30 de junho de 2009
Fotodiário celular HK LX
BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK
Por Henrique Koifman
Fotografia é, basicamente, usar a luz para copiar (e guardar) cenas que enxergamos. A definição, claro, é uma entre dezenas. E se a luz é ferramenta, é também – e antes – ingrediente da própria cena, de cada momento. De sua ausência, que nos mergulha em mistérios (e, dependendo da circunstância, em medo), a sua abundância, que pode ofuscar e dissimular tão bem ou melhor que a penumbra. Não, não se preocupe, não vou usar esse espaço para exibir erudição (que não tenho) ou filosofar rasante num campo em que mestres – como Roland Barthes, que ainda por cima escrevia muito bem – já nos fartaram. Melhor, paro com esse assunto e esse tom nesta linha, agora. Juro que o palavrório era só para introduzir as fotos desta edição do Fotodiário, nas quais a luz me parece saltar ao olhar.
A primeira delas foi feita no sábado da semana anterior, quando levei o carro para colocar pneus novos. Achei a lanterna traseira – com a luz de freio acesa e reflexos da paisagem – bem interessante. Quase ao lado, o sol da manhã (eram 8h, por aí) realçava o relevo da tampa de um bueiro. No domingo à noitinha, fui buscar o caçula numa festa no Clube dos Macacos e descobri um grupo dançando tango no salão iluminado.
Já na segunda de manhã, contornando o Passeio Público a caminho do trabalho, registrei o sol do inverno vazando a névoa e as copas das árvores do jardim. Na volta para casa, na Rua do Catete, fotografei outra cena em contraluz, em frente às vitrines de um grande magazine. A névoa densa – novamente – deu o tom à manhã de terça. Do Mundo Novo (fui dar uma caminhada pensando em ver o mar), tudo o que se via do Pão de Açúcar era seu cocuruto, emergindo de uma nuvem balofa que deixava em branco toda a enseada de Botafogo. Mais adiante, na Belisário Távora, passei por esse reluzente fusca dourado, emoldurado por pedras do muro e da pista.
Na quarta à tardinha, na saída do metrô de Botafogo, uma senhora preparava churrasquinhos perfumados (não, não provei). Pouco depois, numa paradinha para um café com broinhas com a namorada, fotografei pai e filho do lado de fora da vitrine, esperando por uma mesa. Já dia seguinte, em outro lanche à tarde, só que no Centro, notei que as fatias de bolo de milho (esse eu provei, estava ótimo) pareciam destacadas, iluminadas na vitrine do balcão da padaria. No fim do dia, fui à inauguração da exposição de fotografias de meu amigo Chico no Museu do Folclore, no Catete. Na sexta, passando pela Travessa do Comércio, percebi que a porta de um dos sobrados estava decorada para as festas juninas.
A vitrine – com Bogart e Bergman deslocados de Casablanca para o Rio – é da loja do Espação, em Botafogo; o prato colorido com “comida de criança”, de nosso jantar de sexta, aqui em casa; o guarda-chuva com nuvem e gotas d’água estava na mostra de artes dos alunos Sá Pereira.
3 comentários para “Fotodiário celular HK LX”
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5 de julho de 2009 às 21:38
[...] amanhã tem Fotodiário celular HK; quarta, Bolo de Rolo; quinta, Luce; e sexta, [...]
13 de julho de 2009 às 13:18
[...] Alguém ainda agüenta ouvir sobre “as possibilidades da grande rede”? Bem, Arnaldo Branco pega carona no papo de um certo jornalista ítalo-americano e nos fala de meios e mensagens. Leia aqui. Amanhã, não percam o Fotodiário Celular HK. [...]
20 de julho de 2009 às 18:29
[...] uma velha mania nacional: deixar o fracasso subir à cabeça. Leia aqui e não perca: amanhã tem Fotodiário celular HK; quarta, Bolo de Rolo; quinta, Luce e sexta, [...]