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	<title>Revista Zé Pereira</title>
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	<description>Blog da Revista Zé Pereira</description>
	<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 20:00:34 +0000</pubDate>
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		<title>Uma canção ao cair da tarde: &#8220;Bossa quase nova&#8221;, Aroldo Alli Sampaio</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 20:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Uma canção ao cair da tarde]]></category>

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Esse camarada toca uma guitarra de responsa. Do CD &#8220;Haja palavra para o que eu não digo&#8221;.
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			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://www.revistazepereira.com.br/uma-cancao-ao-cair-da-tarde-bossa-quase-nova-aroldo-alli-sampaio/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a>
<p><a href="http://www.myspace.com/aroldosampaio" target="_blank">Esse camarada</a> toca uma guitarra de responsa. Do CD &#8220;Haja palavra para o que eu não digo&#8221;.</p>
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		<title>O medo de ser conservador</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 09:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Quinta Coluna]]></category>

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Por Dias de Carvalho
Esqueçam os xingamentos básicos. Quem pretende ofender alguém fazendo troça da sua sexualidade, xingando a sua genitora ou algo do tipo, perde seu tempo. Palavrões converteram-se em vírgula, apesar do filhote de Código Hays que ainda vigora na mídia tradicional. Quando alguém apresenta argumentos que vão de encontro às suas convicções ideológicas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/09/quintacoluna.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-9442" title="quintacoluna" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/09/quintacoluna.png" alt="" width="340" height="88" /></a></p>
<p><em>Por Dias de Carvalho</em></p>
<p>Esqueçam os xingamentos básicos. Quem pretende ofender alguém fazendo troça da sua sexualidade, xingando a sua genitora ou algo do tipo, perde seu tempo. Palavrões converteram-se em vírgula, apesar do filhote de Código Hays que ainda vigora na mídia tradicional. Quando alguém apresenta argumentos que vão de encontro às suas convicções ideológicas, indicando que são apenas sonhos, com a desvantagem de terem todo o potencial do mundo para pesadelos quando postos em prática, não é preciso ser deselegante. Basta chamar o indivíduo de “conservador” e muitos concordarão com você.</p>
<p>Mesmo para pessoas que já deixaram de acreditar no Papai Noel de Sierra Maestra, é difícil pensar em algo bom quando o adjetivo “conservador” surge numa frase. Conservadores são, nesses termos, pessoas metidas a sisudas, cheias da grana, elitistas, plenas de preconceitos, contra todo tipo de iniciativa em favor dos menos favorecidos, capazes até mesmo de desejar a volta da ditadura ou da escravidão.</p>
<p>Até mesmo eu incorria nesse erro grotesco. Graças a alguns professores no ensino médio e até mesmo na faculdade, mantive essa visão estreita. Uma mudança de pensamento me ocorreu no dia em que li, não me recordo onde, Mick Jagger declarando-se conservador.<span id="more-9441"></span></p>
<p>Pulei para trás na hora. Mick Jagger, rei da libertinagem, autor de mil porra-louquices nos anos 60 e 70 (no mínimo), conservador? Nunca me fiei apenas em frases de efeito. Ao procurar a resposta, descobri: Mick Jagger era liberal quanto aos costumes e conservador quanto à política, razão pela qual apoiou Margaret Thatcher nos anos 80.</p>
<p>Frase de uma entrevista fútil para uns, uma revelação para mim. Daí em diante, percebi que não seria preciso abandonar minhas noções liberais sobre costumes só porque não confio em quem prega revoluções em regimes políticos. O fato de eu preferir mudanças equilibradas e compassadas para reduzir as injustiças sociais não justifica que me coloquem no mesmo plano daqueles que defendem uma quartelada como solução para os problemas do Brasil.</p>
<p>Importa saber o que se pretende conservar. É preciso refletir se mudar o status quo necessariamente levaria a uma vida melhor a todos, ou ao maior número de pessoas possível. Ao mesmo tempo, é preciso ter alguma sensibilidade para perceber o que está errado no mundo e que pode ser modificado sem que seja preciso jogar fora o bebê junto com a água da banheira.</p>
<p>Dizem que o fim de um preconceito começa a partir do seu reconhecimento. Portanto, a quem o sapato servir: admita seu preconceito com os conservadores. Se você reclama de quem demoniza Che Guevara pelos atos extremos que cometeu, não continue tratando Margaret Thatcher como uma besta-fera neoliberal. No mais, evitemos quaisquer extremismos.</p>
<p>Eis.</p>
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		<title>O das três bitolas</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 16:08:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Cineclubes]]></category>

