14 de setembro de 2009
Humor: como reconhecer
Por Arnaldo Branco
Às vezes leio abismado alguns comentários no espaço abaixo da coluna. Por mais que os textos reflitam minha opinião (por dinheiro topo também refletir a de outrem), toda argumentação é desenvolvida em função do efeito cômico. Se objetivo não é alcançado, outra história, mas séria não é.
Isso não impede que vários carinhas venham argumentar contra parábolas, ironias e mistificações como se cada uma delas traduzisse ao pé da letra o modus operandi da minha mente delirante. Ou talvez seja um jeito de ganhar a discussão, discordar de idéias extremamente caricatas para ganhar no quesito aparência de sensatez.
Ainda não atingi o nível de incompreensão que o Chico Barney conseguiu com esse texto humorístico tomado como tese de doutorado por seus comentaristas irados, mas muitas vezes chego perto. Portanto resolvi escrever algumas dicas para leitores que têm dificuldade em reconhecer humor. Ei-las.
Generalização: toda vez que leio alguém reclamando de generalização, imagino um sujeito de camisa do Vasco, bigode, boina, tamanco e lápis atrás da orelha ouvindo uma piada de português e dizendo “mas você está a generalizaire!”. Humor é generalização, amiguinhos, se não fossem os preconceitos e o mínimo denominador comum até o Tom Cavalcante estava desempregado.
Exagero: se não estiver em um editorial da Folha de São Paulo, o exagero é um recurso usado para realçar um detalhe importante do que se quer satirizar. Reclamar de uma hipérbole é um pouco como implicar com o Chico Caruso porque o Gabeira não tem todo aquele narigão.
Ironia: o recurso da ironia foi atrapalhado pela invenção de emoticon. Antes era preciso algum engenho para construir um texto de maneira a fazer o público entender (tirante os analfabetos funcionais, claro) que a intenção era defender a idéia diametralmente oposta. Agora, para evitar que tomem ironia como dissertação é preciso um
Uma pena que não funcione por via oral; em cantadas e cerimônias de posse mormente.
A persistirem os mal-entendidos, o colunista deve usar um desses:
17 comentários para “Humor: como reconhecer”
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14 de setembro de 2009 às 9:52
[...] Em sua coluna desta semana, o Arnaldo Branco dá uma colher de chá pro leitor e o ensina a entender uma piada. Leia aqui. [...]
14 de setembro de 2009 às 10:27
BOM TEXTO!!!!
Já vou ler.
14 de setembro de 2009 às 10:31
That’s a good one
14 de setembro de 2009 às 12:08
Eu já cheguei a usar tags //SARCASMO// cercando o texto, mas não adiantou.
O pior mesmo são os explicadores de piadas. Assumem SEMPRE que o humorista é mais burro que eles e não sabe do que está falando.
14 de setembro de 2009 às 12:12
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » Humor: como reconhecer http://www.revistazepereira.com.br/humor-como-reconhecer – view page – cached Às vezes leio abismado alguns comentários no espaço abaixo da coluna. Por mais que os textos reflitam minha opinião (por dinheiro topo também refletir a de outrem), toda argumentação é desenvolvida em função do efeito cômico. — From the page [...]
14 de setembro de 2009 às 12:16
/\ Você quis dizer: Kibeloco
14 de setembro de 2009 às 12:36
Muito bom! E ainda acaba com Kids In The Hall!
14 de setembro de 2009 às 12:52
Cara, só em ter resgatado os Kids in the hall, valeu o post!
Mas falando sobre a falta de compreensão dos internautas, fica evidente a completa e total ausência de uma segunda leitura com relação ao que “interpretam”. Ninguém vê as entrelinhas, ninguém percebe o que está além das palavras. Etamos cercados de mentes unidimensionais e isso é grave.
14 de setembro de 2009 às 13:49
Uma amigo uma vez defendeu a idéia de se sinalizar as ironias nos textos para a Internet. Evidentemente que deixa de ser ironia assim. E ele dizia que na liguagem falada existe certa flexão vocálica que indica a ironia. Como se a ironia nunca tivesse ocorrido em linguagem escrita antes da Internet.
Algo
14 de setembro de 2009 às 13:57
Uma amigo uma vez defendeu a idéia de se sinalizar as ironias nos textos para a Internet. Evidentemente que deixa de ser ironia assim. E ele dizia que na liguagem falada existe certa flexão vocálica que indica a ironia. Como se a ironia nunca tivesse ocorrido em linguagem escrita antes da Internet.
Acho que nunca passei tanta vergonha alheia quanto lendo estes comentários:
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8867171594439684896&postID=7145613519417090903&pli=1
14 de setembro de 2009 às 14:10
A @anafreitas se não me engano tem um selinho em determinados posts dizendo “este é um post de humor” ou coisa parecida. Tá ficando difícil né?
14 de setembro de 2009 às 17:33
Outra alternativa seria colocar no final: BRINKSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
17 de setembro de 2009 às 12:39
Lembro de um texto altamente sarcástico do kentaro mori, zoando teorias ocultistas sobre a construção das pirâmides. então entraram em cena os “céticos-de-inteligência-altamente-desenvolvida” criticando o kentaro por ter “passado para o lado de lá”.
17 de setembro de 2009 às 13:45
caralho, essa do emoticon é genial, cara.
Mas, na últimas semanas, ler os comentários estava mais engraçado do que ler a coluna mesmo.
17 de setembro de 2009 às 14:44
Preferia um texto sobre salsichas.
17 de setembro de 2009 às 14:47
Sempre disse que quando eu crescer quero escrever igual a você.
O maior problema, jornalista que sou, é que ninguém me publicaria… fueda…
[a primeira frase é literal e sem sarcasmo. a segunda tem um pouco. só para ficar claro...]
12 de outubro de 2009 às 9:46
Cara, há quanto tempo eu não via The Kids in The Hall. Brilhante!