11 de outubro de 2009

FIQ extravaganza!

BLOG, FIQ 2009, Quadrinhos

Uma verdadeira maratona: painéis do quadrinho alemão aos scans, passando por Lanterna Verde e Rafael Grampá. E o grande nome da noite, Craig Thompson, que além de seu painel, ainda nos deu uma entrevista. Assim como Eddie Berganza

Por Dandara Palankof
Fotos: Rose Lima

Sábado foi, sem dúvida, o auge deste 6º Festival Internacional de Quadrinhos. É bem difícil que os dois dias que restam do evento consigam repetir todas as condições que contribuíram para tanto: primeiro, depois de um dilúvio e várias chuvas ameaçadoras, São Pedro deu uma trégua. Segundo, o público compareceu em massa durante todo o dia, lotando galerias e painéis. Terceiro, este foi o dia de programação mais intensa.

Que começou logo cedo, às 9:30h, com a avaliação de portfólios por Eddie Berganza (foto), editor-sênior da DC Comics, auxiliado pelo desenhista Joe Prado. O teatro João Ceschiatti ficou reservado apenas para os avaliadores e os candidatos à próximo grande nome dos quadrinhos, mas nos foi permitido dar uma rápida espiada: artistas nervosos e um Berganza detalhista e amigável, se demorando em cada página e identificando pontualmente os pontos fracos e fortes de cada trabalho. Não à toa, a avaliação, que deveria ter acabado às 11:30h, seguiu até as 13h.

Emendando com a primeira conversa do dia, com o quadrinista alemão Jens Harder. Desta vez sozinho, Harder focou-se especificamente em seu trabalho, fazendo um apanhado de seus últimos trabalhos, como a reportagem em quadrinhos sobre Jerusalém, feita em parceria com outros dois quadrinistas alemães e três de Israel, em uma espécie de intercâmbio. Novamente falou de “Alpha”, que conta a história do mundo até o surgimento da humanidade, primeira parte de uma trilogia; “Beta”, sobre a história da humanidade, que será concluída em 2012 (por coincidência, segundo o autor), e “Gama”, as visões de um mundo futurístico.

Harder contou que a maioria de seu trabalho é publicado primeiro na França (sua editora é a mesma que publicou o “Gênesis” de Robert Crumb por lá), dado que o mercado alemão começa agora a se abrir; “Alpha”, por exemplo, só será publicado lá no ano que vem. Disse também que o projeto nasceu de seu fascínio por livros científicos sobre o assunto, mas que sempre os viu como quadrinhos. Para aumentar a sensação de progressão, o tom da cor das páginas sofre um acréscimo gradativo. Quase sem diálogos e visualmente impressionante, uma boa pedida para diversificar as obras estrangeiras disponíveis no Brasil. Editoras, atenção.

Talvez o momento mais nerd do dia (e novamente cheio de piadas internas e risadas), Berganza e Prado, Ivan Costa, Ivan Reis e Eddy Barrows voltaram à mesa, às 14h, para falar do grande evento da DC este ano: “Blackest night”, saindo do universo do Lanterna Verde e envolvendo todos os heróis da casa. Berganza contou que o diferencial para esta saga é a intenção de estruturá-la de forma que o interesse seja crescente e não ser apenas mais uma mega-saga. “É um novo conceito de saga, mescla vários estilos, do super-herói clássico ao terror, à ficção científica”, completou Reis.

O editor ressaltou a total desinformação dos fãs, frisando que todas as especulações que surgiram estão erradas, e também dos desenhistas, que não tem nenhuma informação privilegiada. Mas Prado, responsável pelo design dos personagens, disse que já criou cerca de 85 Lanternas Negros e recebeu a “encomenda” de mais 12 enquanto estava em Belo Horizonte. Várias outras perguntas sobre o futuro da história, é claro, não foram respondidas. E sobre a declaração de Alan Moore de que “Blackest night” é plágio de uma história sua escrita há 20 anos, Berganza se limitou a responder que “nenhum dos elementos da nossa história existem na dele; ele é brilhante e tem o direito à sua opinião, mas provavelmente nem leu nada.”

