Festival do Rio 2007 | Revista Zé Pereira
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Festival do Rio 2007

Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

O empate é um bom resultado

Por Arnaldo Branco

(O Acompanhante, Paul Schrader, Reino Unido/EUA, 2007)

Me identifico com o Lula. Ele é um presidente diletante, sou um crítico de cinema idem. Além do mais fazemos nosso trabalho ao mesmo tempo em que mandamos metáforas futebolísticas ridículas.

Em quase todas as - cof - resenhas que postei aqui usei alguma comparação com o esporte ou alguma expressão associada a ele para comentar os filmes. Esta não é uma exceção.

Sendo Paul Schrader um dos meus heróis, passei o tempo todo de projeção torcendo para que seu filme fosse bom, e terminei a sessão espiritualmente rouco de tanto emanar incentivos. Porque é um jogador consistente, não fez feio mas também não brilhou.

"O Acompanhante" do título é Woody Harrelson, um prognata natural que nesse filme parace ter feito como o Brando de "O Poderoso Chefão" e enchido de papel higiênico o maxilar inferior para realçar. Ele é o fofoqueiro oficial de um grupo de senhoras (entre elas Lauren Bacall, obrigada a ouvir em uma cena que testemunhou o crack da Bolsa de 29) casadas com o Poder na forma de vários tipos de maridos ausentes.

Um deles, um político liberal (Willem Dafoe, uma ceninha e meia de participação) é chifrado pela mulher (Kristin Scott Thomas) com um lobista que aparece morto. Woody, fiel camareiro, tenta protegê-la de uma investigação de fachada sem outro objetivo que não cobrir de lama o personagem de Dafoe. Para isso conta com a ajuda do namorado papparazzi - e só com ele, porque cai em desgraça com a roda de bridge de coroas que o ajudam a sustentar a fachada de sua eminência parda.

A despeito da inverossimilhança (o casal gay sozinho no mundo põe de joelhos caras superpoderosos que lidam com petrodólares), é sempre bom ouvir o diálogo inteligente de Schrader e sua direção do tipo "cut the crap". A câmera pode até passear, mas as coisas continuam acontecendo nem que seja em off, alívio nesses dias em que a síndrome de déficit de atenção de certos diretores ganha status de arte.

Não compromete.