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		<description><![CDATA[
Decano do cinema pernambucano, Fernando Spencer é conhecido por lá como &#8220;cineasta das três bitolas&#8221;, porque fez filmes em Super-8, 16mm e 35mm. O diretor, que começou a filmar em 1969, ganha uma retrospectiva de sua obra a partir de amanhã, no Cineclube Curta Doze e Meia - que tem sessões sempre às quintas-feiras, às 12:30h, no Centro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/09/spencer1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9445" title="spencer1" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/09/spencer1.jpg" alt="" width="340" height="396" /></a></p>
<p>Decano do cinema pernambucano, <strong><a href="http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=851&amp;textCode=7856&amp;date=currentDate" target="_blank">Fernando Spencer</a></strong> é conhecido por lá como &#8220;cineasta das três bitolas&#8221;, porque fez filmes em Super-8, 16mm e 35mm. O diretor, que começou a filmar em 1969, ganha uma retrospectiva de sua obra a partir de amanhã, no <strong><a href="http://curtadozemeia.blogspot.com/" target="_blank">Cineclube Curta Doze e Meia</a></strong> - que tem sessões sempre às quintas-feiras, às 12:30h, no Centro Cultural Correios do Recife (Avenida Marquês de Olinda, 262, Bairro do Recife), com entrada franca. Serão exibidos, até o dia 30, filmes dele (e sobre ele) dos anos 70 até o último, &#8220;Nossos ursos camaradas&#8221;, de 2008.<span id="more-9444"></span></p>
<p><strong>PROGRAMAÇÃO COMPLETA</strong></p>
<p><strong>Amanhã</strong></p>
<p>&#8220;Paixão de cinema&#8221;, de Marcílio Brandão (documentário, 2005, 56 minutos): um painel sobre a carreira e a obra do mais produtivo cineasta pernambucano, conduzido pelo próprio Spencer. Trechos de seus filmes ilustram e reforçam depoimentos de pesquisadores, jornalistas, produtores, cineastas, atores e amigos que acompanharam ou participaram dos projetos do cineasta. Entre os depoimentos estão os de Geneton Moraes Neto, Mônica Silveira, Paulo Caldas, Lula Cardoso Ayres Filho, Paulo Cunha, Celso Marconi, Severino Dadá, Alexandre Figueroa, entre outros. A obra ainda é uma homenagem ao produtor Genivaldo di Pace, que viabilizou a maioria dos filmes de Fernando Spencer.</p>
<p><strong>Dia 9</strong></p>
<p>&#8220;Estrelas de celulóide&#8221; (ficção, 1986, 17 minutos): visão poética de um chá, reunindo cinco estrelas do Ciclo do Recife, Almery Esteves, Marinha Marrocos, Guiomar Teixeira, Rilda Fernandes e Mazil Jurema.</p>
<p>&#8220;Almeri e Ari: Ciclo do Recife e da vida&#8221; (documentário, 1981, 10 minutos): sobre o casal Ari Severo e Almeri Esteves, que atuaram nos filmes do Ciclo do Recife, entre eles &#8220;Aitaré da Praia&#8221;.</p>
<p>&#8220;História de amor em 16 quadros por segundo&#8221; (co-dirigido com Amin Stepple, documentário, 1998, 14 minutos): os dois principais cineastas do que conhecemos hoje como o Ciclo do Recife, Ary Severo e Jota Soares (já falecidos), falam sobre a paixão e a aventura do fazer cinema naquele tempo.</p>
<p>&#8220;Sombras, adeus&#8221; (documentário, 1984, 5 minutos): sobre cinemas de bairro no Recife que viraram lojas comerciais.</p>
<p><strong>Dia 16</strong></p>
<p>&#8220;Evocações Nelson Ferreira&#8221; (co-dirigido com Flávio Rodrigues, documentário, 1987, 16 minutos): a vida e a obra do maestro e compositor pernambucano Nelson Ferreira, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira.</p>
<p>&#8220;Trajetória do frevo&#8221; (documentário, 1988, 8 minutos): as origens políticas e sociais do frevo a partir do século XIX. Com ilustrações do desenhista Antônio Clériston e narração do poeta paraibano Jomard Muniz de Brito.</p>
<p>&#8220;Capiba, ontem, hoje e sempre&#8221; (documentário, 1984, 13 minutos): a vida do músico, considerado o maior compositor de frevo de Pernambuco.</p>
<p>&#8220;O teu cabelo não nega&#8221; (documentário, 2002, 10 minutos): a polêmica envolvendo os Irmãos Valença e a marcha “O teu cabelo não nega”.</p>
<p>&#8220;Nossos ursos camaradas&#8221; (documentário e ficção, 2008, 12 minutos): curta-metragem que mistura documentário e comédia para explicar como o urso polar foi introduzido no carnaval pernambucano, virando sinônimo de um folguedo bastante popular. Numa crítica bem-humorada, o filme trata da simbologia relacionada ao animal, as origens da brincadeira, os desfiles das agremiações e o imaginário popular em torno do tema.</p>
<p><strong>Dia 23</strong></p>
<p>&#8220;Santa do maracatu&#8221; (documentário, 1980, 12 minutos): as origens negras do maracatu e, como ilustração, utiliza o museu de Dona Santa.</p>
<p>&#8220;A arte de ser profano&#8221; (documentário, 1999, 13 minutos): feito em cima do Velho Xaveco, é um documentário sobre os pastoris não-religiosos de Pernambuco.</p>
<p>&#8220;Adão foi feito de barro&#8221; (documentário, 1978, 15 minutos): sobre a atividade dos ceramistas do Alto do Moura, em Caruaru.</p>
<p>&#8220;O menino de Massangana&#8221; (documentário, 1990, 14 minutos): sobre Joaquim Nabuco.</p>
<p>&#8220;As corocas se divertem&#8221; (Animação, 1977, 5 minutos)</p>
<p><strong>Dia 30</strong></p>
<p>&#8220;Valente é o galo&#8221; (documentário, 1974, 14 minutos): descreve, minuciosamente, os procedimentos necessários para a realização das brigas de galo, até chegar ao acontecimento em si.</p>
<p>&#8220;Capibaribe&#8221; (documentário, 1981, 6 minutos): sobre o Rio Capibaribe e sua importância para os moradores do Recife.</p>
<p>&#8220;As corocas se divertem&#8221; (Animação, 1977, 5 minutos)</p>
<p>&#8220;Recife: Cidade do Zepelin&#8221; (documentário, 1997, 9 minutos)</p>
<p>&#8220;Labirinto&#8221; (documentário, 1973, 13 minutos)</p>
<p>&#8220;O bandido da sétima luz&#8221;, de Paulo Caldas (1987): mistura de documentário e experimentalismo, o curta é uma homenagem ao cineasta Fernando Spencer. Marca a estreia do ator Aramis Trindade e mostra Spencer representando ele mesmo.</p>
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		<title>Os balanços ou Certa vez, me perguntaram no bar o que é infância</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 11:48:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[bolo de rolo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Por Dandara Palankof
Além da minha identidade secreta de colunista da Zep, em minha “vida civil” venho trabalhando como mediadora do MAMAM no Pátio. Os assíduos três leitores talvez se lembrem de que o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães já foi tema da BdR quando de sua reabertura — e seu magnífico coquetel. Essa é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/09/boloderolo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9439" title="boloderolo" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/09/boloderolo.jpg" alt="" width="354" height="79" /></a></p>
<p><em>Por Dandara Palankof</em></p>