Logo em seguida, às 15h, chega Rafael Grampá, quadrinista desta nova geração brasileira a conquistar reconhecimento internacional. Em tese, a conversa deveria girar em torno do tema Cenas de Ação, mas é claro que acabou se tornando mais geral. Comentou que sua segurança no uso da linguagem vem de sua experiência como animador e do fato de ser bastante observador; que decidiu viver só de quadrinhos aos 27 anos quando, pediu férias e logo depois se demitiu (“Ótimo negócio, façam isso!”); e que o Eisner concedido à coletânea “5” (com Fábio Moon & Gabriel Bá, Becky Cloonan e Vasilli Lolos) foi uma grande surpresa, mas que proporcionou à seu gibi “Mesmo Delivery” já nascer com “pedigree”.

Perguntado se sente a pressão de ser “o novo queridinho dos quadrinhos”, Grampá respondeu que só é queridinho da namorada. “Eu não faço rock n’ roll, faço quadrinhos; não faço as coisas pensando em loiras me buscando na balada, ou em prêmios pra ganhar”. Também comentou sobre a adaptação cinematográfica de “O dobro de 5” (de Lourenço Mutarelli), projeto para o qual fez todo o design. “O projeto tá engavetado, por falta de grana. Porque se for pra fazer, tem que ser bom, não vou fazer se for feito novela da Band.” Segundo ele, houve até interessados, como a Fox (“Nem sei se eu podia dizer isso!”), mas o alto custo atrapalhou os planos. A idéia agora é introduzir a obra de Mutarelli no mercado internacional para chamar a atenção de possíveis investidores.

Também contou que tentou entrar no mercado, primeiramente, desenhando super-heróis, e enviou seus trabalhos à uma agência de artistas brasileiros no exterior; mas como resposta, recebeu apenas uma carta-padrão. “Fiquei bem desestimulado, e ainda por cima, depois vi uns trabalhos duns caras que eles agenciavam e eu podia fazer bem melhor que aquilo! E aí eles me mandam cartinha-padrão? Fiquei muito puto, e resolvi fazer minhas coisas”. Mas que no fim das contas foi melhor, e que provavelmente não estaria gostando tanto como em fazer suas próprias criações.

Apenas meia hora depois (15:30h, não perca as contas da maratona), Cris Peters e Rod Reis apareceram para falar sobre o trabalho de colorista. Peters é independente e trabalha para várias editoras americanas, inclusive as grandes, enquanto Reis (que fazia a série brasileira “Holy Avenger”) hoje é exclusivo da DC Comics. Ambos ressaltaram a importância da relação com o desenhista durante o processo de colorização: “O Grampá, por exemplo, sempre tem algumas idéias sobre como tratar o material”, disse Peters.

Sobre a diferença que as vezes se dá entre a cor que se vê na tela do computador durante o trabalho, e o resultado final depois de impresso, Reis afirmou que já passou muito por isso no início de sua carreira: “É vital que você vá estudar composição de cores, e vá treinando seu olho. E ter certeza de que seu monitor está configurado da forma correta, claro”, disse. E falou sobre o onipresente assunto do mercado, colocando que para um colorista é muito mais difícil viver apenas desta atividade no Brasil: trabalhar para fora acaba sendo essencial.

Perguntados sobre a colorização manual, Peters disse que ela é inegavelmente melhor do que a digital, além de proporcionar a rentabilidade da venda de originais. “Mas é um processo muito mais lento; não serve para o mercado de hoje”, concluiu. E fechou a mesa ao dizer que uma arte ruim nunca vai poder ser salva pela colorização: “Você nem mesmo se sente inspirado a fazer o trabalho”.

Pouco depois das 16:30h, o franco-canadense Guy Delisle veio relatar um pouco mais de sua experiência como quadrinista. Aproveitou para apresentar amostras de seus trabalhos em um projetor, não apenas os de quadrinhos, mas também algumas animações (Delisle começou sua carreira nesta área, mas não quer mais saber dela; só dar uma olhada na entrevista que a ZP fez com ele aqui no FIQ), todas feitas à mão; ressaltou que o melhor das HQs é a liberdade de criação que não se encontra em qualquer outro meio. Mas que, como muitos, não havia se imaginado vivendo disso um dia.

Guy mostrou também um pouco do material que usou como referências para suas histórias, como fotos dos países por onde já passou (Coréia no Norte entre eles). Perguntado sobre se há alguma intenção jornalística em seus trabalhos, já que passou por países comunistas e há nas obras certo teor político, Delisle afirmou que não há nenhuma intenção neste sentido. “Fui para estes países à trabalho, já que a França produz suas animações com custos menores nos países asiáticos, e acompanhando minha mulher, que é médica de uma organização humanitária; e organizações assim não vão para a Suíça ou o Japão”, brincou.

