19 de outubro de 2009
O A e o Z
Por Arnaldo Branco
Está em cartaz Bastardos Inglórios, novo filme de Quentin Tarantino. A crítica tem reagido bem a esse corpo estranho que é uma obra-prima em meio a uma dieta de filmes - como ela gosta de chamar, com disfarçado prazer - despretensiosos. Mas parte dela não decepciona e mostra aquela combinação de despreparo e preguiça de pensar a que nos acostumamos com horror resignado.
Há duas coisas que gostam de repetir porque são burrices socialmente aceitas: que Tarantino é só um costurador de referências e que está se repetindo desde Pulp Fiction, a opus maximus dele para quem gosta de listas de melhores qualquer coisa. Ou para os que querem conceder ao sujeito a caridade de um grande feito só para poder dizer que nunca conseguiu superá-lo.
Acho engraçado quando falam de um sujeito que realizou grandes coisas em sua arte desde o início da carreira que está se repetindo - até onde sei Fábio Barreto (um exemplo) também anda dando voltas, sem a tal obra-prima original pra compensar o resto do currículo. Mas acho difícil não perceber como QT está abrindo o leque: lembro da primeira crítica que li (sobre sua estréia na direção, Cães de Aluguel) em que era comparado ao Scorsese. Agora, o grosso da crítica fala em Leone e John Ford, mesmo que para diminui-lo na comparação. Ou seja, mesmo sem querer o aproximam dos clássicos.
As duas queixas traem um certo sentimento indie. Tarantino deve ser um cara extremamente irritante para quem tem aquele tipo de disposição de espírito que faz o indivíduo preferir morrer a gostar do que todo mundo gosta. Ele vai nos filmes Z tão amados por esse tipinho social, se apropria da referência para fazer melhor e - beijo da morte - transforma em mainstream.
Um exemplo para ilustrar: certa vez a Q fez uma entrevista com ele em que listava vários personagens de filmes que usou em Kill Bill (They call her one-eye, Lady Snowblood etc). Pois O Globo republicou a mesma lista meses depois como se fosse jornalismo investigativo, fazendo acusações de plágio. É ou não é o desvario do denuncismo?
Não lembro quem disse que o sentimento mais comum do ser humano é a má-vontade. Nessa vibe, acho que parte da crítica dá seus pareceres baseada em um método científico rigoroso chamado implicância.
26 comentários para “O A e o Z”
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19 de outubro de 2009 às 18:02
Ser comparado ao Scorsese, Leone ou John Ford. Que grande desgraça, hein? É como criticar que tal jogador joga igualzinho o Zico. Porra, contrata ele pro meu time já!
19 de outubro de 2009 às 18:07
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » O A e o Z http://www.revistazepereira.com.br/o-a-e-o-z – view page – cached Está em cartaz Bastardos Inglórios, novo filme de Quentin Tarantino. A crítica tem reagido bem a esse corpo estranho que é uma obra-prima em meio a uma dieta de filmes - como ela gosta de chamar,… (Read more)Está em cartaz Bastardos Inglórios, novo filme de Quentin Tarantino. A crítica tem reagido bem a esse corpo estranho que é uma obra-prima em meio a uma dieta de filmes - como ela gosta de chamar, com disfarçado prazer - despretensiosos. Mas parte dela não decepciona e mostra aquela combinação de despreparo e preguiça de pensar a que nos acostumamos com horror resignado. (Read less) — From the page [...]
19 de outubro de 2009 às 19:17
Arnaldo, escrevi também uma crônica sobre os Bastardos e o Tarantino. Dá uma olhada na minha coluna: http://colunas.digi.com.br/carlos/adoraveis-bastardos-2/
PS.: Muito bom seu texto no Urublog!
19 de outubro de 2009 às 20:19
[...] Em sua coluna de hoje, Arnaldo Branco manda um recado para os críticos que ainda teimam em implicar com Quentin Tarantino. Leia aqui. [...]
20 de outubro de 2009 às 11:01
Mas e aí baby, achou o quê do filme?
20 de outubro de 2009 às 11:07
Achei Bastardos Inglórios o pior filme do Tarantino e um dos piores que vi este ano. É uma sequencia sem pé nem cabeça de algumas boas cenas (como a inicial e a da taverna) e diálogos, atuações brilhantes dos atores que fazem o francês da cena inicial, o caçador de judeus e o herói nazista, outras pífias e até constrangedoras (entre elas a de Mike Myers como o general inglês, o cara que faz Hitler e tantos outros).
Se fosse picotado e publicado no Youtube em partes, seria o máximo. Bastardos Inglorios não tem unidade: é sobre o grupo? sobre o caçador de judeus? sobre o heroi nazista? sobre vingança? sobre a menina que sobrevive? É tudo e nada. Decepção.
Tarantino é brilhante, mas confiou demais no seu taco nesse filme, que vai ser esquecido muito em breve.
Western spaghetti no meio da 2a. Guerra? Ok, tentou, mas nao rolou. Fica pra próxima.
(em tempo: comparar Tarantino, um notório reprodutor de grandes cenas do cinema, com Pekinpah, Huston, Leone, Ford e Scorsese, é brincadeira…)
20 de outubro de 2009 às 11:13
Acho que escrevi essa coluna para vc, entonces. Outra opinião:
http://cinemascopiocannes.blogspot.com/2009/05/inglorious-basterds-competicao.html
20 de outubro de 2009 às 11:36
Porra, muito bom o filme “Calibre 12″. Onde eu acho o filme todo?
