22 de fevereiro de 2009
O bloco dos tatus muquiranas
BLOG, Carnaval 2009, Chamando na chincha
Por Luiz Bello
O bloco mais careta e desanimador deste Carnaval é, sem dúvida, o do Metrô. Essa gente que se adonou dos transportes públicos do Rio de Janeiro consegue se superar, a cada ano, em matéria de mediocridade e mesquinharia. Num domingo em que, no mínimo, o dobro do contingente normal de passageiros deve circular pelas roletas do Metrô, grande parte de suas estações está funcionando com a metade da capacidade. Resultado: filas, superlotação e aquela sensação de que, a qualquer momento, pode eclodir um tumulto. Por quê? Pra não pagar as horas extras dos bilheteiros e demais funcionários que estariam trabalhando em um feriado. O negócio é lucrar o máximo oferecendo o mínimo, até porque não há órgãos do poder público fiscalizando – de verdade – nossos serviços de ônibus e Metrô.
Neste domingo, na estação da Siqueira Campos, uma das mais movimentadas da rede e ponto de conexão para usuários de Ipanema, Gávea e Barra da Tijuca, metade das bilheterias estava fechada antes das oito da noite. Na verdade, toda a parte da estação que funciona na esquina da Figueiredo Magalhães com Toneleros já estava fechada. Ali há um ponto de desembarque dos ônibus que fazem as mencionadas conexões. Quem chegava encontrava as portas de aço baixadas e cartazes toscos colados sobre elas, indicando que única entrada em funcionamento ficava a uns 300 metros, na Rua Siqueira Campos.
Lá adiante, as filas para embarque nos ônibus-metrô se misturavam às levas que tentavam entrar na estação. Seguranças, indiferentes ao movimento, cerravam outras portas de metal e se trancavam lá dentro, enquanto marmanjos urinavam do lado de fora. Será que ninguém pensou em colocar uns banheiros químicos naquele local tão movimentado?
Dentro da estação, calor e filas enormes se estendiam diante das duas ou três bilheterias que ainda funcionavam. Um monte de gente, de todas as idades, fantasiada e feliz, estava ali, recebendo mais uma prova de que não dá pra acreditar em transportes organizados nesta cidade. O calor, aliás, é a marca mais evidente da privatização do Metrô, cujas estações, originalmente, eram refrigeradas e, hoje, contam com aqueles ventiladores sebentos e ruidosos, apontados para a cara dos passageiros, nas plataformas.
Poucas metrópoles do mundo ainda têm um espetáculo tão singelo, plural, espontâneo, como esse que é visto em cada esquina carioca, durante o Carnaval. Muitas investiriam fortunas para ter algo parecido. Mas o Rio se especializou em destratar seus cidadãos. Essa gente que ganhou rios de dinheiro com Metrô, ônibus e vans deve gostar mesmo é de Miami e outras breguices no exterior. Mas lá não há isso. Não há, no mundo, um Metrô cuja construção tenha saído tão cara quanto o do Rio. Esse subsídio milionário - somado a décadas de transtorno com as obras intermináveis - foi o patrimônio que investimos, e nos atender direito é a obrigação que essa corja teima em não cumprir.
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