Contou ainda que alguns dos nativos dos países retratados lhe deram algum retorno, menos na Coréia do Norte, por motivos óbvios; mas que na Coréia do Sul houveram leitores. Assim como um casal de birmaneses que ele encontrou em Paris. “Todos eles me disseram estar felizes de serem retratados de forma não caricatural”, conta o artista.

Um dos debates mais acalorados da noite surgiu na mesa seguinte (18h e contando!), da qual participaram Amauri de Paula (responsável pelo site Acervo HQ, onde existem obras para download totalmente legalizado), o jornalista Sidney Gusman (do Universo HQ e responsável pelo planejamento editorial dos Estúdios Maurício de Sousa) e o quase onipresente Joe Prado. O tema? Os amados e odiados scans de quadrinhos.

Prado afirmou ser essencialmente contra, assim como Gusman, por prejudicar o autor que basicamente ganha por royalties de venda. “Não dá pra comparar com música, que hoje em dia das dinheiro com shows; vai trazer o Prado e o Grampá pra fazer um show?!”, brincou o jornalista. Mas Prado colocou que também conhece leitores que baixam o gibi para depois comprá-lo. Independente disso, afirmou que o processo da popularização deste meio é irreversível. Gusman colocou que as editoras, então, terão que se adaptar, mas não estão buscando alternativas enquanto elas ainda são viáveis. “São preguiçosas pra tudo, até pra mudar o modelo de mercado. Enquanto isso, os Estúdios Maurício de Sousa, que sofrem pouquíssimas perdas com scans, já estão pensando em como se apropriar deste novo meio de distribuição.”

Muitas questões foram colocadas, como a necessidade contemporânea de se precisar ter acesso à tudo que é lançado, seja na área que for, além de várias sugestões de utilização desta ferramenta de forma rentável. A única conclusão (além de que as editoras deviam começar a buscar soluções, freqüentando festivais e ouvindo os leitores, por exemplo) é a de que a única coisa que o leitor de gibis não quer é ficar sem gibis; e que portanto, o modelo de consumo deve ser pensado por todos.

E por fim, às 19:30h, os heróis da resistência foram brindados com a presença da estrela da noite: Craig Thompson. Autor do aclamado gibi autobiográfico “Retalhos”, recém-lançado pela Quadrinhos na Cia. (selo da Cia. das Letras), Thompson é de uma simpatia extrema, mas estava visivelmente nervoso no início de seu painel. Só que o jogo já estava ganho: praticamente todos os presentes que lotaram o teatro tinham em mãos uma cópia de seu livro (inclusive esta feliz signatária).

E assim ele começou a falar de sua maior obra, ganhadora de prêmios como o Eisner (melhor álbum gráfico e melhor escritor/desenhista) e o Harvey (melhor artista, melhor álbum gráfico original e melhor cartunista). Quando perguntado se havia pensado “Retalhos” como um gibi que transitasse entre todos os públicos, respondeu que não tinha um público específico em mente, mas que se frustrou com o segmentado mercado americano. Ainda assim, vê as HQs como um meio possuidor de grande apelo.

Claro, a clássica pergunta sobre as influências. “Will Eisner, com certeza. Mas também muitos cartunistas franceses e artistas expressionistas”. E, para alguém mais conhecido por uma obra na qual revela detalhes da própria vida, obviamente vem a pergunta: não ficou receoso ao se expor dessa forma? “Quando comecei ‘Retalhos’, eu não tinha uma base de leitores, então nunca imaginei que tanta gente ia acabar lendo”, contou o cartunista. “’Retalhos’ foi uma narrativa sobre o passado; com a produção de diários de viagem, em que ia fazendo ao longo da vivência, fui ganhando mais consciência do que mostrar e do que omitir. Mas quando faço uma história, não sinto que estou desenhando a mim mesmo, e sim um personagem.”

A questão da religiosidade opressiva está presente na história, e Thompson contou que ela foi sim parte do processo de superação dos dogmas que lhe foram impostos desde a infância; mas que achou que a realidade dos costumes religiosos de uma comunidade quase rural do interior norte-americano fosse algo com que poucos iriam se relacionar. E acabaram por perguntar se Thompson ainda crê em Deus. “Acredito, sim, mas de uma forma mais agnóstica; como se fosse algo tipo A Força, de ‘Guerra nas estrelas’, ou uma viagem psicodélica de cogumelo”, disse, arrancando risadas da platéia.

