10 de agosto de 2009
O que aprendi com a coluna da semana passada
Por Arnaldo Branco
Semana passada, este espaço foi tomado por passantes - chamar de leitores seria superestimar minha audiência e a capacidade cognitiva dos caras - que lotaram a caixa de comentários para escrever o que acham que pensam sobre o que acham que eu penso. O que de fato escrevi, acho que só o revisor leu.
O que disse, em três linhas: que chamar de racista um determinado comediante de um determinado programa era um elogio - o cara teria que ter um mínimo de inteligência para desperdiçá-la em teorias
supremacistas furadas. Poucos escreveram para contestar essa idéia central: os que defenderam a excelência do sujeito como humorista o fizeram para rechaçar minhas hipotéticas acusações de racismo.
Mas valeu, porque aprendi algumas lições. Ei-las:
1) O colunista é obsoleto: só o título da coluna é necessário; de preferência a tagline de um tema polêmico como “Cotas raciais”, “Pena de morte” e “Fernanda Young”. A página será milagrosamente preenchida com a opinião não solicitada de vários sujeitos, provavelmente paranormais, que tirarão suas próprias conclusões sobre o que o autor pensa sobre o assunto.
2) Todo mundo tem um amigo negro que começou por baixo, superou a adversidade sem reclamar de falta de oportunidades e agora está superbem posicionado no mercado de trabalho. Devo ser a única exceção, e o único que conhece várias pessoas (de qualquer cor) que sempre tiveram tudo na mão, estudaram em bons colégios e agora moram com os pais e gramam em subempregos de que reclamam constantemente. Ou isso, ou os comentaristas nunca ouviram falar no twitter.
3) Criticar uma pessoa de sucesso é uma maneira de tentar pegar carona em seu prestígio, apesar de ir contra a lógica das relações interpessoais e dos vínculos empregatícios. E puxar assunto constantemente com a mesma pessoa via redes sociais, chegando ao cúmulo de chamar a atenção dela para textos que ousam criticá-la, não é considerado bajulação nem dedurismo; talvez seja um dever cívico.
4) A denúncia do racismo é que provoca o racismo. Mesmo, é claro, que o colunista não tenha denunciado ninguém por racismo.
5) O politicamente correto é contra o direito fundamental do ser humano de chamar negro de macaco.
Quem disse que caixas de comentários são inúteis?
20 comentários para “O que aprendi com a coluna da semana passada”
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10 de agosto de 2009 às 10:07
[...] senso e de bom gosto, foram excluídos por nós - a respeito de sua coluna da semana passada. Leia aqui. Aproveitando a deixa, o leitor Leandro Xavier manda um recado para o comediante (sic) Danilo [...]
10 de agosto de 2009 às 14:08
É por isso que a Irmandade dos Humoristas Arianos nunca vai te chamar pra nenhum evento.
10 de agosto de 2009 às 14:17
“2) Todo mundo tem um amigo negro que começou por baixo, superou a adversidade sem reclamar de falta de oportunidades e agora está superbem posicionado no mercado de trabalho. Devo ser a única exceção, e o único que conhece várias pessoas (de qualquer cor) que sempre tiveram tudo na mão, estudaram em bons colégios e agora moram com os pais e gramam em subempregos de que reclamam constantemente. Ou isso, ou os comentaristas nunca ouviram falar no twitter.”
Esse cara conhece gente a beça
10 de agosto de 2009 às 15:06
Arnaldo Branco + moskito em um mesmo espaço é o que podemos chamar de bom entretenimento.
10 de agosto de 2009 às 15:44
Bem vindo ao mundo dos para-quedistas do Google.
10 de agosto de 2009 às 16:48
Nem foi isso, cara.
11 de agosto de 2009 às 8:04
[...] Minha coluna Mal Necessário para a revista Zé Pereira: O que aprendi com a coluna da semana passada. [...]
11 de agosto de 2009 às 9:30
Você tem razão: o caso nem é de racismo, é indigência mental mesmo. Se bem que são coisas bastante relacionadas.