<p>Além da minha identidade secreta de colunista da Zep, em minha “vida civil” venho trabalhando como mediadora do MAMAM no Pátio. Os assíduos três leitores talvez se lembrem de que o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães já foi tema da BdR quando de sua reabertura — e seu magnífico coquetel. Essa é a casa principal, que fica na querida Rua da Aurora. Estamos falando aqui de uma espécie de anexo.</p>
<p>O Pátio de São Pedro, já devo ter dito algumas vezes mas não custa repetir, fica no centro do Recife e é mais um de nossos (eu disse nossos? Uau, repatriei-me) pontos turísticos históricos. Em volta da Igreja de São Pedro, quase que isoladas do resto da cidade, estão as casas do século XVIII hoje ocupadas por instituições culturais da prefeitura e alguns bares. Uma delas, o MAMAM no Pátio, um espaço para instalações e&#8230; er&#8230; hum&#8230; performances. Mas eu ainda não peguei nenhuma, graças.<span id="more-9438"></span></p>
<p>As atividades consistem basicamente em, como provavelmente se pode inferir pelo título da função, fazer uma ponte entre o público e as exposições. Infelizmente, o trabalho é pouco: o público é raro. Porque a maior parte das pessoas que circula pelo Pátio de São Pedro, no horário em que funcionam as casas (9h às 17h), está ali por conta do intenso comércio popular que funciona nas ruas próximas. Turistas aparecem vez ou outra; muitos, estrangeiros. Volta e meia, algum grupo escolar. Por aí vai.</p>
<p>Pois bem: nossa última exposição se chama BrinCadeiras, da francesa Dominique Berthé. Constitui-se de dois balanços, presos ao teto, colocados um ao lado do outro e virados para lados opostos. As casas do Pátio tem um pé direito bastante alto — vou chutar aí uns 7, 8 metros, o que faz com que os balanços tenham um eixo bastante extenso. À parte de a sensação ser incrível e todas as discussões sobre arte contemporânea enquanto propositora de experiências, a discussão aqui é outra.</p>
<p>Deixemos dito apenas que a intenção de Dominique passa pela reflexão do porque não há espaço para o brincar na vida de “gente grande”: há uma placa na qual se lê “Prioridade para adultos”. Mas os balanços acabaram chamando atenção, logicamente, das crianças do local. E as crianças do Pátio de São Pedro são aquelas que passam o dia inteiro vendendo balas e “rifas” (queria saber quem foi que teve essa idéia) pela cidade.</p>
<p>A maioria delas tem entre 8 e 10 anos de idade — mas já cheguei a receber um de 3, que mal sabia explicar aonde estava sua mãe, afinal. Chegam em duplas, ou grupos, com suas caixinhas de mentos. Geralmente, e não tenho uma forma amena para dizer isso, sujos. E às vezes, com fome.</p>
<p>Passo as tardes com eles. Viro a “tia”: medio as disputas pelos balanços, dou-lhes o primeiro impulso, corremos um pouco pelo espaço e os incentivo a desenhar em “cadeirinhas” de papel, que depois penduramos pelo Museu como se fossem outros balanços em miniatura. Entre as bonecas, carros e paisagens, se destaca uma das cadeirinhas cheia de moedas rabiscadas com caneta azul.</p>
<p>É uma experiência que não era esperada, muito menos planejada: não atentamos para o fato de que aqueles objetos, independente de sua proposta original, estão intrinsecamente ligados a uma vivência de infância — que estas crianças raramente podem se dar ao luxo de ter. Porque a vida lhe cobra e a cidade não lhe dá o espaço. Crianças que, até entrarem pela primeira vez meio desconfiadas, me eram quase que intangíveis. Simplesmente reflexos e índices. Agora, elas tem nome. E sim, ao colocar isso por escrito percebo o clichê de meu ranço pequeno-burguês.</p>
<p>As situações vão lhe pegando de surpresa. Uma das meninas, quando entrou pela primeira vez, me deixou sem ação: aos seus 10 anos, atitude de quem aprendeu a se defender na marra e duas chupetas penduradas no pescoço — uma para a boca, a outra para passar pelo nariz. Não sabia como abordar aquela mistura de dureza e infantilidade. Outra, camufla a realidade com toda a sorte de mentiras inocentes. Tivemos um diálogo que deu-se como segue: “você não é daqui não, né, tia?”. “Não, sou de Brasília”. “O que é isso?”. “Brasília é a capital do Brasil”. “Ah, sei! Já fui lá. A praia de lá é bonita, né?”. “É, é sim, muito.”</p>
<p>Claro, nem tudo são flores e comunhão. Existem problemas, sim. Houve um grupo que, certa vez, desrespeitou todos os limites (que tento flexibilizar ao máximo), na mais descarada falta de respeito. Tive que colocá-los pra fora, sob impropérios que você nunca imagina escutar na boca de uma criança — principalmente uma de 7 anos, inadequadamente sexualizada em sua saia e blusa minúsculos, com brincos enormes: a tradução exata e incômoda do contexto de malícia, em todas as acepções do termo, no qual essas crianças são jogadas ao nascerem. Mas compreender essa situação não quer dizer também que a atitude correta a ser tomada é suportar o que quer que seja. Não faria bem a mim e, no fim das contas, nem a elas.</p>
<p>Já há dois dias não aparecem. Me preocupo levemente: um dos guardas municipais do Pátio ameaçou chamar o Conselho Tutelar, certa vez — não lhe culpo, é esta a forma em que está inserido nas engrenagens.</p>
<p>Minhas tardes andaram modorrentas&#8230;</p>
<p><em>Dandara Palankof nasceu em Recife, mas foi criada em Brasília, onde existem balanços aos montes. De volta à cidade-natal, segue sofrendo choques desta outra realidade.</em></p>
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		<title>Debatendo &#8220;5 x favela&#8221; no Ponto Cine</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 07:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[
Hoje, às 19h, tem sessão gratuita de &#8220;5 x favela, agora por nós mesmos&#8221; no Ponto Cine (Estrada do Camboatá 2.300, Guadalupe Shopping, 1º piso, Guadalupe), no Diálogos com o Cinema especial. Depois do filme, rola um debate com os diretores Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Cacau Amaral, Rodrigo Felha, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Luciana [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://www.revistazepereira.com.br/debatendo-5-x-favela-no-ponto-cine/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a>
<p>Hoje, às 19h, tem sessão gratuita de &#8220;5 x favela, agora por nós mesmos&#8221; no Ponto Cine (Estrada do Camboatá 2.300, Guadalupe Shopping, 1º piso, Guadalupe), no Diálogos com o Cinema especial. Depois do filme, rola um debate com os diretores Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Cacau Amaral, Rodrigo Felha, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Luciana Bezerra, a atriz Roberta Rodrigues e os produtores Renata Magalhães e Cacá Diegues.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Batendo um bolão em Teerã</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 16:13:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<category><![CDATA[Ludopédio]]></category>

