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Festival do Rio 2007

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

It was you, Chávez

Por Arnaldo Branco



Charlie: Look, kid, I - how much you weigh, son? When you weighed one hundred and sixty-eight pounds you were beautiful. You coulda been another Billy Conn, and that skunk we got you for a manager, he brought you along too fast.

Terry: It wasn't him, Charley, it was you. Remember that night in the Garden you came down to my dressing room and you said, "Kid, this ain't your night. We're going for the price on Wilson." You remember that? "This ain't your night"! My night! I coulda taken Wilson apart! So what happens? He gets the title shot outdoors on the ballpark and what do I get? A one-way ticket to Palookaville! You was my brother, Charley, you shoulda looked out for me a little bit. You shoulda taken care of me just a little bit so I wouldn't have to take them dives for the short-end money.

Charlie: Oh I had some bets down for you. You saw some money.

Terry: You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let's face it. It was you, Charley.


Essa cena clássica, um show de Marlon Brando em "Sindicato de Ladrões", homenageado por Scorsese e De Niro em "Touro Indomável" é a favorita de 10 em 10 sujeitos - não só boxeadores - que acreditam que sua vida não deu certo por influência alheia, alguma força exterior.

Lembrei dela assistindo JC Chávez, documentário correto porém superado pela magnitude do homem em estudo. Julio César Chávez é o boxeador mexicano, dono do recorde de defesas de título (dos superpenas, 37 vezes) e de um cartel impressionante: 107 lutas, 1 empate e 6 derrotas - a última delas encerra o filme.

Quando perdi de vista um dos meus ídolos do esporte, em meados dos anos 90, ele estava atingindo resultados inéditos na carreira: estava perdendo. Mas antes sua invencibilidade tinha durado quase 100 lutas, e devido a sua popularidade e pelo número de vezes que pôs o cinturão em jogo em combates milionários, tinha certeza que hoje Chávez estaria curtindo uma aposentadoria de sonho.

Não: segue, aos quarenta anos, fazendo lutas de "despedida" por ter perdido fortunas com divórcios, se defendendo em tribunais de ligações com o narcotráfico e confiando em Don King, mafioso com status de promoter.

Diego Luna, o ator-garotão de "E tu mama también", consegue várias cenas pungentes, menos por seu mérito de diretor e mais porque o velho boxeador se expõe mais do que seria aconselhável para preservar sua dignidade.

"Palooka" é o termo usado para boxeador fracassado e bastante usado pela equipe de Chávez para se referir a seus adversários, e é triste ver um desses perdedores escolhidos a dedo ganhar facilmente do ex-melhor do mundo. No fim de uma carreira perfeita, Chávez ganhou um bilhete só de ida para Palookaville.

1 Comentários:

Blogger Simone disse...

Essa cena passou inteira no documentário "Brando". Foda. Durou 2 horas e meia na sessão midnight, mas foi foda. Não deu sono.

3 de Outubro de 2007 11:22  

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