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Crônicas do Rio

Natasha Lima se apresenta: “Sou jornalista, atuo como gerente de comunicação interna de uma empresa de seguros, no Rio de Janeiro, escrevo poemas, contos e crônicas. Fiz especialização em Comunicação e Imagem e MBA em Marketing pela FGV-Rio. Adoro cinema, mas o que mais gosto de fazer é observar as pessoas e escrever sobre elas, sobre o comportamento humano, sobre a necessidade de ter amigos e de como hoje em dia é importante ser uma boa pessoa para lidar com as dificuldades do mundo. É isso.
Tenho 30 anos, sou casada, tenho um filho de 1 aninho que se chama Matheus e vou morar a partir de dezembro em São Paulo. Se você me pergunta: está preparada para a mudança? Quero curtir o que São Paulo tem de bom: a vida cultural, a agitação urbana. Mas dá um frio na barriga...”

A psicomanicure

Marina ficou com medo de sofrer de psicose. Leu um artigo que dizia que a onicofagia ou roeção de unhas pode ser um sinal de problemas mentais ou emocionais. Ficou preocupada. Ela já convivia com as unhas comidas há anos. Na verdade, nunca foi uma pessoa vaidosa. Depois de ler o texto, ela culpou a mãe: “o problema todo foi que a minha mãe não colocou pimenta nos meus dedos quando eu era criança.”

Segundo o artigo, há muitos germes na superfície da unha e algumas pessoas precisam até tomar remédios antidepressivos para controlar o vício. “Que exagero!”, pensou. Também pensou que esses salões devem esterilizar os alicates, etc. com cuidado e ela não confiava em ninguém.

Um belo dia, antes de ir a uma festa, ela seguiu o “conselho” de sua mãe. “Pelo amor de Deus, vá fazer as unhas”. Foi a um salão perto de casa e pediu: “Manicure, por favor”. Aí, chegou a Sônia, com um sorriso largo, estampado no rosto. Olhou as mãos de Marina e exclamou: “Caramba! Com essa idade e você ainda come as unhas?” Marina achou super antipático e inconveniente ter de ouvir isso no meio de um salão de beleza abarrotado de mulheres por todos os lados. Gente acostumada a tirar cutícula toda semana. Resolveu encarar o desafio. Ter as unhas mais bonitas do planeta. Ficou obcecada pela fútil - ela sentia assim - tarefa de fazer as unhas toda semana. Achou na internet um blog sobre meninas que são experts em esmaltes novos que vinham da China, tinha uma coleção de alicates e lixava a unha toda vez que estava no metrô, a caminho de casa. A mãe ficou orgulhosa, no começo. Depois, em conversa franca, comentou: “Que mania essa a sua de fazer as unhas toda hora, você vai enlouquecer.”

De tanto ir ao salão, Marina e Sônia se tornaram “unha e carne”. Não há melhor expressão que essa para dizer como elas se tornaram confidentes, conselheiras, praticamente irmãs. Nunca mais Marina achou razão para roer as unhas. Ia fazer unhas para trocar idéias, ouvir conselhos, mesmo quando as unhas estavam lindas. Conversa vai, conversa vem, Marina deu uma dica à amiga: Por que você não faz Psicologia? Acho que você está na profissão errada. Tem talento para psicóloga. De tanto incentivar, Sônia está se formando em dezembro em Psicologia. Está fazendo uma espécie de residência em uma clínica, em Botafogo, que atende pessoas que precisam de apoio psicológico. Umas são viciadas. Há um caso de onicofagia. Outro caso é de alguém viciada em fazer as unhas com uma freqüência absurda também. Adivinhe.


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