11 de agosto de 2009 às 10:50
o problema do racismo é um: quanto mais se tenta usar políticas para apaziguá-lo, mais aumentará a segregação. o exemplo do negro bem sucedido citado pelo arnaldo é autoexplicativo! ou vcs acham q as cotas em universidades ajudará a acabar com o preconceito?
11 de agosto de 2009 às 10:59
ninguém disse que cotas é pra acabar com preconceito, e as cotas não são apenas para negros, são para minorias: negros, índios, pobres. como um sujeito que trabalha 8hrs por dia e estuda 4 vai competir com um outro sujeito que estuda 8hrs por dia e fica 4 na internet? a polêmica toda é porque o danilo não quer admitir que fez uma piada infeliz, e cada vez q tenta se defender só piora. pede desculpa e vai fazer piada de celebridade e político, que por sinal não precisa muito esforço pra tirar sarro deles, até a sabrina sato consegue isso.
11 de agosto de 2009 às 11:06
Passei pelo mesmo problema recentemente porque resolvi criticar o mau uso do palavrão na música nova da Pitty. O assunto foi outro, mas os comentários são os mesmos. Creio que exista um template em algum lugar do Orkut.
11 de agosto de 2009 às 11:08
Deixa eu ver se entendi algo com tudo isso: o Daniel Gentilli é dito comediante? Ah, tá. Mion que se cuide. Praticamente Seinfeld e George Carlin brasileiros. Nessa linha de relatividade, resigno-me de ocupar a vaga de Lenny Bruce.
Nem vou mencionar Richard Pryor pra não confundirem o assunto, ninguém vai perceber que gosto do cara porque ele é engraçado o suficiente pra fazer piada consigo mesmo depois de ser preso por usar cocaína free-base e sair correndo em chamas pela rua. Em chamas, literalmente, pra quem não tá ligado.
11 de agosto de 2009 às 14:21
Po Bruno, esse lance do negro bem sucedido foi ironia dele (/thejokeexplainer)
11 de agosto de 2009 às 15:05
sinto obrigação de registrar aqui o que EU aprendi com a coluna da semana passada:
- A estampa “100% Negro” incomoda MUITA GENTE

11 de agosto de 2009 às 16:10
Não sei se a idéia foi minha, pensei numa “100% ALGODÃO”
Ou personalizadas por descendência, tipo “75% Irlandês, 25% Russo”.
11 de agosto de 2009 às 18:22
Acho que a idéia da camisa 100% negro já foi explicada mil vezes, mas quem sabe com mais mil entra na cabeça dos teimosos (eufemismo): Que não é uma camisa para tirar onda com brancos, amarelos e vermelhos; Que é pra tirar onda exatamente com aquele negão azul que diz: “humm… não chego a ser negro, sou moreno suflair claro, mas juro que quando nasci eu era loiro, pois meus avós são finlandeses”…
12 de agosto de 2009 às 6:36
Pode explicar mais, Cabron. Nunca vai entrar na cabeça da maior parte dos ‘brancos, amarelos e vermelhos’. Eles preferem não entender…
Talvez se alguém adicionar um verbete na wikipedia mais uns dois ou três entendam.
12 de agosto de 2009 às 10:21
Arnaldo, não tenho o costume de mandar links, mas achei que valia a pena.
Para ver que Danilo Gentili perdeu a credibilidade que praticamente não tinha.
Depois de pedir para retirar o rap que o criticava, qualquer “reportagem” que ele fizer atazanando os políticos em Brasília não terá valor algum.
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D53141%26Editoria%3D1193%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D153429673401%26fnt%3Dfntnl
Achei um link do rap contra Gentili.
Se puder, ouça enquanto o YouTube não tira do ar.
http://www.youtube.com/watch?v=eMnqWIBeVmQ
12 de agosto de 2009 às 11:27
não por nada, mas adoro botar lenha na fogueira, só pra ver babacas discutindo o indiscutível, perdendo tempo à toa, e me fazendo rir!
12 de agosto de 2009 às 20:10
Bruno, te convenço rapidinho do contrário com dois argumentos. Mas tem que ser em um boteco em Balneário.