14 de julho de 2008
O Brasil é um país sem o que mesmo?
Por Arnaldo Branco
O Brasil é um país com 190 milhões de indivíduos dotados de capacidade mnemônica reclamando que o Brasil é um país sem memória. Talvez se as pessoas se dedicassem mais a registrar ou estudar os fatos do que a reclamar que ninguém está fazendo isso, ajudasse e tal. George Santayana certa vez disse (quando exatamente? cartas para a redação da Superinteressante, que se liga nesse tipo de coisa): quem desconhece o passado está condenado a repeti-lo. O que explica muita coisa por aqui, como a reeleição do FHC, do Lula e a Casa dos Artistas 2. A oposição acha que o PT inventou a corrupção e eleitores do PT acham que o Lula nasceu ontem e ainda não leu o jornal do dia. Como um sujeito traumatizado, o brasileiro bloqueia as lembranças ruins para poder 1) seguir a vida com um mínimo de sanidade e 2) repetir seu bordão favorito: “antigamente é que era bom!”. O brasileiro em geral merece morrer de tuberculose. Marx dizia que a História se repete como farsa, e a mulher dele acostumada às desculpas esfarrapadas pelas demoras do marido no quarto da empregada devia concordar. No Brasil, onde criatividade é mato, ela se repete também como dramalhão, sitcom e pornochanchada. Vejam se o caso do Renan com a Mônica não lembra a do Bernardo Cabral com a Zélia inclusive no mau-gosto das mulheres (e no affair interministerial, do casal como um todo). Muitos dos sujeitos que reclamam que o brasileiro não lembra de nada devem dinheiro na praça; além da memória a coerência também não é o nosso forte.
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