23 de fevereiro de 2009
Estado de Graça
Por Arnaldo Branco
“O Destino tem sido generoso comigo. Não quer que eu fique famoso muito jovem ” - Duke Ellington, aos 76
Tem muita gente que acredita em Deus ou qualquer outro paliativo místico porque não consegue encontrar uma razão terrena para seu próprio fracasso. Como assim meu talento não foi reconhecido? Deve ter algo a ver com o meu ascendente. Eis o mistério da fé.
Mas quando o assunto é o sucesso alheio, as explicações transcendentais perdem terreno. É claro que o outro: a) puxou o saco de alguém b) deu para alguém c) comeu alguém d) é filho de alguém. Não só são explicações para lá de mundanas, como três delas constam no índice de pecados venais da Igreja Católica.
Portanto o fracasso é mais próximo da manifestação do divino do que o sucesso. O fracasso é uma benção disfarçada - quando Andy Wharol disse que no futuro todo mundo seria famoso por 15 minutos estava era rogando praga.
O amor de Deus pela humanidade para mim está definitivamente provado estatiticamente pela gigantesca incidência de losers. Ele toma os resmungos recalcados de solitários envelhecidos para os garçons às 3 da madrugada como preces.
Não é a toa que alguns religiosos jejuam: o negócio é simular a mendicância para chegar mais perto do Nirvana ou seja lá como se chama o Prêmio Principal da sua religião. As pessoas bem-sucedidas têm mais dificuldades de concentração, são sempre distraídas por telefonemas de congratulação, pelo barulho do choque de taças de cristal e por loiras de snorkel fazendo brincadeirinhas subaquáticas na Jacuzzi.
Graças a Deus o fracasso está ao alcance de todos. Vejam o exemplo do Paulo Ricardo. Quem o viu nos anos 80, amaldiçoado pelo sucesso absouto, não conseguiria adivinhar o caminho de iluminação em iluminação até o pleno Estado de Graça em que se encontra. Aleluia!
6 comentários para “Estado de Graça”
Deixe um comentário
- A sedução dos inocentes
- Report as spam
- Exclusão analógica
- Ah, a Globo
- Mania de vítima
- As utopias perdidas da geração do Jabor
- Trash kosher
- Falta de ambição
- A esquerda séria
- Eu só estava cumprindo ordens
- Minha lista de melhores do ano
- Vai ver que é pelas crianças
- Licença poética
- O inferno são os outros
- Silêncio na favela
- O sucesso não acontece por acaso
- Deixem o erotismo em paz
- É sobre a Rússia
- Qual é a moral dos moralistas?
- Vendido!
- O A e o Z
- Indignação pautada
- Saudades da direita cínica
- Como é cruel cantar assim
- O uso correto da liberdade de expressão
- Humor: como reconhecer
- Descuido
- Retroceder nunca, render-se jamais
- Chega de perdão
- What’s so funny about peace, love and understanding?
- O que aprendi com a coluna da semana passada
- Vítima da sociedade
- Baixo elitismo
- South american way
- Inimigos da internet
- Vaidade autoral
- Não me inveje, trabalhe
- Unidos lamentaremos
- As agruras do fracasso
- Informação privilegiada
- A pureza da resposta das crianças
- A cultura do carão
- Rota de fuga cheia de encantos mil
- Dadinho é o caralho, meu nome é Michael Corleone
- Vivendo em negação
- Picareta na estátua
- Tragam-me a cabeça de Diogo Mainardi
- Francamente, Adriano
- Indignação seletiva
- O mito do humor inteligente
- Advertisement biatches
- Fatalismo em arte
- Teoria do co-autor
- Por um punhado de ordens de pagamento
- Estado de Graça
- Teoria do autor
- Larica total
- Fase de crescimento
- Calabocracia
- Tempos difíceis para um Stalinista
- Alma do negócio, bunda na janela
- Era mais jogo se eu tentasse fazer charme de intelectual
- Isto era Hollywood
- Parem de formar o público leitor
- A banalização da misantropia
- Gossip world
- Gentileza gera gentileza
- Ridendo castigat mores?
- Consciência culpada
- Fome F.C.
- A grande ameaça amarela
- A vigência dos nerds
- O último tango na praça Paris
- O ataque dos telepatas assassinos
- Concorrência desleal
- A morte do sapo
- Disposição contrária
- To be or to appear to be, that is the etc etc
- Kill kill kill the poor
- As portas da percepção
- Home of the brave, land of the free
- Patrulha de Elite
- A questão do conteúdo
- A inteligência em mãos erradas
- O Brasil é um país sem o que mesmo?
- Coleção Primeiros Passos: O que é Didatismo
- Humor anal
- Um mundo de possibilidades
- O Homem superando os meus limites











23 de fevereiro de 2009 às 14:13
[...] fracasso é uma bênção. Saiba o porquê aqui, na coluna de hoje do Arnaldo Branco. E amanhã, com folia ou sem folia, tem o Fotodiário celular [...]
25 de fevereiro de 2009 às 8:05
[...] Coluna da Zé Pereira, republicação de uma que saiu na Bizz. Carnaval, não é. [...]
27 de fevereiro de 2009 às 21:52
Ei, mas o Duke Ellington não morreu aos 75 anos? Aquela declaração saiu de uma mesa espírita ou algo parecido?
28 de fevereiro de 2009 às 12:12
É mesmo. Reclama com o Ruy Castro, está no Melhor do Mau Humor…
3 de março de 2009 às 10:47
Arnaldo,
vc está dando pra quem ?
Bj do seu ex-
Curi
5 de março de 2009 às 15:53
Estou vendendo, Curi. O tempo do amadorismo acabou.