24 de novembro de 2008
Mudança de hábito
BLOG, Cinema, Festival de Brasília 2008
Por Eduardo Souza Lima
O Evaldo Mocarzel não é mais aquele, olha a cara dele no vídeo acima, em atitude fashion, apresentando ontem à noite “À margem do lixo”, no Cine Brasília. O diretor niteroiense radicado em São Paulo perdeu a proeminente barriga, aposentou as camisas coloridas espalhafatosas, não faz aparições michaelmooreanas e usa trilha sonora em seu novo filme, algo antes impensável para o bressoniano convicto. E mudou pra melhor, já que “À margem do lixo” (foto abaixo) é o seu trabalho mais consistente e já desponta como um dos favoritos do festival.
Evaldo é conhecido por ser rápido no gatilho: só este ano, o diretor lançou nos cinemas “Brigada pára-quedista”, mostrou “Sentidos à flor da pele” no Festival do Rio. É tanto filme que isso às vezes acaba comprometendo a qualidade de alguns deles, que estão mais para o jornalismo do que para cinema. O documentarista, porém, parece estar agora mais cuidadoso e preocupado com o uso da linguagem. “À margem do lixo” é o seu filme mais explicitamente político e estéticamente marxista - “Eu queria fazer um filme planfetário”, disse ele no debate de hoje de manhã. Com extremo rigor de enquadramentos (um ótimo trabalho de fotografia de Gustavo Hadba e André Lavenère) ele acompanha o cotidiano de catadores de lixo e os faz comentar as imagens depois - como fazia Jean Rouch. Ao entrar com a câmera em usinas de reciclagem, a inspiração é Dziga Vertov, numa sinfonia de lixo e ruídos matematicamente editada. Depois da sessão ele, sempre ansioso, me perguntou o que tinha achado. Pois bem, eu só tiraria os depoimentos mais pessoais dos personagens e trataria apenas de política - é muita falação em cima das imagens.
Os dois curtas exibidos ontem têm o mesmo defeito de fabricação: os diretotes não souberam a hora de tascar o “fim” neles. Mas nada que justifique as vaias a “A minha maneira de estar sozinho”, de Gustavo Galvão, que começa brilhantemente e perde o rumo no final. Como Gustavo é de Brasília, ao que parece algum detrator levou uma claque pro Cine Brasília. “Na madrugada”, da carioca Duda Goter, é corajoso a mostrar cenas de lesbianismo maduro com as atrizes Ana Lúcia Torre (belos seios) e Denise Weinberg. Tecnicamente impecável (com uma fotografia de tirar o chapéu de Jacques Cheuiche), o filme só é um tanto longo, ficando, por vezes redundante, e tem uma incômoda trilha sonora cafoninha.
Daqui a pouco tem os curtas “Cães”, de Adler Paz e Moacyr Gramacho, e “Superbarroco”, de Renata Pinheiro, e o longa “Tudo isto me parece um sonho”, de Geraldo Sarno. A noite vai ser longa, já que o último tem duas horas e meia de duração.











25 de novembro de 2008 às 17:40
A camisa baby look é sem dúvida mais up to date do que aquelas que Mocarza usava, porém o estilo “galera cheguei” continua intacto.
Quanto ao filme acredito que além de Vertov, Bresson deva ser uma outra influência.
27 de novembro de 2008 às 10:37
Bidu, na noie de encerramento ele inaugurou um novo visual: ex-gordo lenhador.
Abs