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&#8220;Geral&#8221;, documentário de Anna Azevedo sobre o extinto cantinho dos malucos do Maracanã, acaba de emplacar mais um festival internacional: depois de participar do HotDocs, no Canadá, o curta agora vai ser exibido no Cinema Verite: Festival Internacional do Documentário do Irã. A gente sabe que apesar do Ahmadinejad e dos aiatolás o povo iraniano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/geral.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9431" title="geral" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/geral.jpg" alt="" width="397" height="297" /></a></p>
<p>&#8220;Geral&#8221;, documentário de Anna Azevedo sobre o extinto cantinho dos malucos do Maracanã, acaba de emplacar mais um festival internacional: depois de participar do <a href="http://www.hotdocs.ca/" target="_blank">HotDocs</a>, no Canadá, o curta agora vai ser exibido no <a href="http://www.filmfestivalworld.com/festival/Cinema_Verite_Iran_Intl_Documentary_Film_Festival/" target="_blank">Cinema Verite: Festival Internacional do Documentário do Irã</a>. A gente sabe que apesar do Ahmadinejad e dos aiatolás o povo iraniano não é nada disso que falam por aí - informe-se melhor no <a href="http://apenasqueremexplodir.blogspot.com/" target="_blank">blog da diretora</a>, onde ela narra suas aventuras em sua primeira visita ao país, quando exibiu lá o seu filme anterior, &#8220;Drežnica&#8221; -, mas não deixa de ser engraçado imaginar como vai reagir a platéia na cena em que um flamenguista revoltado manda Alá se auto-sodomizar.</p>
<p>P.S.: &#8220;Geral&#8221; também foi selecionado para os festivais de Palm Springs (EUA), Sheffield (Inglaterra), Vila do Conde (Portugal) e para o DocsDF (Cidade do México). Por enquanto.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Ota mostra como se faz</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 09:05:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artes visuais]]></category>

