Revista Zé Pereira
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Severino Dadá em Ação no Cinema

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texto: RODRIGO DE OLIVEIRA

Foi em “Tenda dos milagres”, adaptação de Nelson Pereira para o romance de Jorge Amado. O diretor chega um dia para Dadá e diz que tem um personagem para ele interpretar: “É você mesmo, ora!”. Criando a estrutura do filme-dentro-do-filme, Nelson fizera com que o jornalista do romance decidisse filmar a história do sociólogo baiano Pedro Archanjo. Hugo Carvana faz o jornalista e, em diversas inserções ao longo de “Tenda”, o vemos discutir com Dadá, diante de uma moviola (a pesada máquina onde se editavam os filmes antigamente), que rumos dar ao trabalho que estão montando.

Nelson criou ali a imagem-símbolo do montador brasileiro. Não à toa, o Archanjo da ficção é chamado de Ojuobá, que significa “os olhos de Xangô”. Dadá, nordestinamente paciente, ouve as confusões do jornalista/cineasta, recebe aquele monte de imagens filmadas sem muito sentido, e faz o trabalho de organização desse olhar. É o condutor destes olhos de Xangô. E também dos olhos de Nelson Pereira e de tantos outros com quem trabalhou.