22 de fevereiro de 2010
Exclusão analógica
Por Arnaldo Branco
Conspiração Filmes, Gravadora Trama… sempre curti esses nomes porque parecem escolhidos para provocar aqueles que acham que são vítimas de uma panelinha. Mas aí você vai checar com os cabeças dessas produtoras e eles realmente acreditam que promovem uma revolução estética ou algo assim; daí complica. Mas, enfim.
A mania de exclusão é um must entre dez de dez fracassados em suas respectivas áreas. É uma bela explicação para substituir a hipótese mais simples: a falta de talento ou determinação; muitos se dedicam mais a esse tipo de reclamação do que às suas carreiras. Devia haver uma campanha do governo para prevenir tal desperdício de energia.
O problema é que lamentar esse tipo de favorecimento deveria ser um anacronismo na era da internet. Fazia algum sentido quando os canais eram ocupados por quatro ou cinco gatos-pingados com as mãos estendidas, esperando que os menos favorecidos as beijassem. Agora é você com suas habilidades e um mínimo de vocação promocional.
É claro que ainda existem esquemas de camaradagem e alguns meios (editais, premiações) estão congestionados de gente com mais relações do que méritos, mas cada vez mais há menos fronteiras entre o reconhecimento (repare as aspas) “on line” e “real”. Do youtube para Hollywood, do twitter para a Playboy.
Lembro daquela frase (Duke Ellington, acho): “levei a vida inteira para fazer sucesso da noite para o dia”. Taí a diferença, hoje você não precisa mais da vida inteira. Vamos trabalhar.
46 comentários para “Exclusão analógica”
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22 de fevereiro de 2010 às 12:49
Porra cara, falou tudo. O problema mesmo é quando se formam panelinhas “virtuais” e “reais”, mas mesmo assim as coisas estão muito melhores hoje que antigamente. Fui adolecente nos anos 90 e montei diversas bandas na era pré-internet e hoje em dia, se nenhuma delas deu certo, foi por falta de empenho dos integrantes (incluindo aí a mim mesmo!), mas nos dias de hoje isso ainda é mais gritante. Qualquer imbecil sem talento pode chamar atenção com um video com uma apresentação da sua banda ou um curta feito com amigos ou seus desenhos ou suas composições em blogs, myspace, facebook, flicr, etc e se não o faz é por falta de talento e mediocridade, não necessariamente nessa ordem…
22 de fevereiro de 2010 às 12:58
Muito bom! rs
Vou linkar numa comunidade pronta a discutir as dificuldades de se fazer cinema no brasil. cabe..
22 de fevereiro de 2010 às 13:50
Bem leviano. Ignora que as condições nas quais se faz e se consome (pois esta é a questão) produtos culturais não são naturais, dependendo assim de medidas naturais, de esforço ou de talento, mas se fazem juntamente com o resto da sociedade. Se o discurso da exclusão se tornou um clichê, não deixa de ser um problema real, que a internet complexifica e não anula. Por outro lado, também é bastante senso comum, aliás, mais reforçado, adotar a medida corrente como critério. Só ganha nova forma, um tanto yuppie.
22 de fevereiro de 2010 às 14:34
é. é so trabalhar.
‘as pessoas nascem com as mesmas capacidades, mas so os esforçados se destacam.’
22 de fevereiro de 2010 às 15:37
“Complexifica”, claro. Boa sorte pra vc.
22 de fevereiro de 2010 às 15:42
ARNALDO BABACA VC ESTA DESMILINGUIDO POR DENTRO SUA ORELHA ESTA EXPURGANO VC TA PRODE POE DENTRO
22 de fevereiro de 2010 às 16:04
É tipo a ONG da Madonna pra levar a Cabala pra jovens, que precisam entender que suas escolhas determinam tudo?
Tipo, “pobres desgraçados…morram por falta de talento!”, “Castra eles!”
Claro que não imagino que você esteja falando isso - porque acompanho essa coluna. Mas minha mãe (PFL pride) provavelmente vai adorar essa coluna também pela falta de termos mais precisos (a Valeska deu um bom exemplo na idéia de linkar com os chorões do cinema).
Beijo!
