18 de janeiro de 2010
Falta de ambição
Por Arnaldo Branco
Tem um tempinho que “despretensioso” virou elogio; é só ler as críticas por aí. Acho que a idéia geral é: falhamos em fazer o grande romance, filme, peça ou o que seja do nosso tempo, vamos tentar criar coisas desimportantes com um mínimo de competência.
Pode ser o simples reconhecimento da má fase da humanidade ou a manifestação dos recalques do crítico, talvez ele próprio um espírito criador preso em uma função periférica do mundo da arte. Quem sabe o sujeito, obrigado a baixar as expectativas de suas ambições profissionais, esteja exortando os autores a fazer o mesmo?
É claro que fazendo essa suposição caio no mesmo erro do resenhista, de tentar presumir as intenções de um autor. Quem pode saber ao certo se o diretor de Cinderela Baiana não acha que fez uma espécie de Grande Sertão: Veredas da analidade soteropolitana?
Sei que muitos dos nossos artistas não têm visão de mundo nem para preencher uma redação escolar, e que é melhor mesmo que se dediquem à literatura para adolescentes ou a documentários sobre esportes radicais em algum lugar exótico do globo. Mas percebo que nem os poucos talentos que ralam no meio artístico são poupados das recomendações para que baixem a bola.
OK, está cheio de picareta por aí pretendendo revolucionar a narrativa, resgatar gêneros, experimentar com a linguagem. Mais do que lamentar, o artista capaz de proezas desse tipo deveria se mirar no exemplo.
20 comentários para “Falta de ambição”
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18 de janeiro de 2010 às 16:34
[...] negócio é ser medíocre. Saiba o porquê aqui, na coluna do Arnaldo Branco de [...]
18 de janeiro de 2010 às 16:47
O medo do fracasso na ousadia e o conforto certeiro da mediocridade coletiva.
(seus textos geralmente vêm acompanhados de um vídeo ilustrativo, por algum motivo nomeu navegador não está aparecendo nada nesse)
18 de janeiro de 2010 às 17:09
Aqui tb não aparece, já entrei em contato com o setor técnico.
18 de janeiro de 2010 às 17:14
Essa despretensiosa coluna, por sinal, toca em um ponto importante do comportamento humano em geral, penso eu. O receio da decepção é, por vezes, tão grande que é melhor dar partida sem esperar muito. Assim desagradáveis lágrimas são evitadas.
18 de janeiro de 2010 às 18:17
Grande Hillel Slovak!
Arnaldo, gostei da discussão. Se me permite a opinião, talvez a falta de ambição que você fale seja um sinal dos tempos. Difícil aparecer alguém que teve educação suficiente para fazer uma saga como o Grande Sertão, ou tempo para isso. Até mesmo ser um daqueles intelectuais estilo Euclides da Cunha que manje de tudo um pouco, de topografia a narrativas jornalísticas é uma ideia descartada. Tem muita distração por aí, vários campeonatos de futebol, muita mulher pelada, drogas, videogame e outras coisas desse tipo.
Ah e a melhor música desse disco com certeza é No Chump Love Sucker!
18 de janeiro de 2010 às 20:10
Bela discussão, arnaldo
Aqui ainda existe aquela mentalidade babaca do “povo é burro”. Emerge uma tendência generalizada a ficar com medinho de exibir algum tipo de manifestação aparentemente pouco palatável. Eu fico bem triste, pois o medo hoje é de fazer as pessoas pensarem, de ficarem inqueitas, perturbadas. Se o povo é burro, vamos fazer essa galera SE COÇAR, né? Mas essa é uma visão romântica - fazer as pessoas pensarem, se libertarem - e vai de encontro com as premissas mais arcanas da PRODUÇÃO EM MASSA. A massificação restringiu a margem de manobra intelectual num ponto que eu considero preocupante.No cinema, por exemplo, a supremacia técnica faz os jecas se deleitarem…
“vc viu os efeitos do AVATAR?” ah, porra, FODA-SE, né?
Que merda… ainda tenho esperanças de um novo levante nas artes semelhante ao início do século XX: Einstein desdobrando o espaço-tempo, Shoenberg desdobrando a escala cromática, Picasso desdobrando o plano pictórico….
ainda dá, porra!!!
19 de janeiro de 2010 às 7:29
Concordo com você, Arnaldo. Na área de cinema, saudades dos tempos da ousada lentidão narrativa de “Era Uma Vez no Oeste”, que permanece genial até os dias de hoje, mesmo tendo fugido dos padrões americanos (e justamente por isso).
De vez em quando um James Cameron da vida resolve dar asas à sua pretensão e arriscar-se a inovar alguma coisa na 7ª arte (se bem que o primeiro Exterminador do Futuro tenha sido bem melhor que Avatar, a despeito da abissal diferença de orçamento).
