25 de fevereiro de 2009
Folia em Sacopenapã
BLOG, Carnaval 2009
Por Luiz Bello
Nostalgia, só pra quem é morador antigo do bairro. Os calçadões da Avenida Atlântica estavam lotados de gente jovem, de todos os lugares do mundo, curtindo emoções baratas nas esquinas com nomes de heróis. Bandas e blocos, ilustres desconhecidos, saíam da Santa Clara, do Leme, da Souza Lima e de outros lugares ainda não destacados pela mídia carioca. Seguidos por 200 ou dois mil foliões, desfilaram por algumas quadras da Avenida Atlântica e voltaram ao ponto de partida, que virou ponto de azaração até a madrugada.
Vários albergues na Zona Sul, como o da Travessa Frederico Pamplona (perto da Rua Pompeu Loureiro) abrigaram uma rapaziada vinda da Europa ou dos EUA, que curtia cada besteira aprendida no português e saía cantando pelos blocos menos cotados. Copa sempre teve gringos, é claro. Aquele hotel mundialmente famoso foi um dos primeiros edifícios construídos no bairro, e até a santa que lhe dá nome foi importada. Mas entre os turistas de agora são cada vez mais numerosos os jovens de ambos os sexos que vem atrás de uma cidade, e não das putas que lhes atravessem o caminho. Freqüentam supermercados, andam de ônibus e se parecem bastante com a classe média do Rio, exceto pelo idioma.
Na frente da Help e de alguns restaurantes da área, as profissionais caprichavam no visual e na alegria, com a companhia cada vez mais ostensiva dos profissionais, que fazem parecido pela mesma quantia. Gringos e gays completavam a tribo. Tudo bom e bem comportadinho, ou o antigripal que eu tomei bateu legal. No entorno, em cada espaço vazio, artesãos vendendo quadros, bijuterias, bolsas e camisetas, camelôs vendendo penduricalhos luminosos (a moda era um arco com chifrinhos azuis ou vermelhos que piscavam até acabar a radiatividade) e os isopores da cerveja.
Jovens mineiros, paulistas, sulistas e suburbanos também andavam no calçadão, com adereços de camelô, latinhas na mão e um sorriso na cara, felizes só por estarem ali, em Copacabana. É quase como estar na TV. A roda gigante no final da praia reforça a atmosfera de sonho. Os quiosques moderninhos, desenhados pelo Índio da Costa, estavam animados e seus banheiros ajudaram bastante a manter um certo clima de civilidade. Na areia, casais e grupos, patrulhados por uma polícia equipada com aqueles quadriciclos de rodas largas. Crianças estreando brinquedo novo. A Comlurb também desfilava pela areia com suas novas geringonças e eu espero que todos esses entusiasmados servidores públicos não tenham atropelado nenhum bêbado.
As velhinhas de Copa, donas da casa, estavam em clima de Cordão da Bola Preta. Queimadas de sol, com bermudas e adereços carnavalescos, pareciam mais em forma do que eu, e dançavam ao som do que estivesse tocando: trance, funk ou fragmentos de alguma bateria recém desmobilizada.
Na volta, pertinho da minha rua, uma pequena branca de neve saltitante passa por mim e para na portaria de seu prédio. Antes que eu faça alguma piada com maçãs, beijos e príncipes (ou, quem sabe, anões?) ela chama pelo porteiro e entra em casa, segura e faceira, levando um pedacinho do meu coração de folião cansado. É isso aí, Zé. Existem praias tão lindas e cheias de luz…
Um comentário para “Folia em Sacopenapã”
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28 de fevereiro de 2009 às 0:47
Bom, muito bom cara!
Que alento ler um texto desses depois de ser exposto às cartas dos leitores reaças do Globo…
Evoé Copacabana!