22 de fevereiro de 2010 às 17:37
Arnaldo, concordo com você em parte. De fato, a Internet permite que pessoas expressem sua arte sem depender de panelinhas que, antigamente, atrasavam o lado de muita gente. Porém, a avaliação do que é relevante ou não em termos de arte ainda passa pela opinião de outras panelinhas (ou das mesmas, repaginadas). Isso vale para produtoras, distribuidoras e a imprensa musical - certos sites onde se grita e esperneia muito demonstram esse problema. Quem é de fora de Goiânia, onde vivo, pensa que a Monstro é uma força promissora no meio independente, quando não passa de uma ação entre amigos que só enxerga os umbigos dos seus “bróders”. Aliás, o Skylab, em uma entrevista na Internet, mostrou quem esses metidos a independentes realmente são. Artistas independentes são os da Banda Calypso, mil vezes mais do que essas bandinhas metidas a fazer “stoner rock”.
Escritores podem bancar tiragem própria, vender seus livros sem intermediários. Idem para artistas plásticos. Mas e as bandas musicais e os cineastas que não conseguem espaço? É fácil falar que são todos uns chorões, quando se tem pela frente gravadoras medíocres e um circuito exibidor viciado.
Eis.
22 de fevereiro de 2010 às 18:10
Uau, parece discurso de escritor de livros auto-ajuda para executivos. Devia escrever para a Você S.A.. Já tenho até o nome da coluna: “Não me inveje, trabalhe!”, ou na mesma linha do “Quem roubou meu queijo”, “QUEM ROUBOU MINHA MACONHA, PORRA?!?!”
22 de fevereiro de 2010 às 18:15
o arnaldo entrou pra panelinha da globo.
22 de fevereiro de 2010 às 20:14
Deixar claro que vi a utilidade do tópico, mas discordo de algumas coisas. Começando pelo tom da pregação ao trabalho. Isso pode cheirar mal. Pq muita gente trabalha muito e não consegue o que quer. Fico com a frase como foi pronunciada: “levei a vida inteira para fazer sucesso da noite para o dia”. Mas com o senão de discordar da receita de sucesso do post. Sucesso pra mim, é vc saber muito sobre seu ofício. Se vai ter fama e dinheiro com isso …dane-se.
22 de fevereiro de 2010 às 20:24
e o post do Arnaldo fala estritamente do sucesso, da fama, de se tornar visível… E aí concordo, as pessoas que procuram isso, não procuram, reclamam muito mais do que qq outra coisa. Conheço inúmeros exemplos.
22 de fevereiro de 2010 às 21:42
A frase é atribuída ao Eddie Cantor: it takes twenty years to become an overnight success
22 de fevereiro de 2010 às 21:43
Nessas horas é útil não ser ateu, assim ainda tem deus pra culpar…
22 de fevereiro de 2010 às 23:58
Muuuui Buena, Cabron! Deus e Nossa Senhora. Achei a coluna uma variação da outra, sobre a tática de se fazer de vítima. “Não dei certo pq não sou da panela” é um bordão de fracassados, realmente. O texto é curto, dá pra pensar que é uma apologia ao trabalho. Mas, creio, o Arnaldo disse, na verdade (e acho que acertadamente) foi que não existe sucesso sem trabalho. E todos sabemos que o inverso existe, e muito.
23 de fevereiro de 2010 às 6:26
Concordo em boa parte com você, Arnaldo. Só acho que, como veículo de divulgação qualquer obra pessoal na internet fica ainda muito dilúida justamente devido à sobrecarga de informação.
A Tv ainda tem a vantagem de ser mais direta e incisiva, apesar de não mais tão imediata.
Além disso, quem “faz” a internet somos eu, você e qualquer um que queira se manifestar (até os coreanos). Mas o resto dos “mass media” ainda dita muito do que é de bom ou mau gosto.
23 de fevereiro de 2010 às 6:29
Só pra concuir o raciocínio: para seus contratantes, por exemplo, quem toca Heavy Metal é tido como “metaleiro” sem cérebro e que não toma banho. E o Brasil, terra do samba e pagode, compra a idéia.
Então, por hora, um ano de divulgação de um artista na rede não se compara a 10 minutos no Faustão…
23 de fevereiro de 2010 às 8:20
Aí, Cabron > http://www.revistazepereira.com.br/nao-me-inveje-trabalhe/
23 de fevereiro de 2010 às 8:59
[...] Minha coluna Mal Necessário da semana: Exclusão analógica. [...]