		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Birinaite]]></category>

		<category><![CDATA[Livro]]></category>

		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>

		<category><![CDATA[humor]]></category>

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O proto-nerd bonitão Ota, que sabe tudo do assunto, convida para o lançamento de seu novo livro, &#8220;O relatório Ota do sexo&#8221;, mais um lançamento do selo LeYa Cult, uma parceria das editoras Leya e Barba Negra, hoje, a partir das 17:30h, na Livraria da Travessa do CCBB (Rua Primeiro de Março, 66, Centro). Pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/relotasexo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9400" title="relotasexo" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/relotasexo.jpg" alt="" width="340" height="453" /></a></p>
<p>O proto-nerd bonitão <a href="http://www.ota.com.br/" target="_blank">Ota</a>, que sabe tudo do assunto, convida para o lançamento de seu novo livro, &#8220;O relatório Ota do sexo&#8221;, mais um lançamento do selo LeYa Cult, uma parceria das editoras Leya e Barba Negra, hoje, a partir das 17:30h, na Livraria da Travessa do CCBB (Rua Primeiro de Março, 66, Centro). Pra qualquer mané virar um Casanova.</p>
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		<title>Fotodiário celular HK CXXI</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 09:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Cenas]]></category>

		<category><![CDATA[FOTODIÁRIO CELULAR HK]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Henrique Koifman
Graças muito mais à genética que a qualquer método ou mérito, nunca tive problemas com excesso de peso. Isso na balança, pois problemas com exagero (em quantidades de coisas) e falta (de espaço para guardá-las) são uma constante em minha existência. Sempre fiz coleções – como as de chapinhas de garrafa e carteiras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por H<a href="http://oglobo.globo.com/blogs/rebimboca/" target="_blank">enrique Koifman</a></em></p>
<div id="attachment_9425" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/fotodiario-celular-cxx1_28810rd.jpg"><img class="size-medium wp-image-9425" title="fotodiario-celular-cxx1_28810rd" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/fotodiario-celular-cxx1_28810rd-300x223.jpg" alt="Clica na imagem que ela cresce e aparece" width="300" height="223" /></a><p class="wp-caption-text">Clica na imagem que ela cresce e aparece</p></div>
<p>Graças muito mais à genética que a qualquer método ou mérito, nunca tive problemas com excesso de peso. Isso na balança, pois problemas com exagero (em quantidades de coisas) e falta (de espaço para guardá-las) são uma constante em minha existência. Sempre fiz coleções – como as de chapinhas de garrafa e carteiras de cigarro, quando criança; e, mais tarde, de rótulos de bebidas, fichas telefônicas (!), máquinas fotográficas e outras tantas coisinhas. E tenho mania de guardar cartas (anteriores aos e-mails), ingressos de espetáculos, revistas, folders de exposições, postais etc, além, claro, de fotos que faço. E assim as “coisas” enchem caixas, gavetas, prateleiras até um ponto em que as leis da física me obrigam a arrumá-las, jogando parte fora, tentando peneirar o essencial do exagero. A falta de parcimônia neste começo do texto tem como desculpa explicar que o Fotodiário está “de dieta”. Não que pretenda que ele volte a ter o corpinho de seus primeiros tempos – com tirinhas com até 10 imagens, no máximo. De lá para cá, acho que a evolução da ideia justifica um número um pouco maior de fotos. Mas confesso que estava achando as últimas edições grandes demais.</p>
<p>Isto posto, conto que, na manhã de sábado da semana anterior fomos ao colégio dos meninos, em Santa Teresa, para a apresentação de trabalhos. São de lá as duas imagens que abrem esta edição – painéis e uma luminária do tipo “laboratório do cientista louco”. No domingo de manhã, passando pelo jardim de nosso edifício, encontrei uma flor amarela sobre um dos bancos. De lá saí com minha namorada para um passeio a pé nas redondezas e passamos pela Marechal Pires Ferreira, de onde parte uma escada que parece ir para o céu (mas vai somente até o final da Rua Alice). À noite, fomos jantar na casa de nosso querido amigo G, que preparou um inspirado macarrão a sua moda.<span id="more-9424"></span></p>
<p>Segunda, passando pela Primeiro de Março na hora do almoço, fotografei um arranjo feito com sabonetes na vitrine da Granado. À noite, na Gomes Freire, passamos pela porta do edifício do antigo Correio da Manhã, que depois de anos de abandono, foi reformado e agora abriga um órgão público. Nosso destino, quase ao lado, era a galeria do Café da Lapa para a inauguração da belíssima exposição de fotos da Maria Navarro.</p>
<p>Terça, almocei no china da Senador Dantas. E, saindo dali, registrei parte da fachada do Hotel Serrador, banhada de luz. Na quarta, aproveitei a hora do almoço para ver a (ótima) exposição sobre o designer Sérgio Rodrigues na Caixa Cultural. No final do dia, fotografei um trechinho da performance multicolorida do sol em seu ritual de boa-noite.</p>
<p>Quinta à tardinha, voltando para casa de ônibus, cliquei o motorista e a paisagem a sua frente através de um labirinto de painéis, vidros e canos de alumínio. Já na esquina da Laranjeiras com a General Glicério, passei por um ciclista que carregava balões de gás. Com o movimento (e a pouca luz do horário), a imagem ficou com aquele jeitão de pintura impressionista. Já na sexta, no final da manhã, passando de ônibus pela Jardim Botânico, fotografei passantes em frente ao muro do Parque Laje – borradas, novamente, pelo movimento. De volta ao Centro, pouco depois das 14h30, registrei a estátua equestre e a copa das árvores da praça da entrada da Cinelândia no contraluz e o que era sol ficou parecendo lua.</p>
<p>O fusquinha com os dados dependurados no retrovisor estava parado na Laranjeiras, no sábado; a bela cadeira de palhinha é obra do Sérgio Rodrigues; o jogo de forca “de tabuleiro” foi jogado com o caçula, na noite de quinta; o reflexo sob luz verde na janela do metrô parado no reino abissal “para regularização do tráfego” é deste que aqui tecla.</p>
<p>P.S.: Comecei a postar algumas fotos que faço com o celular pelo Twitter (mais ou menos uma por dia). Quem quiser receber, basta me acompanhar (seguir é coisa de guru) no endereço @Agahkah.</p>
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		<title>O homem que odiava as mulheres e escrevia novelas</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 19:05:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[TV]]></category>

