6 de julho de 2009
Mainardi: modo de fazer
BLOG, Chamando na chincha
Por Eduardo Souza Lima
Faz tempo que me desinteressei totalmente pelo que escreve o colunista da “Veja” Diogo Mainardi. Mas me disseram que na coluna desta semana ele ataca o Jorge Cordeiro, que conheço da Eco/UFRJ, e fui conferir. Como mexeu com amigo meu, resolvi contar essa historinha ilustrativa.
Isso tem uns três, quatro anos, eu trabalhava no Segundo Caderno d’”O Globo” e o editor me pediu que escrevesse uma crítica de “Cinema falado”, de Caetano Veloso, que estava saindo em DVD. Não gosto do filme, mas não estava a fim de polemizar com ninguém - coisa que o cantor adorava fazer -, escrevi pisando em ovos. O texto acabou ficando muito ruim: o diretor ficou furioso e meus amigos me sacaneiam até hoje, dizendo que eu puxei o saco dele. Pouco depois, houve uma coletiva de imprensa na qual, me contaram, ele gastou boa parte do tempo rebatendo o que escrevi. Achei engraçado e deixei pra lá. O pessoal me contou também que ele citou o colunista da “Veja” de passagem, apenas usando seu nome como adjetivo, “os mainardis da vida”. Pouco depois, ele se gaba em sua coluna que o cantor, a quem diz desprezar, passou toda a entrevista o desancando.
Que eu me lembre, o Caetano Veloso não lhe deu a menor pelota - como não deram o Zuenir Ventura e o João Ubaldo Ribeiro, com quem também tentou comprar briga. E quando ninguém lhe dá trela, ele mente.
7 comentários para “Mainardi: modo de fazer”
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9 de julho de 2009 às 12:45
Esse negócio de “mexeu com meu amigo, já é meu inimigo” é tão imbecil quanto pensar que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.
Por acaso amigos não erram, não fazem besteiras, não ofendem os outros?
Ou as ofensas dos amigos são inofensivas?
Fica parecendo aqueles pais corujas que juram que só a merda dos filhos dos outros é que fede.
Esse Jorge, só pelo fato de ser o ghost writer virtual do Sr. Lula, já merecia umas bordoadas. Quem gosta de ser pedra não deveria reclamar de ser vidraça de vez em quando.
E o mal do Mainardi é que ele é um dos poucos que sabe esculhambar alguém com propriedade. Se houvessem mais provocadores feito ele, não teríamos essa manada que mantém as mesmas opiniões sobre quase tudo. Ou essa coisa odienta chamada “brodagem”, que absolve as maiores baboseiras dos amigos e ignora os méritos de quem não faz parte da panelinha.
Eis.
10 de julho de 2009 às 8:53
O aprendiz de Paulo Francis(nunca chegará aos pés deste) sabe esculhambar porque é a coisa mais fácil que há. Panelas só existem para quem está fora delas(se você não tem uma o Mainardi tem).
Ele escrevendo ainda passa, mas na TV chega a ser
constrangedor seus chistes de quinta.
Lembre-se que o campeão de cartas da Veja tem atrás de si uma grande mainada,por acaso te alimentas e caminha junto dela?
10 de julho de 2009 às 10:18
Quem vive em manada é boi.
O fato de eu simpatizar com Mainardi não significa que eu diga amém a tudo que ele escreve.
Pelo contrário, às vezes eu o acho enfadonho.
E discordo de algumas das suas opiniões.
Porém, a base do seu pensamento é válida.
Ele sabe esculhambar com argumentos e bons lances de raciocínio. Se os argumentos não lhe agradam, o problema é seu.
E que pena que o Francis morreu cedo. Sou muito mais ele do que mil Franklin Martins, ou dez mil feito o Paulo Henrique Amorim.
Aliás, um cara que tá no bolso do Lula e beija a mão do Bispo Macedo mostra que a tabuleta de “vende-se” cabe em todo lugar, até na consciência.
E volto a dizer: esse negócio de “ação entre amigos” é, por si só, uma bobajada.
E blogueiro que vai trabalhar a mando do governo desde já perde qualquer possibilidade de ser levado a sério.
Ou é para acreditar mesmo no que dizem os anúncios do governo federal?
