29 de dezembro de 2008
Isto era Hollywood
Por Arnaldo Branco
Finalmente li “Easy Riders, Raging Bulls”, livro sobre a Era de Ouro do Cinema. Zero pra você que chutou Nouvelle Vague e um mês de detenção pro pseudão ali que quis fazer um gênero dizendo Expressionismo Alemão. O livro fala da saga de Hollywood nos anos 70.
“Easy Riders…” narra o momento (meados dos anos 60, hippies e tal) em que os Estúdios perceberam que não entendiam mais o gosto do público e tiveram que passar o controle dos filmes para estudantes de cinema com pinta de descolê. Mais ou menos como as agências de publicidade agora, com os cool hunters e os blogueiros profissionais - só que sem nerds e com sexo, drogas e etc.
É claro que quebraram a cara depois de alguns sucessos, porque é uma temeridade deixar diretores tomar conta da produção - como exemplo doméstico temos o fiasco de O Guarani, de Norma Bengell, e Chatô, do Guilherme Fontes, que graças a Deus nem teve oportunidade de fracassar. Mas nos dez anos em que a festa durou - * “Bonnie & Clyde” (1967), + “Star Wars” (1977) -, Hollywood gerou grandes produções até a dupla Spielberg / Lucas descobrir o filão filme-para-toda-a-família e acabar com a era dos auteurs.
É claro que nem tudo foi obra-prima e algumas egotrips deram em Chatôs e Guaranis gringos, mas o ponto é que a cultura do blockbuster saiu vitoriosa não só nas bilheterias, mas na mentalidade do público: hoje existe uma tendência em segregar qualquer obra que exija algum esforço intelectual como cabecismo puro e simples.
Hoje o cinema para adultos perdeu eleitorado. Neste momento vários fóruns de discussão e redes sociais na internet estão cheios de participantes usando como avatar personagens de Watchmen, filme baseado em uma graphic novel que começa a ser exibido só em meados do ano que vem - no passado, para um filme ser objeto de culto, era de bom tom estrear antes.
Uma das coisas que deixa evidente o caráter infantil ou, dependendo da leitura, o homossexualismo latente desse filme - e de outros do mesmo naipe - é a importância que se dá às fotos de divulgação das roupas dos heróis. Dependendo do grau de fidelidade ao desenho original da história em quadrinhos, a boa recepção do público pode estar garantida, ou perdida para sempre.
Hoje em dia a entrega do Oscar de melhor figurino deveria fechar a cerimônia.
14 comentários para “Isto era Hollywood”
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29 de dezembro de 2008 às 15:20
[...] Branco dá uma palhinha sobre cinema na coluna desta semana. Você lê aqui. E amanhã tem o Fotodiário celular [...]
29 de dezembro de 2008 às 16:02
Eu entendo que a Nouvelle Vague seja o grande identificador de gente chata/pseudo/bunda-mole, mas porra, expressionimo alemão? Acho que a única coisa que o faz “segregado” é ser muito antigo e mudo, porque em todos os outros aspectos é pop, de fácil digestão, foda e genial, meio que nessa mesma vibe dos filmes da época que você citou! (Falando nisso, existe um termo para os filmes dessa época? “Era de Ouro” já tem dono…)
29 de dezembro de 2008 às 16:05
Errr… você realmente acha Truffaut e “O acossado” chatos/pseudos/bundas-moles?
29 de dezembro de 2008 às 16:14
Acho. A grande contribuição do Truffaut pra humanidade foi entrevistar o Hitchcock do jeito que fez.
29 de dezembro de 2008 às 16:59
Uau, isso é que é ter opinião!
29 de dezembro de 2008 às 17:31
E eu faço com maçãs, também!
29 de dezembro de 2008 às 17:39
Eu não duvido!
29 de dezembro de 2008 às 18:22
Esse papo de maçãs ficou meio erótico.
31 de dezembro de 2008 às 14:12
é chique não gostar de truffaut e bergman… é a nova inteligência. e veja que essas sim são as pessoas cool, de refinada ironia…
31 de dezembro de 2008 às 20:15
Falou mal de Truffaut pisou no meu calo. O que Os incompreendidos, A Noite Americana e O Homem que Amava as Mulheres têm de pseudo?
31 de dezembro de 2008 às 20:26
[...] 3) E minha coluna na Zé Pereira: Isto era Hollywood. [...]
7 de janeiro de 2009 às 3:23
“Uma das coisas que deixa evidente o caráter infantil ou, dependendo da leitura, o homossexualismo latente desse filme é a importância que se dá às fotos de divulgação das roupas dos heróis”
GÊNIO
7 de janeiro de 2009 às 3:39
Outro dia vi uma entrevista com o John Cleese e ele lembrava de um papo que teve com o proprio agente em que certo ponto da conversa, perguntou qual era o filme mais dificil de se vender. A resposta, seca: “Um original”.
Entao acho q o ponto especifico nao eh propriamente Spielberg/Lucas, mas algo q aconteceu logo depois…
Eh hora de ler o Down and Dirty Pictures, do mesmo Biskind.
9 de janeiro de 2009 às 8:45
os filmes de eric rohmer possuem uma baita simplicidade, podem ser considerados chatos mas não pseudo/bunda-mole
muito imbecil ela chamar para um entrevista só para atacá-lo e com um retórica tão besta de um filme sobre ficção. Mas não entendi aonde se relaciona com o texto, é pela parte das crianças e filme de ação?