11 de agosto de 2008
Home of the brave, land of the free
Por Arnaldo Branco
As pessoas chamam a internet por extenso de “Território Livre da Internet”. Bem, pelo menos o Ancelmo Gois chama. OK, mau exemplo de pessoa. A Coréia do Norte também se chama República Popular Democrática da Coréia, e tente dizer o contrário para o Kim Jong-il. Assim como na Coréia, na internet uma opinião divergente não pode passar impune. Uma idéia na internet vive em um Estado Policial, acossada por vigilância constante. Experimente soltá-la sozinha em um blog ou lista de discussão, a coisa é pior que o Gueto de Varsóvia depois do toque de recolher. O debate Online tem regras de etiqueta bastante sutis. Por exemplo: se alguém faz uma crítica é democracia, se você responde é ditadura. Crítica na internet é como cartão amarelo, melhor receber calado - senão vão te acusar justamente de não aceitar críticas. É complicado, só vendo. Outra: coerência não é pré-requisito. Você pode acusar alguém de covardia anonimamente, ou morar com a mãe aos trinta e tantos e usar o computador dela para chamar alguém de loser. Também é de bom tom ameaçar dar porrada mesmo que o autor da ameaça não more no mesmo estado que o ameaçado, ou não tenha disposição para comaparecer se forem vizinhos. Chamar para a briga no tal “Território Livre” por algum motivo estranho é o equivalente a ganhá-la. A internet é o futuro, ou pelo menos uma versão beta do futuro, já que a tendência é que em pouco tempo tudo esteja conectado num sistema complexo de gadgets intercomunicantes, e nem quero imaginar as tragédias causadas por vibradores com acesso direto à rede. E pelo menos no que tange as regras de civilidade, o futuro é a volta à barbárie.
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