O cartunista disse ainda que a produção do livro o reaproximou do irmão, cuja distância ao longo da adolescência após uma infância unida é um dos temas da obra. E que ele ficou muito satisfeito com o resultado. Ao contrário de seus pais, que demoraram cerca de seis meses até fazerem o primeiro comentário. “Fizemos uma viagem de carro de 6h, e finalmente meu pai começou dizendo que eu não tinha nada de especial, que a infância dele havia sido muito mais dura que a minha, e que eu não tinha o direito de tornar pública as nossas vidas”, contou Thompson.

“Mas minha mãe ficou brava de uma forma mais espiritual: disse que eu ia pro Inferno. Quando eu disse que não acreditava no inferno, eles começaram a rir e perguntaram como eu poderia, então acreditar no Paraíso”, continuou. “Quando eu disse que também não acreditava no paraíso, ela mudou o tom do riso pro choro e me perguntou que esperança nós temos, então. Eu disse que inferno e paraíso são experiências que temos aqui mesmo, na Terra, e que devemos procurar as pequenas belezas desta vida. Daí ela não entendeu e EU fiquei triste. Depois disso, meu pai me propôs criar os VegiTales, uma espécie de vegetais evangelizadores…”

Entrevista – Eddie Berganza

Depois de dar toda a atenção aos candidatos a futuro desenhista da DC Comics, um atencioso Eddie Berganza, envergando uma camiseta do Lanterna Verde, sentou-se conosco para uma rápida conversa.

Você já esteve no Brasil algumas vezes para ver portfólios de artistas desconhecidos. O que você achou de melhor?
Bom, com certeza os que contratei (risos). Os desenhistas com que mais trabalho são brasileiros, e eles tem essa qualidade realista. Principalmente depois de 11/09, os desenhistas americanos se voltaram mais para o traço de estilo japonês.

Como é para a DC Comics apostar algumas de suas maiores fichas em desenhistas brasileiros atualmente?
Nós confiamos muito neles. Nada se perde na tradução, e é incrível como eles conseguem fazer tudo aquilo parecer real, não importa se é Metrópolis ou Nova York.

Alguns dos maiores artistas brasileiros, como Ivan Reis e Ed Benes têm traços semelhantes, mas pessoas como Renato Guedes e Luke Ross vão por outros caminhos. Que tipo de artistas a DC procura no Brasil atualmente?
Artistas justamente como eles, que tem essa característica de serem “maior do que a vida”.

É possível que o desenhista brasileiro fique estigmatizado como um desenhista de anatomias mais realistas no mercado norte-americano? Falta gente fazendo desenhos mais complexos, como Alex Maleev, ou mais cartunescos, como Ed McGuinness, entre os brasileiros?
Não, acho que este estilo realista é importante agora, e por isso o temos usado bastante. Não vejo outros estilos voltando, agora. Maleev, por exemplo, é um excelente artista; mas seu estilo é muito sombrio. Não poderíamos usá-lo para fazer o Lanterna Verde, por exemplo.

Por que não há tantos argumentistas brasileiros no mercado de comics norte-americanos? Você acha que, embora não haja barreiras para desenhistas de línguas não saxônicas, roteiros vindo de pessoas que são espanholas ou brasileiras, por exemplo, ainda são mal vistos pelas editoras?
Não acho que existam essas barreiras com roteiristas, em princípio; é algo mais com as coisas se perderem na tradução, mesmo. Mas se recebermos algo que possamos identificar como uma história que nos toca, não teremos problemas. O fato é que com as imagens esse fenômeno não é tão comum, a linguagem visual é mais universal.

Você se tornou uma espécie de “editor dos brasileiros” na DC. Fazem muitas brincadeiras com você nos escritórios da editora?
Um pouco (risos)! Mas eu sempre digo, “ei, vamos pegar mais!”

Muitos nomes da equipe editorial da DC começaram (ou voltaram, em alguns casos) a escrever algumas revistas. Você tem planos neste sentido?
Ah, sim, sempre que puder. Acabei de fazer uma edição de Wednesday Comics, por exemplo. É sempre divertido poder brincar com as próprias idéias. Um pouquinho aqui e ali, vou fazendo isso.

