O jovem Werther

Por Eduardo Souza Lima
Ian Curtis tinha morrido há dois anos quando ouvi "Disorder" pela primeira vez. O vocalista do Joy Division e Bruce Lee são os primeiros fenômenos de vida após a morte criados pela comunicação de massa. Curtis, porém, é mais emblemático, pois decidiu ele mesmo dar cabo da vida própria vida. Não foi um suicídio anunciado como o de Curt Cobain, do Nirvana. Cobain estava na mira dos holofotes quando se matou. E existem várias explicações para o seu ato. No caso de Curtis, pouco se sabe dos motivos e poucos souberam quando aconteceu, já que ele era apenas um aspirante a fama quando morreu - assim como Lee. O maior mérito de "Controle, a história de Ian Curtis" (que passa hoje, às 16:30h e 21:30h, no Palácio 2, e na quinta-feira, às 19:30h, no Estação Barra Point), de Anton Corbijn, é justamente não fantasiar os fatos. Curtis era um garoto comum de Manchester que trabalhava numa agência de empregos, era fã de David Bowie e queria ser cantor de rock. Casou-se muito cedo e precipitadamente. Precipitadamente também decidiu ser pai. Matou-se quando sua filha ainda era um bebê. Pego no meio do furacão punk, como vários garotos de sua época, viu a possibilidade de se tornar um astro. Curtis, porém, é um fenômeno anterior à era das celebridades em que vivemos hoje, que cria monstros como a filha da Xuxa. Não era um Ronaldinho Gaúcho, cujos dribles de criança podemos ver hoje graças à popularização das câmeras de vídeo. Mesmo fotos dele parecem raras. Curtis não tinha a ambição da eternidade - ou da eternidade dos 15 minutos de hoje -, não montou um museu para si mesmo. Daí tantas lacunas a serem preenchidas em sua vida. Daí a sensação de desconcerto que sua morte legou. Porque ele parece ter se matado por um motivo banal. O cantor havia se apaixonado por outra e não queria magoar a mãe de sua filha, a mulher que jurou amar para sempre. É uma decisão difícil, mas ninguém se mata por isso. Também era epilético e sofreu com o tratamento contra a doença, mas epiléticos não costumam se suicidar toda hora. Teve medo das mudanças que a fama poderia ter trazido à sua vida, mas uma mera fuga poderia ter resolvido o problema. Corbijn, diretor de videoclipes dos anos 80 conhece bem a época a as motivações dos jovens de então. Na abertura do filme ele sugere que a perda do controle da própria pode ter levado alguém tão jovem a tomar decisão tão desesperada. Mas são nas depressivas letras do Joy Division que estão as melhores pistas. Curtis era um romântico à moda antiga que se precipitou pela última vez na vida no dia 18 de maio de 1980, aos 23 anos.











1 Comentários:
Lindo filme! Bela banda, belo personagem!
Ah, essa molecada que ouve My Chemical Romance e lixos afins deveriam ver esse filme para aprender uma ou duas coisas sobre rock...
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