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Por Luiz Henriques
Vi em algum jornal pendurado na banca dia desses que Gilberto Braga comemora 30 anos de &#8220;Dancin&#8217; Days&#8221; e 20 de &#8220;Vale tudo&#8221;. &#8220;Dancin&#8217; Days&#8221; foi a última novela que acompanhei em minha vida, em boa parte por causa da Lídia Brondi e da Sônia Braga (aquela mais próxima da minha faixa etária). [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/boston.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-9422" title="boston" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/boston.gif" alt="" width="340" height="227" /></a></p>
<p><em>Por Luiz Henriques</em></p>
<p>Vi em algum jornal pendurado na banca dia desses que Gilberto Braga comemora 30 anos de &#8220;Dancin&#8217; Days&#8221; e 20 de &#8220;Vale tudo&#8221;. &#8220;Dancin&#8217; Days&#8221; foi a última novela que acompanhei em minha vida, em boa parte por causa da Lídia Brondi e da Sônia Braga (aquela mais próxima da minha faixa etária). Depois parei, cansei do formato e entrei na adolescência; estar em casa toda noite para acompanhar aqueles dramalhões simplesmente não fazia mais a minha cabeça.</p>
<p>Mas é claro que durante boa parte desses 30 anos sem acompanhar novelas não consegui ficar imune ao fenômeno. As tramas de maior sucesso foram absorvidas por mim nem que por osmose - gente vendo lá em casa, namorada que acompanhava, manchetes em jornais e revistas, referências em programas humorísticos, sátiras na revista &#8220;Mad&#8221;&#8230; nunca cheguei a conhecer mais do que as linhas gerais dos enredos, mas, mesmo sem maior conhecimento do assunto, uma coisa eu posso dizer - eu não suporto Gilberto Braga.<span id="more-9421"></span></p>
<p>Começou já em &#8220;Dancin&#8217; Days&#8221;. Desde o começo de 1976 a K-Tel e seus baratíssimos discos de Grandes Sucesso popularizava Donna Summer, Tina Charles, Abba e outras rainhas da discoteca. As coletâneas com os nomes das quentíssimas casas noturnas Hippopotamus e New York City Discothéque já estavam em seus quintos volumes, com a então novidade do &#8220;som contínuo&#8221;, sem intervalo entre uma faixa e outra. O megahipersucesso &#8220;Os embalos de sábado à noite&#8221; que catapultou John Travolta para a fama e um caro álbum duplo para o número 1 de vendas já havia estreado. Mas até hoje Gilberto Braga gosta de falar como a sua novela lançou o fenômeno da discoteca no Brasil (grande fenômeno, em menos de dois anos já se refugiava nas periferias). Até a boate Frenetic Dancin&#8217; Days já funcionava a pleno vapor quando a novela entrou no ar.</p>
<p>Diz a lenda que &#8220;Dancin&#8217; Days&#8221; iria também marcar o começo domerchandising em novelas. Betty Faria, dona de uma loja de roupas na trama, num &#8220;caco&#8221; num canto de cena exclamava que não queria roupa roxa nenhuma na vitrine, que roxo era muito feio e odiava roxo. Pouco mais de uma semana depois a TV Globo estava inundada de reclamações de lojistas que se entupiram de roxo, previsto para ser a cor da estação, e não conseguiam vender nada. A emissora fez outra cena da Betty encomendando várias peças roxas e a partir daí nunca mais os atores beberiam cervejas com o rótulo de costas para a câmera (confira quando calhar de ver velhos VTs dos anos 70) ou guaranás com rótulos falsos com a singela inscrição &#8220;guaraná&#8221;.</p>
<p>Mas esses são apenas detalhes. Eu comecei a ter um certo preconceito contra o Gilberto Braga quando, no auge de seu sucesso, no começo dos anos 80, li uma entrevista do sujeito dizendo que nunca gostara muito de cinema americano e durante a juventude vira muitos filmes franceses. O entrevistador, numa época de menor culto à celebridade, replicou perguntando quais filmes e ele não soube responder, tangenciando com um &#8220;ah, esqueci, não me lembro, uns franceses&#8221;.</p>
<p>E depois vieram suas tramas, quase todas com elementos comuns facilmente reconhecíveis: em algum momento, a mocinha (ou uma amiga dela, ou ambas) irá se prostituir, o que a redimirá; a vilã é rica (até aí tudo bem), de meia idade, frígida; um homem mais velho se apaixonará pela mocinha (ou sua amiga) em sua fase prostituta e provavelmente terá seu coração quebrado; alguma mulher usará seu fértil útero para engravidar de um otário e prendê-lo para o resto da vida.</p>
<p>Não pus nessa lista os clichês óbvios de teledramaturgia por não serem marca registrada dele, apenas a apropriação de uma fórmula consagrada - assassinos misteriosos (sempre mal explicados ao fim da novela - até mesmo por engano!). Mas os elementos acima traem uma tremenda misoginia. A sexualidade feminina é ameaçadora e terrível; somente depois de degradada e de perder simbolicamente sua ligação com a geração da vida (e constituição de família e sucessão e envelhecimento) ela pode ser aceita. Porém, seu poder de gerar filhos está sempre presente como uma espada de Dâmocles sobre o herói. Ele pode perder sua independência financeira, sua liberdade, sua adolescência, enfim, nas mãos (ou melhor, entre as pernas) de uma óbvia bruxa.</p>
<p>E a óbvia bruxa não é mais uma velha, mas uma mulher de meia-idade. A juventude é o único caminho para a felicidade - axioma da sociedade de consumo. Os personagens mais velhos estão condenados a casamentos sem amor ou perspectiva (infere-se que por não serem mais atraentes). O casamento heterossexual, inclusive, é duplamente uma prisão: emocional, quando já durando anos e anos, e financeiro, quando há um divórcio e a mulher faz a festa com a pensão do ex-marido, um objetivo sórdido que ela já almejava ao primeiro deitar-se com o sujeito.</p>
<p>Família, criação de filhos, tudo isso é sempre visto de forma negativa, quando não de todo ausente. As tramas traem uma visão de mundo misógina, narcisista e hedonista, porém covarde, incapaz de se levar até as últimas consequências. Os heróis não querem romper com a sociedade, mas, no fundo, apenas substituir os ricos maus, o que fica patente na fascinação dos personagens por símbolos de status culturais: cineastas europeus, autores intelectuais em voga na lista dos mais vendidos na época (Gunther Grass, Milan Kundera), música clássica, viagens a Europa, Búzios&#8230; aliás, essas constantes referências culturais up-to-date e hábitos de Segundo Caderno de Zona Sul são o verniz moderno que leva muita gente a acreditar que os velhos enredos românticos reciclados da tevê (até aí não é culpa dele, dificilmente outros conteúdos funcionaria nesse formato) são mais artísticos ou significantes (leitura sugerida: &#8220;Alto, médio e baixo&#8221;, de Umberto Eco. Valeu a pena ter feito a faculdade só pra trombar com esse texto). Assim como teve aquela novela da Glória Perez &#8220;sobre Internet&#8221; quando a rede estava só nos cueiros no Brasil, com direito a cigana e o escambau, e ao final foi usada absurdamente fora de contexto para o casal de protagonistas se conhecerem, como poderiam ter se conhecido num cruzamento na rua.</p>
<p>As mulheres são sempre más e inconfiáveis, prontas a usar seu maligno útero para destruir a juventude (e, logo, a vida) de um homem. A não ser que se degradem, sofram muito, e percam a aterrorizante aura que a maternidade lhes proporciona. Os personagens ricos são desprezíveis, mas os outros estão sempre atrás de símbolos de status cultural e sofisticação que os poriam no mesmo pedestal. Misógino, narcisista e consumista, as tramas de Gilberto Braga são conservadoras e consumistas e muitas vezes ainda se travestem de crítica à sociedade e ao consumismo. Como disse lá em cima, não sou sigo novelas, logo nada posso dizer de sua técnica dramática ou construção de personagens e diálogos, os quais imagino que sejam ótimos, dada sua popularidade e longevidade no ramo.</p>
<p>Ah, e ainda um detalhe. Quando de um de seus fracassos, em meados da década de 80, a novela Brilhante, ele declarou (naquele jeito &#8220;brasileiro não sabe votar&#8221;), ele ainda declarou que &#8220;o brasileiro não está preparado para uma novela sem vilões&#8221;. Esqueceu-se o sujeito que já no meio dos anos 70, a então desprezada Janete Clair criava tramas como &#8220;O astro&#8221;, &#8220;Duas vidas&#8221; ou &#8220;Pecado capital&#8221;, quando Carlão, ficando com uma mala cheia de dinheiro advinda de um roubo perde sucessivamente a alma, a mulher que ama e a vida por causa dela (mas sem a hipocrisia que o dinheiro não resolve - a mulher que ele amava casa com um rico mais velho). O final, inclusive, é sensacional, e mostra como normalmente a censura não consegue fazer seu trabalho:</p>
<p>Carlão, o taxista, encontra a mala com dinheiro e seu primeiro impulso é devolvê-la, mas usa para pagar umas dívidas. Quando consegue juntar uma grana e pretende devolvê-la, importunado por sua consciência, já que, pobre, tudo que tem para lhe dar orgulho são seus princípios, resolve usá-la para subir de vida, já que sua namorada está na mira de um sujeito rico. Ele enriquece, perde a mulher, sempre tem alguma coisa que no último momento o impede de devolver a grana até que, no último capítulo, já sem sua mulher, finalmente consegue fazê-lo e acaba assassinado no buraco do metrô da Carioca por um sujeito caçando a grana. Enquanto ele liga pra polícia pra explicar que está restituindo a bufunfa, a polícia tenta localizá-lo para prendê-lo. Diz a lenda que a censura exigiu a morte de Carlão para puni-lo por ter ficado com a mala (naquela época casamentos desfeitos eram proibidos na tevê; se o mocinho era casado com outra, esta teria que morrer para ele ficar com a mocinha). Nem perceberam que sua morte na hora em que devolvia o dinheiro para tentar reaver sua alma era muito mais subversivo.</p>
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		<title>Mal necessário é ser pretensioso</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 12:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Da redação]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Arnaldo Branco vai te dar uma má notícia, seu mané: você não é melhor do que ninguém. Clique aqui e descubra o porquê.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/jo-soares1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9418" title="jo-soares1" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/jo-soares1.jpg" alt="" width="340" height="260" /></a></p>
<p>O <a href="http://www.oesquema.com.br/mauhumor/" target="_blank">Arnaldo Branco</a> vai te dar uma má notícia, seu mané: você não é melhor do que ninguém. Clique <a href="http://www.revistazepereira.com.br/nao-e-so-voce/" target="_self">aqui</a> e descubra o porquê.</p>
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		<title>Não é só você</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 11:43:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[MAL NECESSÁRIO]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Arnaldo Branco
Existe uma linha de abertura muito comum quando vamos expressar uma opinião que julgamos muito pessoal e controversa: &#8220;Será que só eu acho que&#8230;&#8221;. Uma variante comum: &#8220;Desculpem, mas eu acho&#8230;&#8221;. Não, não é só você.
Não sei bem com quem estamos falando quando falamos assim, como se buscássemos a aprovação de um amigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Arnaldo Branco</em></p>
<p>Existe uma linha de abertura muito comum quando vamos expressar uma opinião que julgamos muito pessoal e controversa: &#8220;Será que só eu acho que&#8230;&#8221;. Uma variante comum: &#8220;Desculpem, mas eu acho&#8230;&#8221;. Não, não é só você.</p>
<p>Não sei bem com quem estamos falando quando falamos assim, como se buscássemos a aprovação de um amigo imaginário ou nos protegêssemos da grande vaia coletiva da platéia que só está esperando nosso parecer sobre o assunto. Tem a ver com a afirmação da identidade, tarefa tão difícil em um tempo em que todo mundo dirige seu próprio reality show e cada vez há mais protagonistas do que espectadores.</p>
<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/teoria-do-co-autor/" target="_blank">Já escrevi</a> sobre como muitas pessoas se sentem mais definidas pelo que gostam do que pelo que são ou fazem, em um processo de projeção que as desobriga de traçar projetos maiores do o que o de colecionar traços da sua própria personalidade na obra dos outros. Também os desgostos e preconceitos parecem ser pontos cardeais importantes nesse propósito de nos situar no mundo.</p>
<p>E são (Nelson Rodrigues dizia que a incapacidade da platéia se escandalizar no final dos anos 60 era um sinal dos tempos), embora, como os gostos, não tragam em si nada de extraordinário. O que você faz com esse seu catálogo de desagrados é mais importante: alguns erguem sua obra crítica, outros se tornam meros ostentadores, Ed Mottas da sua própria preferencioteca.</p>
<p>Não é só você - mas você bem que gostaria, não? A boa notícia é que existem outras formas de ser especial.</p>
<a href="http://www.revistazepereira.com.br/nao-e-so-voce/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a>
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		<title>Pequenas empresas</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 07:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Desaforismos]]></category>

