessoas que sempre fundamentam o que dizem, garantindo credibilidade?
Aqui no interior ( Lagoa Vermelha-RS) teve um massacre didático geral durante o ano inteiro sobre ler-ler-ler pois haveria uma feira do livro. E no fim acabamos chamando de feira de religião e auto-ajuda, pelas bancas oferecidas pelas livrarias.
29 de dezembro de 2008 às 16:07
PQP..
post sinistro adorei…
concordo com vc em parte. Pra mim um ignorante nem sabe que é realmente ignorante, por isso não se passa por esperto…
esse perfil acima é do ser humano mais infeliz que existe, o meio-ignorante, que sabe ser meio-ignorante e sempre falha na tentativa de se passar por culto…
opinião pessoal, seu pensamento é irrefrutavel tb..
30 de dezembro de 2008 às 22:53
No fim, aqui no interior, continuamos não lendo nada, por enquanto é felismente, mas não deixamos de ser infelizes.
A gurizada prefere sair pelas ruas do que fazer eco à papagaiadas sobre leituras e diagnósticos sobre a humanidade.
Mas comparecemos à feira. Sem querer se passar por nada, o interior está procurando cultura. E feliz da vida sabe, espero, refutar o que não é real.
31 de dezembro de 2008 às 12:18
Cara, por isso q eu sou 1/2 seu fã Arnaldo Branco, por causa de textos como o de hoje. Eu lembro quando falava pra galera da boçalidade desse cigano Igor querendo falar de Física Quântica e todo mundo achava que eu estava sendo ranzinza ou algo do tipo. Mas, idiotas, um recado: fiquem longe da Física Quântica, tá bom? Deixa esse tipo de coisa pra quem tem um mínimo de abstração em seu cortéx, pra quem tem massa cinzenta. O problema dos idiotas é que eles procuram conhecimento pra querer se mostrar como alguém culto. Eu não me lembro de alguém tão zoado, até pela mídia, quanto esse cigano Igor na época dessa novela dos ciganos. Aposto que a solução que ele encontrou para o bullying que se fazia contra ele foi tentar se mostrar alguém culto. Fail!
E tem um comentário aí em cima que resume basicamente o que você vem falando, primeiro ele defende os babacas que gostam de se passar por esperto, e depois solta uma dessa:
“opinião pessoal, seu pensamento é irrefrutavel tb..”
Irrefrutavel. Viu? Exatamente.
Primeira coisa, amigo, se sua “opinião pessoal” estiver errada, ela é totalmente “refrutável”. E o fato do Keanu Reeves ter interpretado o Neo no cinema não significa que ele pode desviar de balas. O mesmo vale para os ignorantes que querem ser espertos.
2 de janeiro de 2009 às 0:13
Positivista.