7 de outubro de 2008
Pare e pense
BLOG, Cinema, Festival do Rio 2008
O RENASCIMENTO
(“Ai no Yokan”, Masahiro Kobayashi, Japão, 2007)
Por Antônio Rogério da Silva
Um segundo nome homenageado na mostra 100 Anos de Migração Japonesa é Masahiro Kobayashi, que tem cinco dos nove filmes que dirigiu programados para serem exibidos neste Festival do Rio. Suas produções caracterizam-se pela temática diversificada e estética crua. Tratam de questões atuais como a participação do Japão na Guerra do Iraque, da corrupção provocada pela Yakuza, as relações familiares e a solidão dos indivíduos em um mundo globalizado. Em sua recente e promissora carreira, Kobayashi vem colecionando nomeações e prêmios em festivais internacionais que o destacam entre os principais autores em sua geração de cineastas, já a partir de seu primeiro longa “Na hora de fechar” (“Closing time”, 1996), Grande Prêmio do Festival de Cinema Fantástico de Yubari (Japão), em 1997.
“O renascimento” (“Ai no Yokan”, 2007), sua produção mais recente, conquistou três prêmios em Locarno (Suiça), no ano passado, entre eles o Leopardo de Ouro. É a história de uma mulher (Makiko Watanabe) e um homem (Masahiro Kobayashi) que têm um crime em comum. A filha da mulher matou na escola a filha do homem. E sem que saibam, a mãe solteira e o pai viúvo se mudam para a mesma cidade industrial, na fria ilha de Hokaido. Seguem solitários suas vidas rotineiras desprovidas de significado. Quando eventualmente se encontram é como se um curto circuito acontecesse entre dois fios elétricos desencapados que se tocam. A falta de diálogo e de qualquer afeto entre ambos impedirão que o perdão e o amor surjam.
Câmera na mão, produção despojada e uma edição matemática que divide simetricamente a trajetória dos dois personagens fazem de “O renascimento” um exemplar tardio do bom e já velho movimento Dogma 95. Não é um filme adequado para quem vai ao cinema apenas para comer pipoca e se divertir. É mais uma daquelas obras impertinentes que te obrigará a pensar sobre a dificuldade de comunicação e a rotina insana em sua vida.
O filme passa hoje, às 14h e às 19h, no Estação Gávea 5, e na quinta, às 18:15h, no Palácio 1.
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