3 de janeiro de 2009
Mãe judia
BLOG, Chamando na chincha, O mundo lá fora
Meus amigos judeus que me perdoem, os israelenses podem ter todos os motivos do mundo para estarem furiosos com o Hamas, mas o que Israel está fazendo na Faixa de Gaza não tem outro nome, reação desproporcinal o escambau, é guerra de extermínio mesmo - e parece que o resto do mundo não está nem aí, tentem imaginar o que aconteceria se fosse o contrário. Outro dia, conversando com uma conhecida, ela me contou que o seu filho estava em Israel fazendo um curso de liderança, ou coisa que o valha. Manifestei minha preocupação e ela simplesmente, numa boa, disse: “Não tem problema, ele está longe daquela bagunça, curtindo uma praia”. É por aí que a banda toca.
7 comentários para “Mãe judia”
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3 de janeiro de 2009 às 16:32
Razoável é o Hamas se esconder na casa de gente que não tem nada a ver com a guerra, não é?
Para os pacifistas de botequim: guerra cirúrgica, só na sala de operações do hospital.
O que é engraçado é que há gente que acha normal terroristas atacando israelenses e norte-americanos, como se um dos lados estivesse coberto de razão, ao contrário do outro.
Em que pese o exagero da reação de Israel, o Brasil se apressou em condenar os ataques na Faixa de Gaza, mas quando teve a oportunidade de condenar o apoio do governo do Sudão ao extermínio em Darfur, preferiu se abster.
Se é para ser uma Suíça quando dá na veneta do Sr. Celso Amorim, para quê cadeira no Conselho de Segurança da ONU?
Arafat nunca foi mocinho, Israel não é bandido.
Cada lado tem seus podres, mas condenar a intensidade dos ataques israelenses e ignorar a covardia dos terroristas do Hamas (e de todo terrorista, é claro) é uma bruta hipocrisia.
3 de janeiro de 2009 às 18:52
Caro Dias de Carvalho, concordo em gênero e grau em relação a Darfur, é um caso ainda pior do que está acontecendo na Faixa de Gaza, pois não consegue sensibilizar nem mesmo a imprensa. Mas, falando por mim, quando condeno um ato deste governo israelense não quero dizer que absolvo os atos do Hamas; não acho que Arafat era o mocinho, nem que Israel era o bandido, muito menos acho normal terroristas atacando israelenses e norte-americanos, ok? As razões desta guerra - se é que há razão para uma guerra, sou pacifista de botequim, sim, não acredito em guerra justa, para mim isso é uma contradição em termos - vêm de muitos anos, não há mocinhos nem bandidos nessa história, é claro, mas inocentes que estão morrendo (dos dois lados) por motivos vis. Você acha que Israel vai acabar com esta guerra promovendo um massacre?
Eduardo Souza Lima
P.S.: guerra cirúrgica pra mim é uma forma moderna de falar assassinato.
3 de janeiro de 2009 às 21:46
Caro Eduardo, gostei da sua argumentação.
Também sou contra a guerra. Quando falei em pacifistas de botequim, não havia me referido ao seu texto, caso tenha passado essa impressão.
Falei de “guerra cirúrgica” porque muitos poderiam pensar que os ataques ao Hamas poderiam ser feitos diretamente ao grupo, sem que milhares de pessoas pagassem o pato pela contenda entre palestinos e israelenses.
Toda guerra é estúpida. Mas estratégias militares são feitos as leis e as linguiças (vide Otto Von Bismarck).
E sobre quem condena Israel e ignora os atos do Hamas, não quis dizer que você pensa dessa maneira. Infelizmente, boa parte da opinião pública tende a ver a questão de forma maniqueísta, algo que seu texto certamente não é.
Do tipo: “sou anti-Bush, Chávez também o é, portanto sou pró-Chávez”. Esse pensamento bocó é pernicioso e não contribui para esclarecer coisa alguma.
