As kalangas preparadas
(Histórias de Luanda: Oxalá, cresçam as pitangas!; Dir. Ondjaki e Kiluanje Liberdade; Angola; 2006)
Por Alexandre Sivolella Barreiro
Uma cidade de 4 milhões de habitantes com uma infra-estrutura precária mesmo para os 400 mil originalmente previstos. Um país com 30 anos de independência e 27 de guerra civil. Realmente muita história para contar. O problema é o olhar de seus diretores. Ondjaki e Kiluanje são dois angolanos no amadurecer dos 30 anos, um escritor com projetos audiovisuais e o outro um produtor cultural que já realizou um documentário premiado em Portugal sobre o rap angolano.
A Luanda que passamos a conhecer, ou pelo menos a sua face mais popular, através dos dois sujeitos quase mimetiza os guetos americanos, com seus sujeitos vestidos com roupas largas e cultuando o basquete e suas “bitches” (ou cachorras), no caso, “kalangas” exalando erotismo. A música reinante, não por acaso, é o próprio rap. Não fosse a influência da cultura lusitana, que nos torna próximos não somente pela linguagem, mas principalmente pelo jeito de encarar as dificuldades da vida, os amigos, a relação colônia-metrópole, ainda que adaptada à realidade da geopolítica atual.
“Oxalá, cresçam as pitangas” acaba nos ensinando mais sobre a força da cultura negra americana do que a resistência cultural angolana, que se dilui nos fluxos globalizantes.
Por Alexandre Sivolella Barreiro
Uma cidade de 4 milhões de habitantes com uma infra-estrutura precária mesmo para os 400 mil originalmente previstos. Um país com 30 anos de independência e 27 de guerra civil. Realmente muita história para contar. O problema é o olhar de seus diretores. Ondjaki e Kiluanje são dois angolanos no amadurecer dos 30 anos, um escritor com projetos audiovisuais e o outro um produtor cultural que já realizou um documentário premiado em Portugal sobre o rap angolano.
A Luanda que passamos a conhecer, ou pelo menos a sua face mais popular, através dos dois sujeitos quase mimetiza os guetos americanos, com seus sujeitos vestidos com roupas largas e cultuando o basquete e suas “bitches” (ou cachorras), no caso, “kalangas” exalando erotismo. A música reinante, não por acaso, é o próprio rap. Não fosse a influência da cultura lusitana, que nos torna próximos não somente pela linguagem, mas principalmente pelo jeito de encarar as dificuldades da vida, os amigos, a relação colônia-metrópole, ainda que adaptada à realidade da geopolítica atual.
“Oxalá, cresçam as pitangas” acaba nos ensinando mais sobre a força da cultura negra americana do que a resistência cultural angolana, que se dilui nos fluxos globalizantes.











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