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		<description><![CDATA[

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/desaforismos2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9397" title="desaforismos2" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/desaforismos2.jpg" alt="" width="354" height="107" /></a></p>
<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/desaforismo038.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9395" title="desaforismo038" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/desaforismo038.jpg" alt="" width="340" height="473" /></a></p>
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		<title>Cavídeo no Festival do Rio</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 18:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<category><![CDATA[Festival do Rio 2010]]></category>

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Essa hora todo mundo já deve estar sabendo, mas &#8220;Riscado&#8221;, primeiro longa-metragem de ficção de Gustavo Pizzi, produzido pela Cvídeo, entrou na Première Brasil do Festival do Rio, que acontece de 23 de setembro a 7 de outubro. &#8220;Boca do Lixo&#8221;, de Flavio Frederico, &#8220;Como esquecer&#8221;, de Malu De Martino, &#8220;Elvis &#38; Madona&#8221;, de Marcelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://www.revistazepereira.com.br/cavideo-no-festival-do-rio/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a>
<p>Essa hora todo mundo já deve estar sabendo, mas &#8220;Riscado&#8221;, primeiro longa-metragem de ficção de Gustavo Pizzi, produzido pela Cvídeo, entrou na Première Brasil do Festival do Rio, que acontece de 23 de setembro a 7 de outubro. &#8220;Boca do Lixo&#8221;, de Flavio Frederico, &#8220;Como esquecer&#8221;, de Malu De Martino, &#8220;Elvis &amp; Madona&#8221;, de Marcelo Laffitte, &#8220;Malu de bicicleta&#8221;, de Flavio Tambellini, &#8220;O Senhor do Labirinto&#8221;, de Geraldo Motta, &#8220;Trampolim do Forte&#8221;, de João Rodrigo Mattos, e &#8220;VIPs&#8221;, de Toniko Mello, completam a mostra competitiva de longas de ficção. Os documentários selecionados foram &#8220;Diário de uma busca&#8221;, de Flávia Castro, &#8220;É Candeia&#8221;, de Márcia Watzl, &#8220;Histórias reais de um mentiroso&#8221;, de Mariana Caltabiano, &#8220;Memória cubana&#8221;, de Alice de Andrade, &#8220;Santos Dummont: pré cineasta?&#8221;, de Carlos Adriano, &#8220;Solidão e fé&#8221;, de Tatiana Lohmann, e &#8220;Positivas&#8221;, de Susanna Lira. Curioso, nenhum filme pernambucano. Terça-feira sai a lista dos curtas-metragens.</p>
<p>P.S.: aproveita e assista <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/cineclube/posts/2010/08/21/trailers-do-novos-longas-da-cavideo-317968.asp" target="_blank">aqui</a> aos trailers de mais três (!!!!!) longas que a Cavídeo acabou de produzir.</p>
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		<title>O velho expediente da carta ao meu eu no passado</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 07:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[Quinta Coluna]]></category>