Por fim, quando você me pergunta se acho que Israel acabará com o conflito com a Palestina com esse revide exagerado, responderei, com minhas palavras, o que ouvi do escritor Amós Oz, quando este foi entrevistado no Roda Viva: o conflito entre árabes e israelenses não deveria acabar feito uma tragédia de Shakespeare, com um massacre de parte a parte, mas como uma peça de Tcheckov, onde cada lado abre mão de parte de suas ambições e todos ficam resignados, porém vivos.
Ou algo assim.
Dias de Carvalho.
3 de janeiro de 2009 às 22:19
Muito bom, Dias. Seria bom se o fim viesse como vc falou. Creio que, para acabar com o ódio, só afastando os maus políticos (de ambos os lados) e tentado uma integração. Israelenses e palestinos merecem viver com dignidade. Vai haver uma eleição proximamente em Israel. Será que a ofensiva teve um pouco a ver com isso? De resto, acho que tb os palestinos deveriam eleger melhores líderes (se pudessem) e, sim, acho covarde a posição do Hamas. Eternizam o ódio por gerações e, pelo pouco que conheço, não parecem ter nenhuma perspectiva positiva. Me pergunto quais as propostas dessa gente se um dia a paz chegasse à Palestina. Acho que estão tão profissionalizados nesse terrorismo patriótico que não saberiam o que fazer com a paz. O triste é que essa guerra rende dinheiro para alguns. E quem realmente tentou a paz, na região, acabou assassinado.
6 de janeiro de 2009 às 8:08
Zé, gostei bastante do que vc disse ao Dias. Também fico angustiado vendo essa desgraça toda, a morte de centenas de pessoas. E também sou “pacifista de botequim”, ainda que não vá tanto a botequins quanto você… Pois é, penso que a guerra deve ser sempre a última das últimas alternativas, ainda que lembremos o tão citado exemplo: entre Chamberlain e Churchil, quem estava certo era o segundo - não havia alternativa senão ir para a guerra contra Hitler.
Acho porém que Israel, mesmo com todo seu poder militar, fica sempre numa sinuca de bico, porque também é cobrado em termos morais. Mas o que se deve fazer quando um vizinho com o qual vc até ontem estava tentando negociar a paz, fica jogando mísseis - mais ou menos potentes - e fazendo atentados? Acho que a solução passa por forte pressão internacional sobre os dois lados. E não dá mesmo para passar a mão na cabeça do Hamas. Pior é que o Hamas (não admite a existência de Israel) simplesmente matou todo o Fatah (aceita negociar a paz) em Gaza: os caras trucidaram umas mil pessoas. E parece que não estão se importando se como resultado de seus mísseis lançados contra o inimigo eles mesmos serão mortos.
Oremos.
6 de janeiro de 2009 às 11:12
Amigo Valter, o tema é bastante complexo, mas volta e meia ouço falar aqui no Rio que a solução para o fim do tráfico é o Exército invadir as favelas e matar indiscriminadamente. Há sempre um nazista de plantão nos botequins. É claro que pode-se argumentar que o Hamas foi eleito democraticamente na Faixa de Gaza - assim como a Carminha Jerominho foi democraticamente eleita aqui - e que, por isso todo mundo lá tem culpa no cartório.
O fato é que, com essa ofensiva, Israel criou mais umas três gerações de homens-bomba.
Oremos mesmo.
8 de janeiro de 2009 às 9:31
Pois é. O pior que os terroristas terão a quantidade multiplicada. Esse tipo de ataque de Israel não só é questionável (e reprovável) do ponto de vista ético, pelo uso de armamento pesado para caçar militantes em vielas (ainda que estes tenham seus QGs e mísseis), como também pode ser questionado como estratégia militar.
Sei que há o argumento de que Israel precisa responder aos ataques e para isso deve usar a força que tem disponível. Mas o fato é que, além de isso não resolver, pode ter efeitos piores para o futuro. Segue a corrente de transmissão da violência.