23 de fevereiro de 2010 às 10:01
o Max Gehringer esqueceu de assinar no final da coluna?
mas realmente choramingar é mais fácil do que dar a cara pro tapa. e é bacana você escrever essa coluna antes de ficar milionário; o que irrita é quando o cara já está feito (por mérito próprio ou puxação de sacos e tapetes, tanto faz nesse caso) e diz o singelo: eu cheguei até aqui. todos podem também. é só trabalhar duro.
ouvir esse tipo de ladainha olhando pra cima é pesado.
23 de fevereiro de 2010 às 11:14
Gostei da coluna. Só faltou apontar o componente sorte, que também influi. Não precisa ser uma sorte megasênica, mas um pouco ainda é necessário para decolar.
Não tem como saber se um prêmio ou projeto tem panela ou jurado que não combina com a sua “proposta” (favor imaginar aqui a entonação dos Cassetas em “Rap do vagabundo”). A solução é não colocar os ovos todos numa cesta só: se inscrever em vários prêmios, participar de várias coletâneas, produzir várias obras. Alguns deles, no máximo 10%, darão frutos.
Quer dizer, além da “vida inteira”, fazer sucesso “da noite pro dia” também requer empenho e “multitarefismo”, ou diversificação do investimento intelectual. Pelo menos na era da internet é assim. Vejo gente lançar EP e ficar parado esperando o telefonema da gravadora. Não dá. Enquanto espera, vai fazendo show, escrevendo outras músicas. Realmente tem que ter mais paixão pela própria arte do que pelo sucesso/dinheiro.
23 de fevereiro de 2010 às 11:52
DEUS NÃO EXISTE, SEU DESENHISTA FEITO DE ESTRUME, E PARE DE LAMBER AS BOLAS DO BONINHO, PORQUE AO CONTRÃRIO DE VOCÊ NÃO SOMOS PUXA-SACOS DESTA EMISSORA INCENTIVADORA DO CONTROLE SOCIAL DE MERDA!!!
23 de fevereiro de 2010 às 15:24
Fico impressionado de como todo mundo é socialista quando está na merda e liberal quando está fazendo sucesso.
23 de fevereiro de 2010 às 16:00
Em breve estaremos livres dos domínios da Globosfera?
23 de fevereiro de 2010 às 16:13
amigos, irmãos… pra quem deseja GRANA, eu aconselho profissões que tenham a ver com tecnologia, adm., mercado financeiro, máfia, prostituição e afins. A arte é pensante, e o DINHEIRO pra quem não sabe, não gosta de PENSAR. O dinheiro existe pra CIRCULAR. Segundo Foucalt, PENSAR É PROBLEMATIZAR. o pensamento problematiza, hesita…. Aos apaixonados pro dinheiro: se afastem da arte, porque a arte evoca questionamentos. O dinheiro é o imperativo da transgressão dos interditos. QUanto menos barreira pra ele, melhor. Pegaram? Escolham melhor, porque viver de arte no brasil é pra quem tem um talento excepcional/família do metiê/sorte absurda/pelação de saco.
23 de fevereiro de 2010 às 16:29
Arnaldo Branco em desencanto. Que bosta de texto.
Sempre existe e sempre existirá um fator natural chamado carisma e outro sobrenatural chamado sorte. Quando alguém com carisma dá sorte de ser visto e bancado por alguém que detém algum meio de comunicação de massa (seja qual seja o tamanho desta massa - um monte de seguidores babacas de blog ou um monte de zé povinho que assiste o SBT aos domingos), aí temos o fenômeno chamado SUCESSO. Cada qual com seu tamanho de sucesso, é claro - sucesso é que nem pinto, tem gente que tem um cacetão e tem gente que tem meia porção, o importante é ter.
23 de fevereiro de 2010 às 21:10
Que bando de cuzão comentando aqui. Vou demitir o moderador…
23 de fevereiro de 2010 às 22:29
pior do que um sub-francis só um sub-leitor do diogo mainardi.
23 de fevereiro de 2010 às 23:02
Trabalho duro: http://www.punknet.com.br/noticias/mostra_noticias.php?id_noticias=6391
Haja talento, hein? 718 mil…
24 de fevereiro de 2010 às 9:42
Todo mundo é vítima da panelinha até entrar na panelinha. Né, Bozó?
