2 de maio de 2010
Ingressos esgotados, desce o pano
BLOG, Cine PE 2010, Cinema
Cine PE consegue, em seu último dia, lotar completamente a casa
Por Dandara Palankof
Fotos de Alexandre Sá
Sandra e Alfredo Bertini ontem, muito provavelmente, lavaram a alma: depois do público surpreendentemente abaixo do esperado na noite de sexta-feira, a fila para a última sessão do XIV Cine PE era tão extensa que chegou até à área externa do Centro de Convenções. Segundo a apresentadora Graça Araújo, esse não foi apenas o maior público desta edição, como uma das maiores lotações de todos os festivais. Apesar de a fila e o burburinho realmente parecerem assustadores do lado de fora, a visão da sala do Teatro Guararapes completamente lotada era realmente impressionante. E o público, faço um mea culpa, se comportou de forma exemplar durante toda a sessão. Uma boa despedida, sem dúvida.
(Mas não para os jurados; chegou à equipe da ZP, por uma fonte extra-oficial, a notícia de que os filmes da última noite foram exibidos mais cedo para àqueles responsáveis pela premiação, no intuito de, sabe-se lá por que razão, adiantar os resultados. A mesma fonte deu a denominação ideal para o fato: “sessão H2O: sem gosto, sem cheiro, sem cor”; será que não houve, por parte dos jurados, nenhum protesto por serem obrigados a assistir aos filmes sem sentir as reações do público, um dos fatores mais importantes de um festival?)
A programação se iniciou com uma homenagem do Fórum dos Festivais, entidade que reúne vários eventos de audiovisual do país, à Edna Fuji, uma das mais ativas defensoras das políticas de expansão do gênero no país. O Fórum este ano desenvolve tais atividades em comemoração ao seu surgimento, há dez anos, no próprio Cine PE. Em seus agradecimentos, Fuji afirmou que quem ganha é o público pois, quando começou sua luta, o Brasil produzia dois filmes por ano; hoje, são cerca de setenta. E deixou sua torcida para que, no futuro, a exibição da maioria não fique restrita aos festivais.
Logo depois, as últimas apresentações de realizadores quer veríamos este ano; talvez por isso, o diretor Cláudio G. Fernandes tenha resolvido se demorar um pouco mais, aproveitando que estava em casa, coisa e tal; subiu com toda a sua equipe e, além de vários comentários aleatórios (como o excesso de bairrismo “todo mundo de Pernambuco, ninguém aqui é importado!”), disse coisas realmente relevantes, como o fato de que seu filme teve uma pessoa física como patrocinador (Antônio Milo Sobrinho), que doou seus 4% de impostos devidos. Na apresentação de “Geral”, a diretora Anna Azevedo (foto) comparou o Teatro Guararapes ao Maracanã - e, durante a sessão, teve gente que se entiu transportado para o Maior do Mundo.
No mais, Diego Benevides dedicou o filme (aproveitando o feriado do 1º de maio) aos eletricistas, assistentes, maquinaristas e motoristas, “sempre os primeiros a chegar e os últimos a sair do set”. E Tarcísio Lara Puiati, de “Homem-bomba”, fez um apelo para que seja aumentado o número de editais públicos para a realização de produções audiovisuais (sem se dar conta de que, no momento, talvez seja muito mais relevante a discussão de se criar um mercado para que as atuais produções possam ser cada vez mais vistas).
Na volta do intervalo entre as sessões, a última homenagem do festival: agora ao ator Tony Ramos. No vídeo, com entrevistas e trechos de filmes e novelas, Tony afirmava que se tornou ator por conta da grande admiração à Oscarito. E foi aplaudido de pé (sem a menor impressão de protocolo) quando subiu ao palco para que recebesse sua Calunga de Ouro das mãos da atriz Beth Mendes e para que, segundo a sempre-cheia-de-Graça Araújo, pudéssemos “ver a carinha linda dele”.
Tony prometeu ser breve; e não o cumpriu. Mas foi agradável o tempo todo, e mostrou-se sinceramente emocionado. “Mesmo depois de 46 anos de carreira, ainda me cabem essas pequenas emoções”, disse. E seguiu afirmando que sabia, claro, que tinha uma carreira de sucesso e que era um artista popular (algo do que, repetiu algumas vezes, tem muito orgulho); mas que não acreditava em títulos como “o melhor”, ou “o maior”. Nisso, citou a colega Fernanda Montenegro, que compara a profissão de ator à de jogador de vôlei, que se reveza entre cortar as bolas e levantar para que outros o façam. E que sendo assim, o sucesso deve ser saboreado devagar, com a consciência de que os equívocos também fazem parte da caminhada. Para finalizar, dividiu a honraria com a esposa Lidiane, e com todo o público. “Infelizmente, não posso atender todos lá fora, tirar foto com todo mundo… mas posso dividir essa alegria com vocês nesse momento”, concluiu.
Logo depois, para encerrar a noite, o diretor Sérgio Machado subiu ao palco para apresentar seu “Quincas Berro D’Água”, exibido fora de competição. Junto do protagonista Paulo José (que chegou, desfilou e saiu do Centro de Convenções sempre cercado de seguranças, sabe lá Deus porquê; só posso imaginar que seja por conta da saúde delicada do ator), de parte de seu elenco coadjuvante (os excepcionais Flávio Bauraqui, Irandhir Santos e Frank Menezes) e de seu produtor Maurício Ramos, Machado pouco falou. Coube à Ramos uma das declarações mais divertidas ao olhar a sala abarrotada de espectadores: “Isso aqui é a Bombonera do cinema nacional!”. E Paulo José, bem-humorado e que acabou recebendo do público uma homenagem espontânea ao ser aplaudido de pé, dedicou a sessão “ao maior stand-up comediant do Brasil; ainda que ele não faça stand-up comedy”: Tony Ramos, tendo seu lado piadista revelado pelo colega.
O Cine PE 2010 terminou, então, em uma agradável sessão de “Quincas (…)”, com o público gargalhando durante quase toda a projeção e aplaudindo entusiasticamente ao seu final; mas se para eles o festival terminou ali, para nós e para você, leitor da ZP, ainda tem mais: amanhã você confere como foi a cerimônia de premiação e encerramento oficial, quem levou as Calungas (e se foram merecidas) e o último filme de verdade: “Continuação”, doc sobre o músico pernambucano Lenine.
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2 de maio de 2010 às 17:11
as fotos estão ótemas. :)