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Por Dias de Carvalho
Ao mandar uma carta para mim mesmo há doze anos, escreveria uma enciclopédia inteira para eu ser menos otário. Sobre política, não seria preciso dizer muito. Desde muito novo não me deixo levar por qualquer palavra de ordem nem por qualquer ideologia perfumada. Antes, por inércia. Hoje, por convicção.
Quando antevejo relativizarem atrocidades [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/quintacoluna.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-9393" title="quintacoluna" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/quintacoluna.png" alt="" width="340" height="88" /></a></p>
<p><em>Por Dias de Carvalho</em></p>
<p>Ao mandar uma carta para mim mesmo há doze anos, escreveria uma enciclopédia inteira para eu ser menos otário. Sobre política, não seria preciso dizer muito. Desde muito novo não me deixo levar por qualquer palavra de ordem nem por qualquer ideologia perfumada. Antes, por inércia. Hoje, por convicção.</p>
<p>Quando antevejo relativizarem atrocidades mundo afora em nome da “justiça social”, mudo de calçada. Não que eu não deseje um mundo mais justo. O que se faz para alcançar esse fim é o que me preocupa. Em nome do sagrado direito de comer três vezes ao dia, todos os demais direitos podem ser solapados sempre que o governo da ocasião quiser?</p>
<p>Algumas pessoas, infelizmente, não enxergam o germe do autoritarismo que indivíduos feito Lula inoculam no país quando estão no poder. Para pessoas assim, o roubo só se configura quando o ladrão grita exatamente “isto é um assalto!”. Se disser qualquer outra palavra; ou mesmo fizer uma ameaça muda, não há crime. Portanto, Lula deveria posar como seu colega Chávez, gritando palavras de ordem e bravatas abjetas contra o “imperialismo norte-americano”, para ser considerado o projeto de ditador que é.<span id="more-9392"></span></p>
<p>Aliás, bravatas abjetas serão o maior legado intelectual que Lula deixará ao passar o cargo a quem quer que seja eleito. Sem contar o uso formidável do ódio que a maioria dos brasileiros nutre pelo conhecimento intelectual.</p>
<p>E toda voz dissonante será rotulada de “conservadora” e “direitista”, como se se tratassem de xingamentos. Engraçado como é tão fácil associarem essas palavras a extremistas que pregam a demofobia, a negação de direitos às minorias e outros enormes equívocos. Porém, quando as barbaridades dos regimes comunistas vêm à tona, sempre há quem doure a pílula e, numa versão repaginada da falácia que apela ao argumento nazista, aponte algum ato arbitrário cometido pelos Estados Unidos. Chega a ser previsível esse tipo de resposta, quando não risível.</p>
<p>Antes de dar crédito a qualquer tipo de ideia, pense duas vezes. Se não há nenhuma razão para você concordar além de pura simpatia, despreze-a. Portanto, se certos grupos defenderem ações extremistas, rejeite-os. Sem medo de ser visto como uma criatura insensível que não se comove ao ver um monte de Davis enfrentando pretensos Golias. A propriedade privada, ao menos até o presente momento, ainda não é crime, embora alguns a percebam dessa maneira.</p>
<p>E assim, sem a pretensão de ser aprovado por uma banca de concurso, encerro esta carta, certo de que, ao espezinhar todo e qualquer ocupante do poder na ocasião, meu eu antigo ficará mais isolado do que já é, evitado com mais afinco do que nunca, facilmente hostilizado por algum colega metido a socialista e, ao defender um respeito mínimo à lei, tratado como um reacionário legalista por qualquer revolucionário frustrado.</p>
<p>Eis.</p>
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		<title>Intransponível ou Identidades</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 14:32:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Pereira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[BLOG]]></category>

		<category><![CDATA[bolo de rolo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Por Dandara Palankof
Me lembro razoavelmente bem das aulas de alguma longínqua série do ensino fundamental na qual aprendi o que era uma cidade dormitório, porque elas assim o eram, e como o tal fenômeno da conurbação transforma tudo em uma coisa só — e finalmente entendi São Paulo.
Como brasiliense (sim, por princípio me defino como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/boloderolo1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9390" title="boloderolo1" src="http://www.revistazepereira.com.br/wp-content/uploads/2010/08/boloderolo1.jpg" alt="" width="354" height="79" /></a></p>
<p><em>Por Dandara Palankof</em></p>
<p>Me lembro razoavelmente bem das aulas de alguma longínqua série do ensino fundamental na qual aprendi o que era uma cidade dormitório, porque elas assim o eram, e como o tal fenômeno da conurbação transforma tudo em uma coisa só — e finalmente entendi São Paulo.</p>
<p>Como brasiliense (sim, por princípio me defino como cria do Planalto), tenho bem introjetado o conceito de cidade-satélite — apesar de sempre tê-lo achado estranho; mas agora a Wikipedia me disse que 1) as regiões administrativas do Distrito Federal brasileiro não podem ser separadas em municípios, e que 2) desde 1998 há uma lei que proíbe tais regiões de serem chamadas de cidades-satélite.</p>
<p>O que me fez pensar que realmente deixaram de me contar muita coisa na escola.<span id="more-9389"></span></p>
<p>Mas eu ainda não sei como chamar aquelas cidades que, apesar da pouca distância da metrópole, são completamente independentes — ainda que haja sempre a relação que vai desde o fornecimento de mão-de-obra até a uma certa idealização de desenvolvimento nutrida pelos “turistas” que mandam, um fim-de-semana aqui, outro ali; apesar de algo em comum, constituem dois mundos, duas vivências, completamente diferentes. Nesse caso, a Wikipedia não ajudou.</p>
<p>Percebi este tipo de ligação quando meu melhor amigo, quando do começo de nossa adolescência, mudou-se para uma cidade a 60km de Brasília chamada Formosa. Povoada por produtores agrícolas, Formosa possuía um certo nível de desenvolvimento crescente naqueles meados de 1990. Economicamente falando, quero dizer.</p>
<p>Formosa sempre foi, pra mim, um amálgama desconfortável. Posso cair num clichê ao responsabilizar os valores reforçados por determinado consumo de produtos da cultura de massa, mas eram eles que se viam refletidos na estrutura da cidade. Unia o provincianismo das cidades de interior à superficialidade e futilidade das grandes cidades. Tente imaginar o efeito disso sobre as mentes dos formosenses. Ao som de Bruno &amp; Marrone.</p>
<p>Lembrei disso tudo quando, neste fim de semana, observava um homem de seus 50 e tantos, esquálido e queimado de sol, camisa surrada aberta no peito, subir uma ladeira de paralelepípedos, com várias casas simples e o sol se pondo às suas costas, em uma rua de Vitória de Santo Antão.</p>
<p>Freqüentava Vitória muito antes de Formosa — nas férias recifenses, uma visita ao braço nordestino de minha família materna era sempre parte da programação. As visitas começaram a rarear conforme eu envelhecia, se escassearam mais ainda quando da morte de meu avô, e mesmo agora que sou uma recifense mezzo-praticante, já perdi o costume daquele mundo e me apeguei demais a esse.</p>
<p>Mas percebo o quanto ela mudou desde que eu freqüentava suas quermesses — e eu sei que dizer isso faz parecer que minha infância se deu nos anos 1950, mas elas ainda existiam, sim. E ainda devem existir, ainda que também existam mais bares, boates, festas, as ruas estejam mais iluminadas, o número de carros tenha triplicado, a fábrica da Sadia tenha chegado, a especulação imobiliária rivalize com a de Recife e as adolescentes de lá também sejam fãs de Crepúsculo.</p>
<p>Ainda assim, porcos passeiam nas ruas e eu tenho que ouvir que menina não brinca de pião.</p>
<p>A distância de Vitória a Recife é praticamente a mesma que a de Formosa a Brasília. Já a distância delas até mim, apesar de certos laços, é milhares de vezes maior.</p>
<p><em>Dandara Palankof nasceu em Recife, mas foi criada em Brasília, onde descobriu o significado da expressão zona de conforto, e mais ainda de abandoná-la, desde que voltou à cidade-natal.</em></p>
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