24 de fevereiro de 2010 às 15:08
“Fico impressionado de como todo mundo é socialista quando está na merda e liberal quando está fazendo sucesso”.
Gilmar, essa frase é fantástica! Resume muito bem o que sinto quando vejo certas pessoas esfregando na cara dos outros seus êxitos, como se trabalho duro garantisse algo para quem, seguindo o raciocínio do Roberto Cavalo, não possui o tal do “carisma”.
Aliás, se todos os artistas carismáticos perdessem essa qualidade de um dia para outro, os aterros sanitários não dariam conta de tantos discos, livros e filmes; e a história da arte caberia num livro de bolso.
24 de fevereiro de 2010 às 17:12
Estudo e trabalho são invenções nefastas
do neoliberalismo safado e emplumado. Quem
estuda e/ou trabalha não tem tempo para se
dedicar ao essencial: a luta pelas causas sociais.
Abaixo o diploma e a CTPS! Bolsa Famíla forever!
24 de fevereiro de 2010 às 18:03
“Bolsa Familia forever”… que idiota.
24 de fevereiro de 2010 às 20:00
é isso aí!!! VIVA A REVOLUCAO SOCIALISTA. Lula e as FARC já estão articulando a grande virada da sociedade. Essses pela saco daqui vão tudo se FUDER, vão perder seus apartamentinhos de zona sul. ACABOU PRA VCS
25 de fevereiro de 2010 às 0:47
Que socialismo ou comunismo que nada, só gente muito iludida (universitários de esquerda) ainda esperam A Revolução…
O grande problema do capitalismo neo-liberal é que ele não é liberal. Isso porque as grandes corporações controlam e exploram tudo e todos e a propaganda nos tornou imbecis consumidores, o que acabou com a democracia. Vejam os documentários “the corporation” e “the century of the self”, ao invés de ficarem assistindo aulas sobre Marx.
25 de fevereiro de 2010 às 0:50
E o Arnaldo se tornou tão capitalista selvagem que tá até querendo demitir alguém… tsc tsc
25 de fevereiro de 2010 às 6:18
Arnaldo, excetuando-se o retardo mental desde o nascedouro, isso é uma prova de que o meio afeta o homem, até que venha outro homem e afete o seu meio… hehe
25 de fevereiro de 2010 às 8:23
“Que bando de cuzão comentando aqui. Vou demitir o moderador…”
é por isso que eu ainda perco tempo lendo comentários! HAHAHAHA
25 de fevereiro de 2010 às 9:36
Arnaldo Branco morreu, arrumou um emprego na Globo.
25 de fevereiro de 2010 às 12:24
Todos nós que estamos aqui, Arnaldo Branco e os que deixaram comentários, somos pessoas privilegiadas. O fato de estarmos opinando e/ou postando algo na Net, já é uma tremenda ‘peneira’ social. Não podemos nos lamentar mesmo. Agora, generalizar a opinião de que quem se lamenta, talvez não esteja se esforçando muito, é uma postura simplista. Quem faz parte da elite é que sempre está por cima, isso é fato. São a maioria dos formadores de opinião e os que têm as melhores oportunidades. O pobre, tem que se esforçar, e muito, para conseguir o básico. Se ele se lamenta, é um fraco?
25 de fevereiro de 2010 às 18:43
Concordo com o Luiz Eduardo, esse tipo de raciocínio que o Arnaldo defendeu parte da premissa que as pessoas nascem com as mesmas possibilidades de oportunidade, como num jogo de Banco Imobiliário. Idem para quem falou no fator sorte: só se for sorte de nascer rico.
26 de fevereiro de 2010 às 10:54
E sorte de saber jogar futebol bem pra caramba?
26 de fevereiro de 2010 às 11:43
Ah…
quanta chatice.
28 de fevereiro de 2010 às 23:05
E a Globo?
1 de março de 2010 às 23:22
Cara, o pior é que tem gente que ainda cai nos comentários dos “trolls” acima (Bolcheva e João Engajado). Agora, pra falar a verdade, nem tenho mais o que dizer já que o Gilmar resumiu bem o que eu ia comentar aqui. Antes de ir só queria dizer que eu acho que já li todas as colunas do Arnaldo e essa foi a mais sem-graça.
15 de março de 2010 às 0:09
Bozó detected!!!!