21 de setembro de 2009
O uso correto da liberdade de expressão
por Arnaldo Branco
Parabéns leitor atento, que percebeu a pegadinha no título. Agora, se você está lendo essa coluna para saber qual o uso correto da tal liberdade (lembrei daquele pagode), talvez faça parte do grupo de pessoas sobre o qual estou falando. Acompanhe.
Então: por que a mania nacional de dizer que crítica é fruto da inveja? Já me acusaram de botar olho gordo em tanta gente de profissões distintas que devem me tomar por um sujeito metido a Homem da Renascença. Tomo até como elogio.
Temos uma tradição chata de esconder o que pensamos de verdade. Não digo que a crítica é uma coisa boa per se, como o elogio (brinks), principalmente quando descontrolada nível comentarista anônimo de blog, mas nossos desgostos são reflexo da nossa visão de mundo. Se você tiver uma para compartilhar, é bacana que trace algumas fronteiras em público.
Mas quando alguém faz isso, atrai a ira de vários psicólogos de araque. Lembro de uma vez, quando disse na faculdade que não me interessava em saber que emissora tinha comprado o passe da Lilian Witte Fibe (era o assunto), uma garota que eu não conhecia mandou o clássico “a inveja é uma merda”. Como ela poderia saber que prefiro uma extração de dente a seco do que ter o emprego da mina? E quem era mesmo Lilian Witte Fibe?
O pior são as pessoas que dizem que criticar alguém publicamente é uma forma de pegar carona no sucesso alheio. E eu pensava que o passaporte para uma carreira tranquila era o puxa-saquismo…
Até acredito que haja pessoas com tolerância sobre-humana e que curtam tudo, mas conheço mais do tipo que fala mal pelas costas. Não entendo porque pedem tanto liberdade de expressão, se é para continuar fingindo que gostam do trabalho de todo mundo.
22 comentários para “O uso correto da liberdade de expressão”
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21 de setembro de 2009 às 15:23
[...] sabe usar a sua? Vamos ver o que nosso Arnaldo Branco tem a dizer, aqui. E lembrando que amanhã, com toda a liberdade, teremos o Fotodiário Celular HK do Henrique [...]
21 de setembro de 2009 às 16:44
ou seja, todo crítico é carreirista, cara.

21 de setembro de 2009 às 17:45
Eu quero essa mulher pra mim!
21 de setembro de 2009 às 18:29
Sabia que vc ia curtir, Zé!
22 de setembro de 2009 às 7:53
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » O uso correto da liberdade de expressão http://www.revistazepereira.com.br/o-uso-correto-da-liberdade-de-expressao – view page – cached Parabéns leitor atento, que percebeu a pegadinha no título. Agora, se você está lendo essa coluna para saber qual o uso correto da tal liberdade (lembrei daquele pagode), talvez faça parte do grupo de pessoas sobre o qual estou falando. Acompanhe. — From the page [...]
22 de setembro de 2009 às 12:58
Só faltou aquela frase sensacional, que pessoas-de-bem-tolerantes-e-gracinhas gostam de usar: “critique quando ganhar o que ele(a) ganha.”
22 de setembro de 2009 às 13:18
Complementando o comentário acima: ou ainda “Pra criticar tem que fazer melhor”… Esses nunca vão reclamar de um erro médico.
22 de setembro de 2009 às 16:11
Já gastou uma grana que não queria assistindo a uma peça de teatro que achou um lixo e tentou vaiar no fim? Todo mundo aplaude tudo. Só vale criticar se antes se deixar bem claro que é uma “crítica construtiva” e que você, na verdade, está falando bem. Ninguém mais sabe se o que faz está agradando mesmo o público ou não, já que se aplaude tudo por mera educação. Tudo na vida é passível de fracasso, mas o artista não tem mais o termômetro da vaia pra calibrar sua obra.
22 de setembro de 2009 às 16:45
Abaixo o ducaralhismo!
23 de setembro de 2009 às 13:07
[...] Minha coluna Mal Necessário da semana: O uso correto da liberdade de expressão. [...]
23 de setembro de 2009 às 14:17
Deixou o texto na medida certa para o público. (brinks)
Parabéns!
23 de setembro de 2009 às 14:19
Mas dá pra separar o aplauso da comoção geral. É até um incentivo para o artista ter como meta a comoção geral. Vencer o carão é muito difícil… só com carinho!
23 de setembro de 2009 às 14:34
Bom… se um dia censurassem o Amaury Jr., sem motivo, talvez a gente entenderia a relatividade da liberdade de expressão.
23 de setembro de 2009 às 16:28
vaiar peça de teatro (ou sei lá qq outra coisa artistica q vc foi ver) tb eh palhaçada. Elegância é sempre bem vinda e eu to falando dessa elegância que é, na preguiça de me explicar melhor, não agir como cachorro.
23 de setembro de 2009 às 19:46
Nelson Rodrigues foi bastante vaiado. Ele sobreviveu todas as vezes.
23 de setembro de 2009 às 20:19
essa garota da laje….hmmmm…
EU FAÇO!
24 de setembro de 2009 às 16:36
eu até aplaudo por educação. já estive do lado do palco e é uma merda audiência assim tão fria…
mas me incomoda como ovacionar de pé e pagar pau virou norma.
sei lá, fico pensando que isso acaba incentivando trabalhos medíocres. nem é culpa do cara se ninguém falou que é uma merda…
24 de setembro de 2009 às 23:58
Vejo que fui mal compreendido. Eu disse vaia, mas queria dizer jogar tomate mesmo.
É claro que há vaias e vaias, e dependendo de onde vem e de quem faz, uma vaia é um elogio.
O meu ponto é simples, para obras e autores tão sensíveis assim, ao ponto de tratarem qualquer manifestação de desagrado como pura má vontade e inveja, o aplauso perde o sentido.
Qualquer crítica feita a uma produção artística/cultural é encarada (quase um senso comum hoje) como incapacidade do crítico de compreender a obra e não incapacidade do autor ou da obra de comunicar aquilo que pretendia.
Claro que toda crítica, principalmente no campo cultural, tem um que de subjetiva,mas quando a crítica é boa, ela não se esgota nisso, e fala alguma coisa de objetivo da obra.
Pode se criticar um produto, um serviço, mas parece que criticar isso que chamam de produções artístico/culturais é má educação. Parece até que estamos falando de alguma coisa religiosa.
25 de setembro de 2009 às 15:25
Meu, o que tá acontecendo… Só reclamação na coluna…
Toca o foda-se, Arnaldo.
28 de setembro de 2009 às 22:32
Arnaldo Branco = escritor mediocre
28 de setembro de 2009 às 22:51
verdade absoluta = comentarista anônimo de blog medíocre (o desvario do pleonasmo), ganhei \o/
7 de outubro de 2009 às 0:55
Porra, só digo que procuro tacar o malho sempre, mesmo sendo tachado de fuinha, por quem não sabe receber críticas, por mais amenas que elas sejam.
ótimo texto.