Entrevista – Craig Thompson

Após seu painel, no qual deveria ter autografado 50 livros e acabou fazendo bem mais que o dobro (e o autógrafo do cara não é só uma assinaturazinha, não, há um desenho diferente em cada livro!), Thompson estava exausto e ainda precisava comparecer a outros compromissos. Mas como a pessoa receptiva que é, apesar da insistência do resto da equipe, simplesmente não conseguia me negar a entrevista. O acordo? Conversamos enquanto caminhávamos para seu hotel, e a pátria foi salva pelo providencial gravador de Érico Assis, repórter do Omelete e tradutor de “Retalhos”.

Os fatos contados em “Retalhos” são bastante pessoais, não apenas sobre a sua vida, mas também sobre a de outras pessoas. Que tipo de resposta você teve delas, como Raina ou mesmo a mãe dela?
Não me encontrei especificamente com eles, mas estive com pessoas que os conhecem. Mas não sei se o livro foi bem recebido na família dela, não tive nenhum contato específico. Mas você ouviu agora há pouco sobre minha própria família; meu irmão ama o livro, e meus pais tiveram um período meio difícil de aceitação, mas agora aceitam bem.

Existem planos de fazer algo como “Carnet de voyage” (gibi em que narra suas viagens de pesquisa para a composição de Habibi) novamente?
Sim, adoraria fazer isso. Talvez na próxima turnê, com “Habibi” ou algo assim. Mas era mais fácil de fazer quando eu viajava sozinho. Ainda assim, gostaria de fazer novamente um livro que tivesse este quê de diário, ou algo que eu possa fazer tão espontaneamente.

Você faria algo com alguma grande editora de quadrinhos, no momento?
Não, provavelmente, não. Meu próximo gibi vai sair por uma grande editora de livros, que publica vários grandes nomes da literatura, então isso já é bem empolgante. E não tenho muito interesse em como os quadrinhos são publicados em sua maioria nos Estados Unidos, de forma serializada. Prefiro publicar em formato de livro, mesmo.

Sierra (Hahn, editora da Dark Horse e esposa de Craig) afirmou que histórias autobiográficas sempre terão seu espaço porque as pessoas podem sempre se identificar com os personagens. Você tem respostas de pessoas que se identificam com as suas histórias, especialmente “Retalhos”?
Com certeza! Até mesmo aqui no Brasil. Muita gente que se identifica com os elementos religiosos, ou os elementos românticos, ou mesmo os de abuso.

Seu próximo trabalho, Habibi, entra no universo do Islã. Mas qual é a história do livro?
É um épico meio “Mil e Uma Noites”, sobre duas crianças escravas fugitivas, numa espécie de romance que eles vivem em um cenário apocalíptico. Não sei bem como descrever em palavras…

Você pensa em trabalhar com outros roteiristas?
Às vezes penso nisso, porque percebo que me prazer é maior em desenhar do que em escrever, mas ao mesmo tempo… não sei, uma das minhas preferências em ser cartunista é estar no controle da produção como um todo, ser um cartunista é escrever e desenhar simultaneamente. E se outra pessoa estivesse escrevendo, talvez eu me sentisse apenas como um ilustrador, na forma como eu fazia ilustrações para revistas. Não sei, mas gostaria de fazer algum tio de colaboração no futuro, mas ainda não sei de que forma seria.

O estilo antropomórfico que você usa em “Good-bye Chunky Rice” é algo que você planeja fazer em alguma outra graphic novel?
Sim, provavelmente. O próximo livro que quero fazer depois de “Habibi” vai ser uma coisa com mais humor, provavelmente para crinças. Algo bem mais leve e divertido. E provavelmente haverão animais falantes lá.


2 comentários para “FIQ extravaganza!”

  1. Eric Ricardo disse:

    Ei, Dandara! Sua resenha sobre o bate papo com Craig Thompson ficou muito boa. Não sei se você se lembrará de mim. Eu sou aquele que perguntou sobre a marca da caneta que Criag usa para desenhar. Lembra?
    Eu também contei no meu blog como foi. Se quiser ver, passe no meu blog
    http://blogdoericricardo.blogspot.com/

  2. Eric Ricardo disse:

    Dandara, não especifiquei o link correto.
    Na verdade, o link completo da postagem é
    http://blogdoericricardo.blogspot.com/2009/10/fiq-2009-quinto-dia.html

    Abraços
    Eric

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