8 de julho de 2009
Frevo do cão
BLOG, Música
Por Toinho Castro
Ouvi a Orquestra Frevo Diabo pela primeira vez em dezembro de 2008, num bar de Botafogo, o Cinemathéque. A noite começou com a apresentação de Armando Lôbo, músico e compositor pernambucano, caro amigo dos tempos do Recife, e terminou justamente ao som da Frevo Diabo, da qual ele faz parte. Lembro bem porque naquela noite começou meu romance com Raquel, que um ano depois decidiu-se por deixar o Recife e morar no Rio de Janeiro, comigo, numa rua de Laranjeiras. Somos felizes.
Outro dia, passando em frente a loja de discos do bairro, dei de cara com o disco “Frevo Diabo” na vitrine, o registro da alegria pernambucana que escutei cheio de surpresa naquela noite de fim de ano. Recomendo sem medo esse belo exemplar da música brasileira, pela representatividade de tanta música que ali se encontra, pela oportunidade de ouvir músicas como “De chapéu de sol aberto”, do mestre Capiba e o “Frevo de Itamaracá“, de Edu Lobo. Enfim, pelo painel que desenha de um ritmo que, no final das contas, é pouco escutado e sobre o qual também pouco se fala.
É um trabalho que tira o frevo desse espaço pequeno que se chama “música do carnaval de pernambuco” e o exibe na sua contemporaneidade e vigor de música viva, cheia de possibilidades novas. Música para ouvir e compartilhar, executada por músicos que, definitivamente, sabem o que estão fazendo, o que estão tocando. Isso fica claro nos arranjos, na escolha cuidadosa do repertório e na própria decisão de fazer um disco de frevo e faze-lo com essa qualidade.
Há tempos não compro discos, mas tratei de comprar o “Frevo Diabo”, provando o gosto renovado de um velho hábito. É bom saber que o finado mercado fonográfico ainda nos reserva delicadezas como essa, que faz lembrar os velhos tempos em que entrar numa loja de discos era uma coisa especial. E como não se pode ficar longe das coisas novas do mundo, dos novos meios, das internets e celulares e outras coisas que não existem, não deixe de visitar o Myspace da Frevo Diabo, onde você poderá ouvir músicas do disco e acompanhar a agenda de shows da orquestra.
O disco faz parte da minha trilha sonora com Raquel e só por isso já seria bom. Mas ele vai muito além com méritos próprios, que você, caro leitor, poderá facilmente reconhecer quando escutá-lo. Aceite então esse convite para entrar no frevo e escuta-lo como música brasileira, como vida brasileira.
3 comentários para “Frevo do cão”
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8 de julho de 2009 às 17:12
Lembro de quando o show começou ter pensado “ué, dá pra fazer frevo desse jeito?”
Ah… aquele fim de ano… <3
8 de julho de 2009 às 17:37
E viva o frevo! De multidões, alegrias e delicadas sinfonias. Vou conferir!
6 de agosto de 2009 às 6:48
[...] Lôbo, músico e compositor pernambucano, caro amigo dos tempos do Recife, … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]