30 de setembro de 2008
Filho do seu Natal
BLOG, Cinema, Festival do Rio 2008
Texto: Eduardo Souza Lima
Foto: Divulgação/Paula Huven
Selton Mello é um cara esperto: podia ter se enfurnado no Projac, mas preferiu fazer o que gosta, valendo-se de sua bem construída carreira no cinema. Também não se acomodou de um lado só da ficha técnica e agora se arrisca como diretor. Como trabalhou com Carlos Reichenbach, Julio Bressane, Luiz Fernando Carvalho, Lírio Ferreira, Guel Arraes, Heitor Dhalia, Sergio Rezende, Walter Lima Jr., professor é o que não faltou. A mão pesou um pouco em primeiro curta, “Quando o tempo cair”, mas o cara merece crédito. “Feliz Natal”, seu primeiro longa-metragem, que passa amanhã, às 20:15h, no Palácio 1 (com reprise no dia seguinte, às 13:15h, no Odeon, e na sexta-feira, às 15:40h e 22:10h, no Estação Gávea 3), além de dirigido, é co-escrito, co-produzido e co-montado por ele - e tem Darlene Glória (foto) no elenco. Além de ser esperto, o sujeito tem topete.
Por que fazer filmes?
Pra tentar continuar vivo como artista. Chegou a hora de dizer algo e não dava pra ser como ator. Necessidade de se expressar. Essa é a palavra: necessidade.
Você escreveu, dirigiu e montou o filme. Como diretor só cinema de autor lhe interessa?
Não, por exemplo, estou trabalhando em uma adaptação de um conto do Machado de Assis que sou um entusiasta há muito tempo: “O alienista”. Não sei se será meu segundo filme, mas acho que que tem potencial para um público mais numeroso. Uma história fascinante e muito divertida.
Por que contar essa história?
Meu pai faz aniversário no dia 25 de dezembro. Ele se chama Dalton Natal de Mello. Eu faço 30 de dezembro. Fim de ano é uma melancolia sem fim. Achei que um filme com o Natal como pano de fundo seria interessante. Todo mundo com a sensiblidade alterada, encontros quase obrigatórios, e então desenvolvi uma ficção em que as festas de fim de ano fizessem parte de uma forma agressiva. Os personagens tiveram que passar por essa prova,e ninguém saiu imune. Natal + Familia Desfuncional = veja o filme…
Foi estranho para você dirigir atores?
Foi saboroso demais! A alma de um filme está guardada nos corações e mentes dos atores. Eles dão o tom de tudo e impregnam toda a equipe com suas verdades, fraquezas e sonhos, e daí nasce um filme.
Como você chega ao quadro?
Alguns são pensados antes, outros, na hora. Gosto de pensar o roteiro como um guia. “Guión”, em espanhol. Deixar os poros abertos para o que está por vir. O Lula (Carvalho, diretor de fotografia de mais um monte de filmes neste festival) foi um parceiro fundamental na descoberta do “Feliz Natal”. Tudo no filme está em ruínas, inclusive a fotografia.
Você teve alguma facilidade na produção por ser quem é?
Fica mais fácil ser recebido em uma empresa, por exemplo. Mas nada disso realmente adianta se o que você tem para apresentar não for consistente.
Que filme lhe impressionou neste festival?
O filme do Matheus, “A Festa da Menina Morta”. Fiquei feliz de ver um primeiro filme tão maduro e corajoso. Deu mais ânimo pra seguir adiante nas nossas novas descobertas.
Um comentário para “Filho do seu Natal”
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