23 de novembro de 2009
O sucesso não acontece por acaso
Por Arnaldo Branco
Se levarmos o truísmo do título ao pé da letra, poderíamos enxergar premeditação na escolha do vestido da Geisy da UNIBAN e em diversas atitudes de outras celebridades instantâneas. Mas isso não vem ao caso.
Sei que não sou bem-sucedido o suficiente para escrever um tratado sobre como fazer sucesso, mas bolas, se formos checar o background de todos esses escritores de auto-ajuda, descobrimos que nenhum deles era exatamente um fenômeno de popularidade até publicar seus livros de apologia do carreirismo. De qualquer forma, aqui no Brasil trabalhar na área de seu interesse já é uma forma de sucesso.
Então, se você pretende trabalhar com desenvolvimento de personagens e histórias - em qualquer formato, de quadrinhos a outras formas de arte mais bem cotadas no ranking - vão aí três dicas sobre como atingir seus objetivos, sejam eles a dominação mundial ou a grana do aluguel.
1) Originalidade: “roteiro Original” é um bom nome retórico para uma categoria do Oscar, mas uma raridade na vida real. Como já disse Tom Stoppard, “não exagere nas palmas, este é um mundo bem velho” - e agora, além de velho, super-povoado com vários outros espíritos criadores como você tendo idéias bem parecidas. Se concentre nos pontos fortes da sua obra - e se exagerar no uso do alheio, pode deixar que os outros perceberão por você.
2) Insistência: é fatal. Se uma idéia (de personagem, de esquete, etc) não pega de cara, melhor passar para a próxima. Antigamente, a falta de canais abertos podia matar boas sacadas no berço, mas hoje o público está aí, exposto ao seu talento - ou, pobre dele, à sua falta de. Às vezes acompanho tentativas de colegas em tentar criar artificialmente uma onda de reconhecimento, através do uso desregulado das ferramentas disponíveis (emails não requisitados, apelos para que outros linkem seu trabalho em redes sociais) - os caras acabam virando spammers de si mesmos. Só reforçam a noção de como a idéia é ruim e eles, chatos.
3) Relações públicas: conhecer pessoas que atuam no seu campo de trabalho favorito pode até ajudar, mas não é muito legal em termos de karma. Se a aproximação se der por puro interesse, estamos entrando no âmbito do puxassaquismo, que não é recomendável para o crescimento de ninguém como ser humano, que dirá como artista. Se for por admiração, pode atrapalhar na busca pelo seu próprio caminho, além de colocar você em uma posição subalterna a princípio. É melhor deixar seu trabalho falar por si primeiro para atrair a atenção de seus pares - de preferência, sem lançar mão dos mecanismos de spam mencionados no item 2.
É isso. Pode escrever seu discurso para a entrega do Oscar de roteiro original.
7 comentários para “O sucesso não acontece por acaso”
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23 de novembro de 2009 às 15:19
[...] Em sua coluna desta semana, Arnaldo Branco ensina ao leitor como fazer sucesso. Leia aqui. [...]
24 de novembro de 2009 às 13:05
Legal. Mas não sei. Quanto ao spammer, é tudo questão de moderação. Não dá pra ficar enchendo o saco da galera, mas também não divulgar e esperar que as pessoas descubram seu trabalho sem nenhum empurrãozinho é que nem desenhar e guardar na gaveta.
24 de novembro de 2009 às 13:06
Dependendo do caso em questão seria difícil deixar de classificar essa análise como superficial. Mas isso não muda o ótimo conceito que tenho a seu respeito. Seria precipitação da minha parte.
24 de novembro de 2009 às 16:29
É difícil até de classificar como análise, Rita…
24 de novembro de 2009 às 17:03
Genial, é isso mesmo, admito que já fui spammer de mim própria até aprender esta grande lição de vida: não temerás jogar uma idéia fora! Excelente texto!
25 de novembro de 2009 às 12:23
Seguirei o conselho 3, não serei puxa-saco: texto de merda
26 de novembro de 2009 às 9:09
Sucesso? De que estamos falando? Nem sempre a publicidade - ainda que exagerada, e o puxassaquismo - ainda que descarado, garantem o tal sucesso. No caso da Geisy, foi um vestido - simples peça de vestuário, que quase a levou à derrocada - e não ao sucesso ou a um sucesso às avessas. Boa reflexão. Recomendo, porém, equilíbrio. Em tudo. Afinal, talento não se adquire por acaso.