20 de outubro de 2008
O último tango na praça Paris
Por Arnaldo Branco
Semana passada Pedro Cardoso fez um discurso em causa própria contra o sexo no cinema: não gostou de ver a nudez da namorada na tela e deve saber que a dele não é exatamente impressionante. A coisa virou assunto em todos os jornais, pra vocês verem o que não é a falta de um star system decente.
A discussão sobre se a representação do sexo na arte é apelativa é antiga. “Finalmente um autor impublicável que é legível”, disse Ezra Pound sobre Henry Miller, um dos primeiros pornógrafos a receber aval da crítica, apesar da careca. Mas talvez porque o cinema não deixe muito enredo para a nossa imaginação e implique no uso de uma sala escura que parece incitar nossas inclinações masturbatórias, suas incursões no terreno grudento do sexo causam as maiores polêmicas.
Na verdade, acho que os cineastas apelam mais para a contemplação excessiva e para o psicodrama do que para a pornografia. O cinema sempre explorou muito mais a angústia pós-coito do que o sexo em si. O sexo filmado batata mesmo é pouco ou tão pouco convincente que exige mais suspensão da descrença que os filmes do James Bond.
O problema dos conservadores com a pornografia é o mesmo que com as drogas: não acreditam que existem pessoas que só fazem uso recreativo. Acham que os adeptos são todos viciados em último estágio da degeneração e que estão nessa obrigados, por falta de opção.
Quem realmente não tem outra opção são os nossos atores mortos de fome, que aceitam por necessidade papéis com nudez e depois ficam de mimimi. Acho impressionante que um humorista como Pedro Cardoso não tenha previsto onde essa história ia acabar: em piadas desabonadoras sobre tamanho do pênis.
2 comentários para “O último tango na praça Paris”
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20 de outubro de 2008 às 13:53
[...] A coluna Mal Necessário, de Arnaldo Branco, volta a ser publicada hoje na Zé Pereira e será atualizada toda segunda-feira. O tema desta semana é a cruzada contra a pornografia do ator Pedro Cardoso. Leia aqui. [...]
20 de outubro de 2008 às 20:01
[...] Voltei a fazer a Mal Necessário, minha coluna para a Zé Pereira. No primeiro número da volta, aproveitei basicamente o que escrevi nos comentários do penúltimo post: O Último Tango na praça Paris. [...]