10 de julho de 2009 às 11:50
Caro Dias, acho que não fui claro. Não escrevi a coluna para defender o Jorge - que é um cara honesto, mas não precisa de minha defesa -, usei apenas o seu exemplo como pretexto para mostrar como age o colunista em questão. O cara mente, como tem mentido boa parte da imprensa. Este é o ponto, é o que me interessa. Não sou político, sou jornalista. Mas se eu quisesse fazer ação entre amigos, faria, esta revista não tem anunciantes, eu e meu sócio pagamos tudo do nosso bolso, não temos que dar satisfações a ninguém. Se você gosta da revista, leia; se não gosta, não se sinta obrigado.
Não vejo problema algum em trabalhar pro governo (pra qualquer governo, desde que seja um governo democrático), eu fiz pior, trabalhei no “Globo” 15 anos.
De resto, não gosto do Franklin Martins, do Paulo Henrique Amorim, do Diogo Mainardi e menos ainda do Paulo Francis.
Atenciosamente,
Eduardo Souza Lima.
10 de julho de 2009 às 13:17
Sr. Eduardo, a melhor frase do seu último comentário foi a seguinte: “acho que não fui claro”.
Embora o verbo devesse ter sido flexionado no presente do indicativo.
Não acho que uma pessoa que rebaixa o nível de uma discussão ridicularizando a doença do seu adversário seja uma pessoa honesta. Foi o que o Sr. Cordeiro fez.
Trabalhar para o governo não é o problema. A não ser quando se trabalha na área de comunicação para um governante que mal disfarça seu desprezo pela imprensa como um todo. E um governante que não aceita críticas, ou as menospreza, não me agrada. E certamente não agrada a muitos.
Agora, se o Sr. Cordeiro será o ghost writer do blog do Lula, credenciais para isso ele tem: ambos não sabem discutir sem poupar a linha abaixo da cintura.
Ao fim, a ideia de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo leva a bobagens inomináveis. Basta lembrar dos que viam Saddam Hussein com simpatia só porque ele era inimigo do Bush.
No mais, gosto da Revista Zé Pereira. Isso não me impede de discordar da opinião de alguns colaboradores. Agora, se o sr. não gosta de opiniões dissonantes, fique à vontade para fechar o espaço para comentários.
Ou filtrá-los para que fiquem apenas elogios.
Coisa nobre isso, não acha?
10 de julho de 2009 às 13:34
Sr. Dias, nosso espaço para comentários é livre.
Não li este comentário do Jorge ridiculizando a doença de ninguém - se ele o fez, errou. Como o senhor errou ao me chamar de imbecil ou ao fazer ironias - pra mim isso é golpe abaixo da cintura.
Quanto às suas opiniões sobre o governo, eu as respeito, mas discordo, para mim é a imprensa que tem agido mal - eu sei o que digo, trabalhei na grande imprensa, vi como a coisa funciona, ninguém me contou. E o presidente certamente não agrada a muitos (não me agrada em muita coisa, mas sei reconhecer os seus méritos), porém agrada a esmagadora maioria.
Abraços,
Eduardo Souza Lima.
10 de julho de 2009 às 17:07
Sr. Eduardo, eu não queria prosseguir esta conversa, mas me sinto obrigado a tanto.
Em nenhum momento eu o chamei de imbecil. Admito que fui irônico. Agora, se o sr. fica ofendido com qualquer ironia, nada posso fazer.
Que tal um filtro contra ironias?
Talvez inventem isso um dia.
Suspeito que não goste do que o Reinaldo Azevedo escreve. Porém, chamar os seus tumores cerebrais de “bolotas” e insinuar que isso é falta de fumar maconha vai além de bater abaixo da cintura. Foi uma grande grosseria por parte do Sr. Cordeiro.
Por esses e outros fatos é que imagino o que sairá do blog do Lula.
A imprensa também comete erros. Porém, o atual governo, se pudesse, a aboliria. Aquela frase do Thomas Jefferson, de preferir jornais sem governo a um governo sem jornais, ainda vale, certo?
Eu também vejo méritos no governo Lula. Alguns deles graças ao trabalho do seu antecessor, que seria, se estivéssemos na União Soviética, apagado dos livros escolares. Ou então seria carimbado um “herança maldita” nas fotos de FHC.
Arrogância é algo que acomete tanto diplomados quanto não-diplomados - inclusive quem faz da falta de formação escolar um troféu.
Saudações a todos da Revista Zé Pereira.