Mas, se até Caetano bate palmas para a atual mediocridade…
19 de janeiro de 2010 às 8:56
[...] Minha coluna Mal Necessário da semana: Falta de ambição [...]
19 de janeiro de 2010 às 14:22
As pessoas falam como se só existisse o cinema americano e não existissem mais revoluções científicas ou artísticas… elas existem só que não são tão mais bombásticas e noticiadas quanto os efeitos de Avatar ou as catástrofes naturais que andam ocorrendo. É tudo uma questão de ponto de vista.
Agora, despretensioso não é a mesma coisa que falta de qualidade. E a alta arte erudita não é pior ou tão diferente do que cultura popular massificada, na minha opinião.
19 de janeiro de 2010 às 15:16
Toguro, é óbvio que tem muita coisa boa sendo feita no mundo das artes, mas eu tô falando de Brasil. Você diz que não vê diferença entre a alta arte e a cultura popular massificada, mas eu vejo. Nada contra massificar a cultura, aí estamos falando de propagação, o que vejo com bons olhos. Mas a cultura predominantemente massificada AQUI é a de baixo calão: novela, teatro de comédia com humor de quinta, enlatados para mongolóides, funk, axé… Acho que tem lugar pra tudo, mas a gente não pode negar que a maioria esmagadora dos brasileiros só se alimenta desse tipo de cultura. O brasileiro médio se contenta com essa cultura meio JOELHO + REFRESCO R$ 1,99. Acho pobre, só isso.
20 de janeiro de 2010 às 5:34
What is the most universal human characteristic: fear or laziness?
20 de janeiro de 2010 às 9:27
Sou a favor da produção tupiniquim de qualidade. O Sítio do Picapau Amarelo era tão bom quanto Vila Sésamo e Glauber Rocha tão genial quanto Tarantino. Só me preocupa esse papo ufanista e anti-americanista (que Glauber também adotava muitas vezes em seu discurso, porém, de forma mais inteligente, coerente e menos bitolada).
Sem esquecer de que um dos sujeitos mais ufanistas
e xenófobos da história se chamava Hitler.
21 de janeiro de 2010 às 1:16
estudos comprovam que 50% das imagens que são propagadas pelo mundo são produzidas nos EUA. O cérebro humano, aquele mesmo, descrito na música “ouro de tolo” de Raul, é quase que totalmente consumido pelo apanágio audio-visual. A proposta de vida entumecida espraiada pelos EUA, que valoriza comida calórica super combo, aumento de pênis, ostentação financeira, violência, truculência, maquiagem na face, projeção de sucesso e outras quinquilharias, está pouco a pouco carcomendo a cabecinha das pessoas pelo mundo todo. Considerando que a sociedade telemática prosperou com candura, podemos imaginar os efeitos desse tipo de mentalidade na cabeça dos brasileirinhos, povo carente que abre o bumbunzinho pra qualquer coisa que vem da américa… E ainda tenho que ler aqui alguns macunaímas aqui livrando a barra dos ianques… ô gentalha…
21 de janeiro de 2010 às 7:35
Hitler, o personagem Macunaíma de Mário de Andrade era dito “sem nenhum caráter” justamente porque “conheceu” as características de toda a humanidade.
Você pode ficar preso ao seu mundinho pequeno sem entender que podemos ser contra uma infinidade de ideologias made in USA, o que não significa demonizar toda a produção artística de lá.
O cinema nacional de Os Trapalhões representaram mais que qualquer filme americano pra mim (ponto)
O cinema japonês é melhor que o americano em termos de criatividade (ponto)
O patriotismo “de antolhos” como o seu é que tem gerado as guerras estúpidas que vemos por aí (ponto)
Tom Jobim era brasileiro até o talo, mas, nunca foi burro tal qual os que carregam a bandeira do
neo-arianismo verde e amarelo que chama quem é ou pensa diferente de gentalha(ponto final)
22 de janeiro de 2010 às 6:09
TRAPALHÕES É UMA BOSTA, O BRASIL É O MAIOR EXCREMENTO DA AMÉRICA LATRINA, QUEM DERA TIVESSE NASCIDO NOS ESTADOS UNIDOS!!!
22 de janeiro de 2010 às 10:41
crítico de arte, por que você não tenta a reencarnação?
22 de janeiro de 2010 às 12:43
reencarnação heheheihiohohehahaha!!!
22 de janeiro de 2010 às 12:48
uai, eu adoraria fazer documentários sobre esportes radicais em algum lugar exótico do globo. Voltaria com a mala cheia de histórias para adolescente :))P.S - tb não consegui ver o video
23 de janeiro de 2010 às 5:22
huahua Ele poderia, inclusive, aproveitar tanta caixa alta e usar como caixão para ficar esperando esse dia chegar.
24 de janeiro de 2010 às 13:47
hahahah. literatura pra adolescentes … o Cuenca vai ficar puto com a referência.