20 de outubro de 2009 às 13:35
Dizer que Bastardos Inglórios é um filme confuso, sem pé nem cabeça ou sem unidade implica em uma das coisas:ou o sujeito é um completo idiota(ler Paulo Coelho demais dá é nisso), ou ele tem mesmo é uma enorme birra com Tarantino, e nada que este faça, por melhor que seja , irá mudar a opinião cheia de rancor dessa turma.Vale lembrar que os hoje consagrados mestres,Sérgio Leone, Sam Peckinpah e Hitchcok(sim, ele mesmo)também tiveram que aturar coisas desse tipo.Críticos cri-cris faziam questão de perseguir esses gênios e rotular pejorativamente suas obras.Peckinpah era um doente mental pornógrafo da violência, Leone apenas um diretor de filmes B, swetern spaghetti com muito sangue e nenhum conteúdo, e Hitchcok um sujeito preocupado apenas em fazer filmes comerciais sem dar muito valor a arte.É claro que o tempo provou quem estava com a razão.No caso de Tarantino não será diferente.Rótulos usados por seus detratores, como vazio de emoções e cinema de imitação desaparecerão com o pó da face da terra.
20 de outubro de 2009 às 13:51
Quentin Tarantino cria bom entretenimento e só isso.
20 de outubro de 2009 às 14:20
[...] Minha coluna Mal Necessário na Zé Pereira: O A e o Z. [...]
20 de outubro de 2009 às 14:29
Acho maneiros esses exercícios de futurologia de que o filme vai desaparecer e o caralho. É muita vontade de impotência…
20 de outubro de 2009 às 16:40
Quentin tarantino cria bom entreterimento. E é muito foda!
Tarantino nunca cansa de me agradar. Gosto de todos os filmes (o Death proof é o menos legal, mas ainda é foda). Gosto de lady snowblood, they call her one eye, sex and fury, filmes de samurai e tudo que ele rouba por ai. gosto de surf music, morricone, funk e soul sujo dos anos 60.
Não sei se ele faz os filmes pra mim ou se eu copio o q ele gosta…
Eu devo ser o mais retardado dos retardados para os criticos indie. Que vida boa que eu tenho
21 de outubro de 2009 às 13:24
Com certeza eu vejo filmes pra me entreter, se fosse pra dormir, eu veria Ang Lee.
21 de outubro de 2009 às 13:24
… ou Tim Burton.
21 de outubro de 2009 às 13:45
Arnaldo, engraçado como vários (a maioria?) dos seus leitores veste a carapuça dos seus textos. Lembra o Dead Kennedys, que batia de frente c parte do seu público (Nazi Punks Fuck Off).
O único problema do Tarantino é a amizade com o Roberto Rodriguez, já que seu pior filme é o Um Drink no Inferno. Bastardos Inglórios é, como ele mesmo diz, sua obra-prima. É o que eu acho também: http://nofunblog.blogspot.com/2009/10/ha-que-se-concordar-com-tarantino.html
21 de outubro de 2009 às 15:33
Olha, eu gosto do Tarantino, acho os filmes dele divertidissímos. No entanto, acho extremamente cafona a adoração que fazem com a figura dele - que pessoalmente deve ser insuportável- como aquele curta do Selton Mello e Seu Jorge (que bosta!). No mais, gostei de Inglorious Basterds, mas em termos de diversão é superado de longe por Zombieland.
21 de outubro de 2009 às 19:04
Não foi o Lou Reed que falou críticos não são seres humanos? E não se diz muito que se alguém não faz nada de bom vira crítico?
Gosto de análises que situam a obra em relação às demais, mas crítica pela crítica normalmente é má-vontade mesmo, tudo tem seu valor. Aliás, valorar coisas é coisa de babaca: uma boa análise, na minha opinião, tem que ser científica, mesmo que o objeto analisado seja uma obra de arte. Assim se escapa de subjetivismos e opiniões e se pode acrescentar alguam coisa a apreciação da mesma.
E gostei bastante de sua crítica da crítica, Arnaldo.
21 de outubro de 2009 às 19:07
E queria muito que alguém me esclarecesse a diferença entre entretenimento e arte, é a maior farsa já inventada pra valorizar certas obras como artísticas e geniais e jogar outras numa vala comum do entretenimento banal. Esse tipo de distinção não serve pra nada.
21 de outubro de 2009 às 21:33
Arnaldo
se voce se acha tao bam bam bam
sobre filmes, a ponto de dizer
que tarantino não presta, porque
não entra numas de edital como fazem
seus amigos-cartunistas chupa sangue
e monta seu proprio filme???
tenho ate titulo
“Um recalcado no casseta”
22 de outubro de 2009 às 9:06
Ô Zé Buc… ops,Chupeta,primeiro leia o texto antes de escrever merda.
O recalcado aqui é você.
22 de outubro de 2009 às 10:00
Eu pagaria para ver esse filme do Arnaldo!
22 de outubro de 2009 às 18:33
Tarantino é sempre ótimo; adorei a ironia com que ele trata alemães, ingleses e americanos em “Os Bastardos”; eu juraria que aquele Coronel Landa é o Caetano Veloso.
26 de outubro de 2009 às 9:28
Calibre 12: Clássico!
27 de outubro de 2009 às 13:57
headshot! mais um!
30 de outubro de 2009 às 15:04
Esse trailler do “Calibre 12″ é uma das coisas mais engraçadas que eu já vi! (Senti falta do Renato aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias nele).
http://www.coposujo.blig.com.br